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Maternidade e trabalho: a jornada dupla

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Itaú Empresas

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Quando Fernanda Alves, baiana de Salvador, decidiu abrir sua clínica, uma questão não saía de sua cabeça: “vou ganhar dinheiro para garantir o futuro da minha filha de 7 anos, ao mesmo tempo vou perder momentos importantes do crescimento dela agora”. A situação é comum para muitas mães empreendedoras.

A solução encontrada por Fernanda foi dividir as atividades profissionais de acordo com o tempo em que a pequena Helena estaria na escola ou sob a supervisão de outros adultos. Nesses dias Fernanda consegue trabalhar até 10 horas da noite. Assim, ela consegue reservar um dia inteiro da semana para brincadeiras com Helena. “É uma fase muito bonita, que eu adoro aproveitar com ela”, comenta. Essa liberdade só foi possível porque Fernanda conseguiu fazer seus próprios horários sendo empreendedora.

Conciliar o tempo para dedicar à vida profissional e aos filhos — além de tantas outras tarefas do dia a dia — realmente não é uma tarefa fácil. O peso sobre a paternidade ainda costuma ser menor, o que aumenta a carga que as mulheres mantém no cotidiano. Segundo pesquisa de editoria especializada, cerca de 94% das mulheres enfrentam barreiras como preconceito e excesso de demandas para conciliar as atividades profissionais e maternas.

Vamos falar mais sobre isso? Acompanhe o texto para entender os desafios das empreendedoras e como conseguem encontrar os melhores caminhos dentro do universo do empreendimento!

Jornada dupla: Quais são os principais desafios vividos pelas mães que empreendem?

Para Luiza Voll, empresária mineira, mãe de Tom, de apenas 7 meses, a maior dificuldade é justamente conseguir dar conta de todas as tarefas, principalmente porque empreender e ter um filho são grandes responsabilidades. “Tem dia que a gente tem que escolher, escolher até o que não vai dar conta de fazer, mas com o bebê não existe negociação, com ele a gente tem sempre que dar conta”, comenta.

Muitas vezes, as horas dos dias não parecem suficientes para lidar com tudo, sem contar que muitas outras coisas acabam ficando para trás. Se já é difícil encontrar tempo para a carreira depois da vida materna, imagine só cuidar de si mesma.

Fernanda Alves é um exemplo real disso. A psicóloga, dona de clínica e mãe de Helena de 7 anos, conta que ainda perde muito tempo lidando com burocracias no dia a dia. Com a escolha por estruturar sua rotina para ter um dia livre com Helena, ela precisa trabalhar até tarde nos outros dias para compensar.

"Eu fico pensando se estou trabalhando agora para garantir o futuro da minha filha e, ao mesmo tempo, perdendo o presente. Penso também se devo trabalhar menos e aproveitar o momento com a minha filha para depois correr atrás. Optei por fazer um pouco dos dois”.

Esse é um dos principais dilemas vividos pelas mães que trabalham. A rotina pode impactar de muitas maneiras, inclusive bloqueando o potencial dessas trabalhadoras — e, consequentemente, prejudicando seu crescimento.

Luiza Voll conta que voltou a trabalhar quando seu filho tinha apenas 3 meses. Os pensamentos todos voltados para a maternidade resultaram em um enorme bloqueio criativo para cuidar da sua empresa digital, embora tivesse o benefício de fazer home office.

Como ela conseguiu recuperar a criatividade? “O próprio trabalho foi me alimentando novamente, fui aos poucos me permitindo entrar um pouco mais de volta neste universo e este pensamento e vontade de criar foram fazendo parte dos meus dias outra vez”.

O cotidiano envolve atenção, cuidados e renúncias, como a impossibilidade de fazer uma reunião ou marcar qualquer compromisso enquanto o bebê está acordado. São detalhes que só confirmam como pode ser difícil essa jornada dupla.

