O que é DRE e como usar esse relatório para entender os resultados da empresa
Entenda o que é a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), como ela apresenta receitas, custos e despesas da empresa e por que é uma ferramenta importante para acompanhar a lucratividade do negócio e apoiar decisões financeiras mais assertivas.
Por Itaú Empresas
Sua empresa vendeu mais este mês. O saldo da conta está positivo e todos os compromissos estão sendo pagos. Isso significa que o negócio teve lucro?
Nem sempre.
Um dos erros que podem prejudicar a gestão financeira é avaliar o desempenho da empresa olhando apenas para o dinheiro disponível na conta.
O saldo bancário mostra quanto existe naquele momento, mas não revela sozinho se a operação está sendo lucrativa, quanto custa gerar aquela receita ou quais despesas estão consumindo os resultados.
É justamente para responder a essas questões que existe a DRE.
O que é DRE?
DRE é a sigla para Demonstração do Resultado do Exercício, um relatório contábil que apresenta as receitas, custos e despesas da empresa até chegar ao resultado líquido de determinado período.
Em outras palavras, a DRE ajuda a responder uma pergunta essencial para qualquer empresário: a operação gerou lucro ou prejuízo?
Embora o nome faça referência ao exercício, a DRE também pode ser acompanhada em períodos menores para fins de gestão, como mensalmente ou trimestralmente.
Uma característica importante é que a DRE utiliza o regime de competência. Isso significa que receitas e despesas são reconhecidas no período em que ocorrem, independentemente do momento em que o dinheiro efetivamente entra ou sai da conta.
Imagine que sua empresa venda R$ 20 mil em dezembro, mas o cliente tenha prazo para pagar apenas em janeiro. A receita pode ser reconhecida na DRE de dezembro, enquanto o dinheiro só aparecerá no caixa no mês seguinte.
Essa diferença ajuda a entender por que lucro e dinheiro disponível na conta não são a mesma coisa.
Qual é a diferença entre DRE e fluxo de caixa?
A DRE mostra o desempenho econômico da empresa, enquanto o fluxo de caixa acompanha a movimentação efetiva do dinheiro.
Isso significa que os dois relatórios respondem a perguntas diferentes.
A DRE ajuda a entender se as receitas geradas foram suficientes para cobrir custos e despesas e produzir lucro. Já o fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entrou e saiu, ajudando a acompanhar a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos financeiros.
Por isso, é possível ter:
- lucro na DRE e pouco dinheiro em caixa, por exemplo, quando muitas vendas foram realizadas a prazo;
- dinheiro disponível e prejuízo na DRE, como pode acontecer quando a empresa recebe um empréstimo, que aumenta o caixa, mas não representa receita operacional.
Para ter uma visão mais completa da saúde financeira, o empresário precisa acompanhar os dois.
Leia também:Demonstração de fluxo de caixa para sua empresa: entenda a diferença entre DFC e DRE
Como a DRE é estruturada?
A estrutura da DRE segue uma sequência que parte das receitas geradas pela empresa e desconta custos, despesas e outros valores até chegar ao resultado do período.
Entender essa lógica é mais importante para o empresário do que simplesmente decorar cada linha do relatório.
Receita bruta
A receita bruta representa o faturamento obtido com a venda de produtos ou prestação de serviços antes das deduções.
É o ponto de partida da DRE.
Esse número mostra quanto a empresa faturou, mas ainda não indica quanto desse valor efetivamente contribuiu para o resultado do negócio.
Deduções e receita líquida
Da receita bruta são retiradas as deduções aplicáveis, como impostos incidentes sobre as vendas, devoluções e abatimentos.
Depois desses valores, chega-se à receita líquida.
É a partir dela que a empresa começa a enxergar quanto da receita permanece depois das deduções relacionadas às vendas.
Custos e lucro bruto
O próximo passo é descontar os custos diretamente relacionados aos produtos vendidos ou aos serviços prestados.
Em uma indústria, podem entrar matérias-primas e outros custos relacionados à produção. Em um comércio, aparece o custo das mercadorias vendidas. Já em uma prestadora de serviços, entram os custos diretamente associados à execução dos serviços.
Depois desses valores, chega-se ao lucro bruto.
Essa linha ajuda a responder uma pergunta importante: a atividade principal da empresa está gerando margem suficiente antes das demais despesas da operação?
