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No caminho do empreendedorismo, ele superou também o desafio do preconceito

A história do empresário Roberto Fargnolli nos negócios e na luta contra a discriminação por sua orientação sexual.

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Itaú Empresas

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A trajetória do empresário Roberto Fargnolli, de 43 anos, envolveu a superação dos obstáculos que costumam marcar as histórias de empreendedores que começaram de baixo, arriscaram, fracassaram, aprenderam, tentaram de novo e finalmente tiveram sucesso. Envolveu também o desafio de enfrentar o preconceito de muitas pessoas por ser homossexual.

“Quando eu comecei, não se viam muitos empreendedores ou profissionais bem-sucedidos assumidamente gays fora de alguns segmentos, como o de moda e beleza. As pessoas escondiam”, ele diz. “Felizmente, isso está mudando.”

Dono de um Centro de Formação de Condutores e de duas agências de despacho de cartas e mercadorias, Roberto planeja compartilhar a sua história com pessoas que também sonham em seguir o caminho do empreendedorismo e lutam contra o preconceito. Pretende fazer isso por meio de palestras.

Roberto começou a trabalhar aos 13 anos de idade, em funções como montador de quadros e estoquista, paralelamente aos estudos, que seguiu até se formar em marketing. Aos 20 anos, abriu seu primeiro negócio, em sociedade com a mãe e a irmã: um quiosque de venda de churros na frente de um supermercado. “Durou só três meses”, ele conta. A causa do fracasso tão precoce foi um desentendimento com a franquia escolhida.

Pouco tempo depois, abriu outra franquia no mesmo ramo, com uma marca concorrente, em sociedade com a irmã. Dessa vez, o negócio durou mais tempo, mas também não foi adiante, e eles acabaram entregando o quiosque para o franqueador.

Formação de condutores

Nos anos seguintes, ele emendou empregos como vendedor de impressoras usadas e como funcionário de uma empresa de equipamentos de som, luz e projeção para eventos, além fazer bicos como professor de cursos preparatórios do exame teórico para tirar carteira de motorista.

A experiência no setor de eventos o levou à sua terceira incursão no empreendedorismo, no ramo de eventos em que vinha atuando. “Peguei um boom de mercado e fui muito bem durante alguns anos”, recorda Roberto. “Mas veio uma crise grande, os preços caíram muito e o negócio ficou insustentável”.

Foi então que a atividade que até ali havia sido apenas um bico lhe proporcionou uma nova oportunidade para empreender – e dessa vez, com muito mais sucesso. Em 2012, ele montou o Centro de Formação de Condutores RKF, dedicado ao ensino e à aplicação da prova teórica do Detran, no bairro da Vila Maria, na zona Norte de São Paulo. A empresa aplica cerca de 300 provas por mês.

A entrada no segmento de agências de despacho de cartas e mercadorias aconteceu há um ano, quando ele aderiu a uma franquia do ramo e montou duas lojas, uma vizinha ao Centro de Formação de Condutores e outra no município de Arujá, na Grande São Paulo. “Ainda está bem no início, estou aprendendo a atuar nesse meio”, ele conta. “Mas acredito que é um setor que deve crescer muito nos próximos anos, com a evolução do e-commerce.”

Os três negócios empregam um total de doze colaboradores, que formam uma equipe diversa, com maioria feminina (nove mulheres), duas pessoas negras e um LGBTQIA+. “É importante buscar refletir a diversidade da sociedade no quadro de funcionários”, afirma o empreendedor. Além dos obstáculos por causa da sua orientação sexual, Roberto enfrentou também uma luta contra a obesidade. Em 2016, após ter chegado a 183 kg, ele se submeteu a uma cirurgia bariátrica e passou a adotar um novo estilo de vida, incluindo a prática de atividade física em academia quatro vezes por semana. Desde então, vem mantendo o peso dentro de uma faixa saudável.

A ideia de compartilhar sua história por meio de palestras é um sonho antigo, que ele espera começar a colocar em prática em breve. Além das lições de aprendeu em seus tombos e sucessos como empreendedor, Roberto pretende contar como enfrentou o preconceito por sua orientação sexual e também a luta contra a obesidade.

Sobre a aceitação das diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, ele acredita que a sociedade vem evoluindo, mas que ainda há muito a avançar. “Hoje em dia, lidar com o preconceito está muito mais fácil do que quando eu tinha 20 anos”, ele conta. Em muitas situações, no entanto, ele ainda percebe sinais de discriminação, como quando marca uma primeira reunião com um possível novo cliente, fornecedor ou parceiro de negócio. “Quando percebem que eu sou gay, o relacionamento fica diferente”, ele conta. Mas essas situações não abalam a sua autoconfiança.

Para pessoas LGBTQIA+ que atuam ou querem atuar em segmentos onde o preconceito é maior, ele aconselha seguir em frente e realizar seu sonho. “Nunca deixe de ser quem você é quem você tem vontade de ser”, ele diz.

Duvidar da própria capacidade de se estabelecer em uma carreira profissional ou um ramo de negócios por causa da sua orientação sexual ou identidade de gênero, diz Roberto, é um pensamento comum que prejudica muito as pessoas desse grupo. “É muito importante saber identificar e combater essa forma de autossabotagem”, ele recomenda. Para jovens que estão lidando com as mesmas questões que ele enfrentou, Roberto aconselha: “Nunca desista dos seus objetivos. Com trabalho e dedicação, é possível conquistar tudo o que você quiser.”