Cada mulher vive uma realidade, mas é quase uma unanimidade dizer que todas elas enfrentam problemas ao aliar maternidade e trabalho. Inclusive, muitas desistem da ideia de ter filhos por esse motivo, já que as chances de ser contratada chegam a ser 80% maiores para uma mulher sem filhos.

O caminho das empreendedoras é igualmente complicado — ou poderíamos dizer que até mais complexo, já que gerenciar um negócio com pouco tempo e várias outras preocupações na cabeça com certeza não é fácil. Muitos detalhes fazem parte da gestão de uma empresa e ser empreendedora é uma profissão que não tem um horário de trabalho predeterminado. É como ficar com a mente ligada todos os dias, todas as horas.

Como as mães empreendedoras se organizam?

O contexto vem se transformando ao longo do tempo. Falar desse assunto é uma forma de evidenciar a importância de apoiar as mulheres que estão passando por essa jornada dupla.

Hoje já existe uma compreensão maior sobre o desafio de conciliar maternidade e trabalho. Muitas empresas têm buscado facilitar essa realidade, adotando medidas que ajudam a aliviar um pouco do peso — como ter um horário de trabalho mais flexível, poder fazer home office ou garantir um benefício financeiro para pagar a creche.

Já as mães empresárias têm aprendido com a experiência a indicar quando precisam parar, pedir ajuda e quando precisam de uma rede de apoio. É essencial entender que está tudo bem em não dar conta de tudo, principalmente até conseguir se estruturar melhor.

Inclusive, aceitar as dificuldades da rotina é importante para não perder a parte boa da maternidade e do trabalho por conta do cansaço ou da angústia. A pia cheia de louças para lavar ou a caixa de e-mail cheia de mensagens não lidas não devem impedir que as pequenas conquistas sejam celebradas. Um passo de cada vez, respeitando as limitações da sua realidade.

É como o equilibrista de pratos faz em uma apresentação circense. De longe conseguimos ver que manter todos os pratinhos rodando é bem difícil, mas não impossível. Pedir ajuda para a família, amigos e colegas de trabalho é absolutamente compreensível.

Qual a importância de uma rede de apoio entre maternidade e trabalho?

Como sabemos, cuidar de um filho é uma enorme responsabilidade. E as mulheres são mais cobradas neste sentido. De acordo com pesquisa do Google sobre o perfil da mãe brasileira, apenas 1 entre 4 mulheres afirma dividir igualmente as tarefas na criação dos filhos com um companheiro. Outro fato é que existem inúmeras mães solo, aquelas que não podem contar com uma parceria nessa hora.

Por isso, ter uma rede de apoio pode fazer toda a diferença na rotina da mãe empresária. Afinal, é preciso ter pessoas de confiança que possam auxiliar e indicar caminhos seguros para a sua tomada de decisão.

Sabendo disso, o Itaú oferece o programa Mulher Empreendedora para servir como apoio para as mulheres que têm o seu próprio negócio. Esse é um canal de conteúdo, conexão e inspiração profissional para que todas lembrem que não estão sozinhas neste mundo!

Administrar uma empresa é tão desafiador que exige muita informação e conhecimento. Então, aproveite para conferir dicas sobre produtividade, liderança, networking, finanças, marketing e vários outros assuntos. Você ainda vai conhecer outras mulheres empreendedoras e até casos de empresas familiares — quem sabe isso não acontece na história da sua família? Vale a pena conferir!

Enfim, maternidade e trabalho são dois assuntos que ainda precisam continuar em foco, especialmente para que soluções sejam encontradas a cada nova questão que surgir. Ter uma mãe feliz e um ambiente saudável é, com certeza, o cenário ideal para o crescimento de uma criança! E uma mãe empresária feliz pode criar um negócio mais saudável, com vantagens para toda uma comunidade.

E para continuar essa conversa necessária sobre maternidade e trabalho, propomos que o debate não pare por aqui. Compartilhe nas suas redes sociais e veja como outras mães e empresárias têm encontrado apoio e soluções para o dia-a-dia entre os filhos e os negócios.