Cenário macro: nossa atualização para junho de 2026
Mudança de postura do Fed, comunicação do Copom, geopolítica e inteligência artificial guiaram os mercados
Por Itaú Asset
Junho termina com os mercados ajustando expectativas após decisões recentes dos principais bancos centrais. A combinação entre mudanças na comunicação de política monetária, evolução da inflação e desdobramentos geopolíticos tem influenciado os preços dos ativos.
Foi nesse contexto que realizamos mais uma edição da live mensal de Cenário Macro, com a participação de Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú, e Bruno Bak, gestor líder da família de fundos Itaú Artax.
A seguir, confira os principais destaques:
Cenário internacional
Federal Reserve: mudança de liderança e efeitos sobre os mercados
A reunião mais recente do Federal Reserve marcou a estreia da liderança de Kevin Warsh. Diferentemente dos presidentes anteriores, que vieram da própria estrutura do Banco Central, Warsh assumiu o cargo após anos fazendo críticas públicas à atuação da instituição, especialmente em relação à comunicação e ao combate à inflação.
Apesar da expectativa de mudanças mais profundas, sua estreia foi marcada por um foco maior em revisar processos internos e na criação de grupos de estudo para avaliar o funcionamento do Fed. Ainda assim, as projeções divulgadas pela autoridade monetária indicaram uma preocupação maior com a inflação e indicação de maior aperto monetário, levando o mercado a considerar a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos caso os dados econômicos surpreendam para cima.
Como resultado, o mercado passou a reagir de forma mais sensível aos indicadores econômicos, em um ambiente com menos sinalizações antecipadas por parte do Fed. Como consequência, a volatilidade dos ativos pode permanecer elevada nos próximos meses
Geopolítica e petróleo: alívio parcial, mas cenário ainda sensível
O conflito entre Estados Unidos e Irã continuou no radar dos investidores em junho. Embora os dois países tenham avançado nas negociações e firmado um memorando de entendimento para manter aberto o Estreito de Ormuz enquanto discutem um acordo mais amplo, o processo segue cercado por episódios de tensão e mudanças frequentes de tom por parte dos envolvidos.
O principal reflexo desse movimento aparece no mercado de petróleo. Após atingir níveis próximos de US$ 110 por barril durante os momentos mais tensos do conflito, a commodity recuou para a região de US$ 75 a US$ 80 com a melhora das perspectivas de negociação. Ainda assim, os preços permanecem acima dos níveis observados no início do ano, mantendo impacto relevante sobre a inflação global.
Sinais contrários no setor de tecnologia e inteligência artificial
No dia 12 de junho, ocorreram dois acontecimentos importantes no setor de tecnologia. De um lado, o IPO da SpaceX, que levantou cerca de US$ 75 bilhões e se tornou o maior da história. A operação mostrou que o mercado continua disposto a financiar empresas que representam grandes apostas tecnológicas para o futuro.
Do outro lado, o governo americano anunciou restrições ao acesso internacional aos modelos mais avançados da Anthropic, alegando preocupações com a segurança cibernética. A medida sinaliza que, à medida que a inteligência artificial se torna mais estratégica, cresce a disposição dos governos de limitar a disseminação dessas tecnologias por razões de segurança nacional.
Os dois eventos ajudam a ilustrar o momento do setor. Enquanto investidores seguem demonstrando confiança no potencial econômico da inteligência artificial, governos passam a enxergar determinadas tecnologias como ativos estratégicos, sujeitos a restrições semelhantes às já observadas na indústria de semicondutores. Apesar disso, a avaliação segue positiva para o setor, já que empresas ligadas à infraestrutura de IA, semicondutores, data centers e softwares continuam apresentando crescimento robusto e sustentando parte importante do desempenho das bolsas americanas.
Cenário local
Banco Central sinaliza pausa e gera debate sobre comunicação
No Brasil, a decisão mais recente do Copom e sua comunicação estiveram no centro das atenções. O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual e sinalizou uma pausa para avaliar a evolução do cenário econômico.
Embora a decisão não tenha surpreendido, a comunicação gerou dúvidas entre investidores sobre os critérios utilizados para justificar o corte. Dias depois, a divulgação da ata da reunião ajudou a esclarecer a mensagem e reforçou a ideia de que o Banco Central pretende acompanhar os próximos indicadores antes de definir os próximos passos da política monetária.
No entanto, a discussão vai além da decisão em si e envolve a credibilidade da autoridade monetária. Como a confiança do mercado é um dos principais instrumentos de atuação dos bancos centrais, ruídos de comunicação podem aumentar as incertezas e dificultar a condução da política monetária. O foco do mercado permanece na trajetória da inflação, na atividade econômica e na evolução das expectativas.
Reação dos mercados e desempenho da bolsa brasileira
A reação dos mercados à decisão do Copom refletiu a combinação entre comunicação de política monetária e expectativas para a trajetória de juros. A curva de juros apresentou movimentos relevantes, indicando maior incerteza sobre o ciclo à frente.
Já a bolsa brasileira continua convivendo com um ambiente mais complexo. Além da manutenção de juros elevados, os resultados corporativos do primeiro trimestre vieram, em geral, abaixo das expectativas mais otimistas do mercado, com várias empresas adotando projeções mais conservadoras para o restante do ano.
Por outro lado, o fluxo internacional segue sendo um fator de suporte. Investidores estrangeiros já representam uma parcela relevante da base de acionistas da bolsa brasileira e tendem a avaliar o Brasil dentro de um contexto global, comparando suas oportunidades com outros mercados emergentes e desenvolvidos.
Estratégia de investimentos
Itaú Artax completa quatro anos e mantém foco em oportunidades globais
Os quatro anos do Itaú Artax também foram destaque na live. Segundo os dados apresentados e que estão na carta mensal, o fundo superou o CDI em todas as janelas móveis de três anos analisadas. Nas janelas de dois anos, o Artax Multimercado ficou acima do índice em mais de 90% das observações. Já o Artax Ultra Multimercado superou o CDI em cerca de 98% das janelas de dois anos avaliadas. Os resultados evidenciam a consistência da estratégia ao longo do tempo, mesmo em um período desafiador para a indústria de multimercados.
Em renda variável a equipe segue priorizando oportunidades internacionais, especialmente em ativos ligados ao tema de tecnologia e inteligência artificial. A estratégia mantém exposição a empresas americanas com crescimento consistente de lucros e modelos de negócio consolidados.
Na América Latina, o fundo continua encontrando oportunidades em mercados específicos em renda fixa. No Chile, a combinação de inflação mais comportada e atividade econômica mais fraca tem favorecido posições aplicadas em juros. Já no México, após um período bastante positivo, a equipe reduziu posições diante da menor atratividade relativa dos preços atuais. A gestão segue atenta aos riscos no cenário internacional, especialmente à possibilidade de altas de juros nos Estados Unidos, o que poderia aumentar a volatilidade nos mercados emergentes.
O que observar até a próxima live
- Próximos dados de inflação nos Estados Unidos;
- Evolução da política monetária do Fed sob a liderança de Kevin Warsh;
- Avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e impactos nos preços do petróleo;
- Indicadores de inflação e atividade no Brasil;
- Renovação do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA);
- Continuidade dos investimentos globais ligados à inteligência artificial.
A seguir, confira o bate-papo na íntegra:
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