O que é DRE e como usar esse relatório para entender os resultados da empresa

Entenda o que é a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), como ela apresenta receitas, custos e despesas da empresa e por que é uma ferramenta importante para acompanhar a lucratividade do negócio e apoiar decisões financeiras mais assertivas.

Por Itaú Empresas

7 minutos de leitura
Pessoa utilizando a calculadora

Sua empresa vendeu mais este mês. O saldo da conta está positivo e todos os compromissos estão sendo pagos. Isso significa que o negócio teve lucro?

Nem sempre.

Um dos erros que podem prejudicar a gestão financeira é avaliar o desempenho da empresa olhando apenas para o dinheiro disponível na conta.

O saldo bancário mostra quanto existe naquele momento, mas não revela sozinho se a operação está sendo lucrativa, quanto custa gerar aquela receita ou quais despesas estão consumindo os resultados.

É justamente para responder a essas questões que existe a DRE.

O que é DRE?

DRE é a sigla para Demonstração do Resultado do Exercício, um relatório contábil que apresenta as receitas, custos e despesas da empresa até chegar ao resultado líquido de determinado período.

Em outras palavras, a DRE ajuda a responder uma pergunta essencial para qualquer empresário: a operação gerou lucro ou prejuízo?

Embora o nome faça referência ao exercício, a DRE também pode ser acompanhada em períodos menores para fins de gestão, como mensalmente ou trimestralmente.

Uma característica importante é que a DRE utiliza o regime de competência. Isso significa que receitas e despesas são reconhecidas no período em que ocorrem, independentemente do momento em que o dinheiro efetivamente entra ou sai da conta.

Imagine que sua empresa venda R$ 20 mil em dezembro, mas o cliente tenha prazo para pagar apenas em janeiro. A receita pode ser reconhecida na DRE de dezembro, enquanto o dinheiro só aparecerá no caixa no mês seguinte.

Essa diferença ajuda a entender por que lucro e dinheiro disponível na conta não são a mesma coisa.

Qual é a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

A DRE mostra o desempenho econômico da empresa, enquanto o fluxo de caixa acompanha a movimentação efetiva do dinheiro.

Isso significa que os dois relatórios respondem a perguntas diferentes.

A DRE ajuda a entender se as receitas geradas foram suficientes para cobrir custos e despesas e produzir lucro. Já o fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entrou e saiu, ajudando a acompanhar a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos financeiros.

Por isso, é possível ter:

  • lucro na DRE e pouco dinheiro em caixa, por exemplo, quando muitas vendas foram realizadas a prazo;
  • dinheiro disponível e prejuízo na DRE, como pode acontecer quando a empresa recebe um empréstimo, que aumenta o caixa, mas não representa receita operacional.

Para ter uma visão mais completa da saúde financeira, o empresário precisa acompanhar os dois.

Leia também:Demonstração de fluxo de caixa para sua empresa: entenda a diferença entre DFC e DRE

Como a DRE é estruturada?

A estrutura da DRE segue uma sequência que parte das receitas geradas pela empresa e desconta custos, despesas e outros valores até chegar ao resultado do período.

Entender essa lógica é mais importante para o empresário do que simplesmente decorar cada linha do relatório.

Receita bruta

A receita bruta representa o faturamento obtido com a venda de produtos ou prestação de serviços antes das deduções.

É o ponto de partida da DRE.

Esse número mostra quanto a empresa faturou, mas ainda não indica quanto desse valor efetivamente contribuiu para o resultado do negócio.

Deduções e receita líquida

Da receita bruta são retiradas as deduções aplicáveis, como impostos incidentes sobre as vendas, devoluções e abatimentos.

Depois desses valores, chega-se à receita líquida.

É a partir dela que a empresa começa a enxergar quanto da receita permanece depois das deduções relacionadas às vendas.

Custos e lucro bruto

O próximo passo é descontar os custos diretamente relacionados aos produtos vendidos ou aos serviços prestados.

Em uma indústria, podem entrar matérias-primas e outros custos relacionados à produção. Em um comércio, aparece o custo das mercadorias vendidas. Já em uma prestadora de serviços, entram os custos diretamente associados à execução dos serviços.

Depois desses valores, chega-se ao lucro bruto.

Essa linha ajuda a responder uma pergunta importante: a atividade principal da empresa está gerando margem suficiente antes das demais despesas da operação?

