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Capital próprio: Como usar seu dinheiro para começar um negócio?

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• 10 minutos de leitura

moça trabalhando em uma lanchonete e entregando a comida no balcao

Abrir um negócio exige planejamento. São muitas as decisões que precisam ser tomadas, e começar com um plano bem estruturado pode ajudar bastante, principalmente para não se perder nesse início até que as coisas consigam fluir. Uma das escolhas mais importantes nessa fase é optar entre capital próprio ou de terceiros.

É possível pegar dinheiro emprestado ou usar o seu próprio patrimônio financeiro para começar as atividades da empresa. Quais as vantagens e desvantagens? O que considerar nesse momento? Esclarecemos alguns pontos sobre o assunto no conteúdo a seguir. Não deixe de acompanhar toda a leitura!

O que é capital próprio?

Ao ouvir alguém dizer que uma empresa foi aberta com capital próprio, isso significa que o seu sócio-proprietário foi o único investidor do negócio, ou seja, não foi preciso pegar dinheiro emprestado e o capital veio do seu dono. Quando a sociedade for composta por mais de uma pessoa, a proporção de valores deve ser definida em acordo e estabelecida com clareza para evitar problemas.

Depois de aberto, o negócio começa a constituir o seu próprio patrimônio, que são os seus meios financeiros. Então, se em algum momento for necessário fazer um investimento em infraestrutura, por exemplo, existe a possibilidade de fazer isso com capital próprio ou de terceiros (como pegar dinheiro emprestado com outra pessoa ou instituições financeiras).

Em geral, podemos definir o capital próprio como o patrimônio líquido de uma empresa, que nada mais é do que a soma de tudo o que ela tem menos o que deve.

Quando a dívida a terceiros é maior que o valor que a empresa tem, dizemos que o capital próprio é negativo. Imagine que o montante do negócio gire em torno de 50 mil reais e exista uma dívida com o banco de 65 mil reais. Nesse caso, o capital negativo é de 15 mil. Se a situação for contrária, com montante de 65 mil reais e a dívida em 50 mil reais, aí sim, temos um capital positivo do mesmo valor, pois mesmo quitando as dívidas "sobra" dinheiro.

Quais são as vantagens do capital próprio?

Abrir uma empresa usando capital próprio ou não nem sempre é uma escolha simples. Em alguns casos, essa possibilidade não existe pelos sócios não terem a quantia suficiente para tal iniciativa. Porém, quando é possível fazer esse investimento por conta própria e sem depender de terceiros, é essencial analisar o cenário para tomar a decisão.

A grande vantagem é não ter que lidar com os juros cobrados pelo capital emprestado. Fazer um empréstimo ou financiamento vai envolver um gasto consideravelmente maior do que o valor que você deve receber para começar o negócio. Basta fazer uma simulação online com o seu banco para notar a diferença.

Além disso, você ficará preso a um contrato cheio de cláusulas que vai durar por um tempo, assumindo riscos caso não seja possível cumprir as parcelas da dívida, como entregar bens pessoais.

Quando o empreendimento começa com bons resultados, normalmente é tranquilo quitar o débito, mas também pode ser que isso não aconteça. Tudo isso deve fazer parte do seu business plan, que não pode deixar de envolver a parte financeira, até mesmo para calcular bem o valor emprestado e a sua capacidade de pagar as prestações.

O fato é que o capital próprio acaba por ser mais cômodo, econômico e oferece maior liberdade. Por outro lado, é importante avaliar até que ponto essa alternativa não compromete o orçamento pessoal dos donos da empresa ou gera limitações.

Quais as desvantagens?

As desvantagens do capital próprio partem da ideia de descapitalização dos seus responsáveis, como acabamos de citar. Nem sempre é uma boa ideia investir todo o seu dinheiro em um negócio que ainda pode levar um tempo para dar retorno financeiro.

A outra desvantagem são os juros. A não ser que você encontre uma pessoa de bom coração para emprestar dinheiro sem cobrar por isso, todas as outras soluções envolvem pagar um valor maior do que aquele que você pegou.

Mesmo assim, pode ser que adquirir uma dívida com terceiros seja uma opção viável. Não somente na hora de abrir uma empresa, mas, ao longo das suas atividades, surgem necessidades de investimento, e pegar dinheiro emprestado é muito comum. É claro que, para isso, você deve fazer uma análise financeira da decisão, sobretudo para entender como o valor das parcelas se encaixa no seu orçamento.

Quando usar capital próprio?

Essa é uma decisão bem individual, que envolve as preferências do empreendedor, uma boa análise de mercado e avaliação financeira sobre cada situação específica.

A verdade é que não há uma fórmula pronta para tomar essa decisão e é preciso balancear as vantagens ou desvantagens no momento. Nada impede que uma empresa que começou com capital próprio e tenha fluxo de caixa opte, no futuro, por um crescimento vinculado a um empréstimo, por exemplo.

Portanto, é importante avaliar bem os fatores que estão em jogo, inclusive com a iniciativa de buscar uma consultoria financeira se for preciso. Apesar de o capital de terceiros apresentar seus pontos "negativos", como a cobrança de juros, o investimento orgânico também fica limitado ao montante disponível no capital próprio.

As duas alternativas podem representar boas escolhas. Essa é uma decisão estratégica que deve priorizar os objetivos da empresa, sem deixar de lado os cuidados com as questões financeiras. Alguns pontos que precisam fazer parte dessa reflexão:

●      taxas de juros;

●      valor das prestações;

●      garantias envolvidas no contrato;

●      estrutura de capital;

●      perspectivas do negócio.

A dúvida sobre quando recorrer a um empréstimo passa pela cabeça de muitos empreendedores, já que é comum precisar de crédito para investir no desenvolvimento do negócio. Depois de avaliar esses pontos que citamos, busque uma instituição financeira de sua confiança e tente negociar boas condições.

Usar capital próprio para começar um negócio pode ser uma boa ideia, mas, se isso não for uma possibilidade ou a sua preferência no momento, não há problema. O mais importante é estruturar seu planejamento financeiro, qualquer que seja a decisão e, claro, cuidar do crescimento do negócio para que os resultados cubram os valores investidos.

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