Despesas operacionais e resultado operacional
Depois do lucro bruto, entram as despesas necessárias para manter a empresa funcionando, como gastos administrativos, comerciais e outras despesas operacionais.
Podem aparecer nessa etapa despesas com estrutura administrativa, vendas, marketing e outros gastos relacionados à operação, conforme a classificação contábil adotada pela empresa.
Ao analisar essa parte da DRE, o empresário consegue perceber se os gastos operacionais estão crescendo mais rapidamente do que a receita e pressionando a rentabilidade.
Resultado financeiro
Também entram na DRE as receitas e despesas financeiras.
Juros relacionados a operações de crédito, por exemplo, podem aparecer como despesas financeiras. Já determinados rendimentos financeiros podem entrar como receitas.
Essa parte é importante porque uma empresa pode apresentar uma operação saudável, mas ter o resultado pressionado por um volume elevado de despesas financeiras.
Lucro ou prejuízo líquido
Depois das demais receitas, despesas e tributos aplicáveis, a DRE chega ao resultado líquido do período.
Se o valor for positivo, a empresa apresentou lucro contábil naquele período. Se for negativo, apresentou prejuízo.
Mas chegar a esse número é apenas o começo da análise. Para entender por que o resultado melhorou ou piorou, é necessário observar o caminho percorrido até ele.
Como ler uma DRE na prática?
Ao receber a DRE da empresa, não olhe apenas para a última linha.
O lucro líquido é importante, mas as linhas anteriores ajudam a explicar como aquele resultado foi construído.
Uma boa leitura pode começar por algumas perguntas:
- A receita está crescendo ou diminuindo?
- O custo dos produtos ou serviços está aumentando mais rápido do que as vendas?
- A margem bruta melhorou ou piorou?
- Quais despesas operacionais mais cresceram?
- As despesas financeiras estão pesando no resultado?
- A empresa está vendendo mais, mas lucrando menos?
- O lucro está crescendo na mesma proporção do faturamento?
Imagine que uma empresa aumente o faturamento de R$ 200 mil para R$ 250 mil. À primeira vista, houve crescimento.
Mas, se os custos e despesas aumentaram ainda mais e o lucro caiu de R$ 30 mil para R$ 20 mil, o crescimento das vendas não se transformou em melhora do resultado.
É esse tipo de informação que a DRE ajuda a revelar.
O que a DRE revela sobre a saúde financeira da empresa?
A DRE permite enxergar tendências que o saldo bancário dificilmente mostra sozinho.
Se a receita cresce enquanto o lucro diminui, pode haver pressão de custos ou despesas. Se a margem bruta está caindo, talvez seja necessário investigar preços, fornecedores ou custos de produção. Se as despesas financeiras aumentaram muito, o endividamento pode estar consumindo parte relevante dos resultados.
Por isso, acompanhar a DRE pode ajudar o empresário a identificar questões como:
- queda das margens;
- aumento dos custos;
- crescimento excessivo das despesas;
- impacto de juros sobre o resultado;
- períodos recorrentes de prejuízo;
- diferença entre crescimento do faturamento e crescimento do lucro.
Essas informações podem apoiar decisões sobre preços, redução de custos, investimentos, contratações, crédito e expansão do negócio.
DRE e EBITDA são a mesma coisa?
Não. Embora os dois sejam utilizados para analisar o desempenho financeiro de uma empresa, eles mostram informações diferentes.
A DRE é um demonstrativo completo, que reúne receitas, custos, despesas e outros resultados até chegar ao lucro ou prejuízo líquido.
Já o EBITDA é um indicador utilizado para observar o desempenho operacional antes de determinados efeitos financeiros, tributários e contábeis.
Por isso, o EBITDA pode aparecer como uma referência na análise dos resultados, mas não substitui a leitura da DRE.
Leia também:EBITDA: entenda o que é e por que ele importa para sua empresa
Por que comparar a DRE ao longo do tempo?
Uma DRE isolada mostra o que aconteceu em determinado período. Uma sequência de DREs ajuda a enxergar a direção em que a empresa está caminhando.
Por isso, além de analisar os números do mês, vale compará-los com períodos anteriores.
Uma despesa que aumentou em um único mês pode estar relacionada a uma situação pontual. Se ela cresce continuamente durante seis meses, porém, pode indicar uma mudança estrutural que precisa ser investigada.