Despesas operacionais e resultado operacional

Depois do lucro bruto, entram as despesas necessárias para manter a empresa funcionando, como gastos administrativos, comerciais e outras despesas operacionais.

Podem aparecer nessa etapa despesas com estrutura administrativa, vendas, marketing e outros gastos relacionados à operação, conforme a classificação contábil adotada pela empresa.

Ao analisar essa parte da DRE, o empresário consegue perceber se os gastos operacionais estão crescendo mais rapidamente do que a receita e pressionando a rentabilidade.

Resultado financeiro

Também entram na DRE as receitas e despesas financeiras.

Juros relacionados a operações de crédito, por exemplo, podem aparecer como despesas financeiras. Já determinados rendimentos financeiros podem entrar como receitas.

Essa parte é importante porque uma empresa pode apresentar uma operação saudável, mas ter o resultado pressionado por um volume elevado de despesas financeiras.

Lucro ou prejuízo líquido

Depois das demais receitas, despesas e tributos aplicáveis, a DRE chega ao resultado líquido do período.

Se o valor for positivo, a empresa apresentou lucro contábil naquele período. Se for negativo, apresentou prejuízo.

Mas chegar a esse número é apenas o começo da análise. Para entender por que o resultado melhorou ou piorou, é necessário observar o caminho percorrido até ele.

Como ler uma DRE na prática?

Ao receber a DRE da empresa, não olhe apenas para a última linha.

O lucro líquido é importante, mas as linhas anteriores ajudam a explicar como aquele resultado foi construído.

Uma boa leitura pode começar por algumas perguntas:

  • A receita está crescendo ou diminuindo?
  • O custo dos produtos ou serviços está aumentando mais rápido do que as vendas?
  • A margem bruta melhorou ou piorou?
  • Quais despesas operacionais mais cresceram?
  • As despesas financeiras estão pesando no resultado?
  • A empresa está vendendo mais, mas lucrando menos?
  • O lucro está crescendo na mesma proporção do faturamento?

Imagine que uma empresa aumente o faturamento de R$ 200 mil para R$ 250 mil. À primeira vista, houve crescimento.

Mas, se os custos e despesas aumentaram ainda mais e o lucro caiu de R$ 30 mil para R$ 20 mil, o crescimento das vendas não se transformou em melhora do resultado.

É esse tipo de informação que a DRE ajuda a revelar.

O que a DRE revela sobre a saúde financeira da empresa?

A DRE permite enxergar tendências que o saldo bancário dificilmente mostra sozinho.

Se a receita cresce enquanto o lucro diminui, pode haver pressão de custos ou despesas. Se a margem bruta está caindo, talvez seja necessário investigar preços, fornecedores ou custos de produção. Se as despesas financeiras aumentaram muito, o endividamento pode estar consumindo parte relevante dos resultados.

Por isso, acompanhar a DRE pode ajudar o empresário a identificar questões como:

  • queda das margens;
  • aumento dos custos;
  • crescimento excessivo das despesas;
  • impacto de juros sobre o resultado;
  • períodos recorrentes de prejuízo;
  • diferença entre crescimento do faturamento e crescimento do lucro.

Essas informações podem apoiar decisões sobre preços, redução de custos, investimentos, contratações, crédito e expansão do negócio.

DRE e EBITDA são a mesma coisa?

Não. Embora os dois sejam utilizados para analisar o desempenho financeiro de uma empresa, eles mostram informações diferentes.

A DRE é um demonstrativo completo, que reúne receitas, custos, despesas e outros resultados até chegar ao lucro ou prejuízo líquido.

Já o EBITDA é um indicador utilizado para observar o desempenho operacional antes de determinados efeitos financeiros, tributários e contábeis.

Por isso, o EBITDA pode aparecer como uma referência na análise dos resultados, mas não substitui a leitura da DRE.

Leia também:EBITDA: entenda o que é e por que ele importa para sua empresa

Por que comparar a DRE ao longo do tempo?

Uma DRE isolada mostra o que aconteceu em determinado período. Uma sequência de DREs ajuda a enxergar a direção em que a empresa está caminhando.

Por isso, além de analisar os números do mês, vale compará-los com períodos anteriores.

Uma despesa que aumentou em um único mês pode estar relacionada a uma situação pontual. Se ela cresce continuamente durante seis meses, porém, pode indicar uma mudança estrutural que precisa ser investigada.

O empresário pode comparar:

  • mês atual com mês anterior;
  • trimestre atual com trimestre anterior;
  • período atual com o mesmo período do ano anterior;
  • resultado realizado com o orçamento ou planejamento da empresa.

Essa análise ajuda a identificar tendências, sazonalidades e desvios antes que eles se tornem problemas maiores.

Com que frequência analisar a DRE?

Para fins de gestão, uma análise mensal da DRE pode oferecer uma visão mais próxima da evolução do negócio.

O mais importante é estabelecer uma rotina. Não adianta receber o relatório todos os meses se ele for apenas arquivado.

Reserve um momento para olhar as principais linhas, comparar os resultados e entender as variações mais relevantes.

Se uma despesa aumentou significativamente, investigue o motivo. Se a margem caiu, procure entender o que mudou. Se o faturamento cresceu sem aumentar o lucro, analise quais custos ou despesas absorveram esse crescimento.

Com o tempo, a DRE deixa de ser apenas um relatório contábil e passa a funcionar como uma ferramenta de acompanhamento da gestão.

Leia também:6 KPIs financeiros para otimizar a gestão empresarial

Use a DRE para tomar decisões, não apenas para olhar o passado

A DRE registra o resultado de um período que já aconteceu, mas as informações que ela traz podem orientar decisões futuras.

Se as margens estão diminuindo, pode ser o momento de rever custos e preços. Se as despesas aumentaram acima do planejado, vale identificar quais áreas estão pressionando o resultado. Se a empresa está crescendo sem aumentar o lucro, talvez seja necessário avaliar se esse crescimento está sendo sustentável.

É por isso que a DRE não deveria ser vista apenas como um documento entregue pelo contador.

Entender a DRE da própria empresa permite ao empresário conversar melhor com a contabilidade, questionar os números e tomar decisões com mais contexto sobre a realidade do negócio.

O Itaú Empresas oferece soluções financeiras que podem apoiar diferentes etapas da gestão do negócio. Ao combinar informações contábeis, como a DRE, com o acompanhamento do fluxo de caixa e de outros indicadores, o empresário amplia sua visão sobre a situação financeira da empresa.

FAQ

O que significa DRE?

DRE significa Demonstração do Resultado do Exercício. É um relatório contábil que reúne receitas, custos e despesas para demonstrar o resultado da empresa em determinado período.

Para que serve a DRE?

A DRE serve para identificar se a empresa apresentou lucro ou prejuízo e entender como receitas, custos e despesas contribuíram para esse resultado.

Para o empresário, também pode funcionar como ferramenta para acompanhar margens, identificar aumento de gastos e apoiar decisões financeiras.

Qual é a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

A DRE considera receitas e despesas conforme o regime de competência, enquanto o fluxo de caixa acompanha as entradas e saídas efetivas de dinheiro.

Por isso, lucro na DRE não significa necessariamente que existe o mesmo valor disponível na conta bancária.

É possível ter lucro na DRE e pouco dinheiro em caixa?

Sim. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a empresa realiza muitas vendas a prazo. A receita pode ser reconhecida na DRE antes de o pagamento do cliente entrar efetivamente no caixa.

Também existem outras situações que podem provocar diferenças entre resultado contábil e disponibilidade financeira.

Quem deve acompanhar a DRE além do contador?

O empresário e os gestores responsáveis pelas decisões financeiras e operacionais também podem acompanhar a DRE da empresa.

O contador é fundamental para a elaboração e interpretação técnica do demonstrativo, mas os dados podem ser utilizados pela gestão para entender o desempenho e tomar decisões.

Com que frequência devo analisar a DRE?

Para acompanhamento gerencial, a empresa pode fazer uma análise mensal da DRE, comparando os números com meses anteriores, períodos equivalentes e planejamento financeiro.

Mais importante do que olhar apenas um mês é acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo.

Toda empresa precisa ter DRE?

A necessidade de elaboração e apresentação da DRE depende das normas contábeis e das características jurídicas e tributárias da empresa.

Mesmo quando determinada apresentação não é exigida da mesma forma para todos os negócios, acompanhar uma demonstração de resultados pode ser útil para a gestão. O contador pode orientar sobre as obrigações específicas aplicáveis a cada empresa.