O empresário pode comparar:
- mês atual com mês anterior;
- trimestre atual com trimestre anterior;
- período atual com o mesmo período do ano anterior;
- resultado realizado com o orçamento ou planejamento da empresa.
Essa análise ajuda a identificar tendências, sazonalidades e desvios antes que eles se tornem problemas maiores.
Com que frequência analisar a DRE?
Para fins de gestão, uma análise mensal da DRE pode oferecer uma visão mais próxima da evolução do negócio.
O mais importante é estabelecer uma rotina. Não adianta receber o relatório todos os meses se ele for apenas arquivado.
Reserve um momento para olhar as principais linhas, comparar os resultados e entender as variações mais relevantes.
Se uma despesa aumentou significativamente, investigue o motivo. Se a margem caiu, procure entender o que mudou. Se o faturamento cresceu sem aumentar o lucro, analise quais custos ou despesas absorveram esse crescimento.
Com o tempo, a DRE deixa de ser apenas um relatório contábil e passa a funcionar como uma ferramenta de acompanhamento da gestão.
Leia também:6 KPIs financeiros para otimizar a gestão empresarial
Use a DRE para tomar decisões, não apenas para olhar o passado
A DRE registra o resultado de um período que já aconteceu, mas as informações que ela traz podem orientar decisões futuras.
Se as margens estão diminuindo, pode ser o momento de rever custos e preços. Se as despesas aumentaram acima do planejado, vale identificar quais áreas estão pressionando o resultado. Se a empresa está crescendo sem aumentar o lucro, talvez seja necessário avaliar se esse crescimento está sendo sustentável.
É por isso que a DRE não deveria ser vista apenas como um documento entregue pelo contador.
Entender a DRE da própria empresa permite ao empresário conversar melhor com a contabilidade, questionar os números e tomar decisões com mais contexto sobre a realidade do negócio.
O Itaú Empresas oferece soluções financeiras que podem apoiar diferentes etapas da gestão do negócio. Ao combinar informações contábeis, como a DRE, com o acompanhamento do fluxo de caixa e de outros indicadores, o empresário amplia sua visão sobre a situação financeira da empresa.
FAQ
O que significa DRE?
DRE significa Demonstração do Resultado do Exercício. É um relatório contábil que reúne receitas, custos e despesas para demonstrar o resultado da empresa em determinado período.
Para que serve a DRE?
A DRE serve para identificar se a empresa apresentou lucro ou prejuízo e entender como receitas, custos e despesas contribuíram para esse resultado.
Para o empresário, também pode funcionar como ferramenta para acompanhar margens, identificar aumento de gastos e apoiar decisões financeiras.
Qual é a diferença entre DRE e fluxo de caixa?
A DRE considera receitas e despesas conforme o regime de competência, enquanto o fluxo de caixa acompanha as entradas e saídas efetivas de dinheiro.
Por isso, lucro na DRE não significa necessariamente que existe o mesmo valor disponível na conta bancária.
É possível ter lucro na DRE e pouco dinheiro em caixa?
Sim. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a empresa realiza muitas vendas a prazo. A receita pode ser reconhecida na DRE antes de o pagamento do cliente entrar efetivamente no caixa.
Também existem outras situações que podem provocar diferenças entre resultado contábil e disponibilidade financeira.
Quem deve acompanhar a DRE além do contador?
O empresário e os gestores responsáveis pelas decisões financeiras e operacionais também podem acompanhar a DRE da empresa.
O contador é fundamental para a elaboração e interpretação técnica do demonstrativo, mas os dados podem ser utilizados pela gestão para entender o desempenho e tomar decisões.
Com que frequência devo analisar a DRE?
Para acompanhamento gerencial, a empresa pode fazer uma análise mensal da DRE, comparando os números com meses anteriores, períodos equivalentes e planejamento financeiro.
Mais importante do que olhar apenas um mês é acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo.
Toda empresa precisa ter DRE?
A necessidade de elaboração e apresentação da DRE depende das normas contábeis e das características jurídicas e tributárias da empresa.
Mesmo quando determinada apresentação não é exigida da mesma forma para todos os negócios, acompanhar uma demonstração de resultados pode ser útil para a gestão. O contador pode orientar sobre as obrigações específicas aplicáveis a cada empresa.