ABC DO ESG

Por Itaú BBA

05 minutos de leitura

Finanças climáticas são um campo de trabalho relativamente novo e evoluindo rapidamente. Confira alguns dos conceitos fundamentais nessa área:

Financiamento concessional - categoria de empréstimos com condições mais vantajosas que as do mercado – como juros mais baixos, prazos maiores e regras mais flexíveis. Comum em projetos sociais, ambientais ou de desenvolvimento, é recomendado pelo BRICS como boa ferramenta de financiamento climático e geralmente oferecido por governos ou instituições financeiras internacionais a países em desenvolvimento.

Fundo de Adaptação - fundo multilateral criado em 2001 pela ONU e administrado pelo Banco Mundial. Comprometeu até 2025 cerca de US$ 1,25 bilhão com mais de 180 projetos de adaptação e resiliência ao redor do mundo.

Fundo Global para o Meio Ambiente / Global Environment Facility (GEF) - instituição que opera seis fundos ambientais multilaterais (um deles chamado GEF), conectados a seis convenções internacionais. Juntas, cobrem mudanças climáticas, biodiversidade, recursos genéticos, produtos químicos e resíduos, águas internacionais, degradação do solo, adaptação em países menos desenvolvidos, inovação e transparência. Mobilizou mais de US$ 150 bilhões desde sua criação, em 1991.

Fundo de Perdas e Danos - foi anunciado na COP27 (em 2022), depois de décadas de negociação, para oferecer apoio financeiro aos países em desenvolvimento mais afetados pela crise climática. Até abril de 2025, contava com US$ 770 milhões em doações e anúncios de doações de 27 governos. A primeira leva de pedidos de recursos será feita até a COP30 e a partir daí o Fundo começa a funcionar, com previsão de repassar US$ 250 milhões até 2026.

Fundo Verde do Clima (GCF) - fundo internacional criado em 2010, na COP16, para apoiar países em desenvolvimento em projetos de adaptação e no cumprimento de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), a fim de mitigar as emissões globais de carbono. Até julho, acumulava um portfólio totalizando US$ 18 bilhões em financiamento para 314 projetos, com pelo menos 13 deles em operação no Brasil até 2024.

Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG) - os países reunidos na COP29 (em 2024) se comprometeram a mobilizar mais recursos para contenção do aquecimento global dentro dos limites definidos no Acordo de Paris (elevação inferior a 2oC na temperatura média global até 2100), com prioridade para os esforços de mitigação em países em desenvolvimento. A partir do esforço anterior, de mobilizar US$ 100 bilhões por ano, a nova meta é chegar até 2035 com ritmo de repasses de pelo menos US$ 300 bilhões por ano, com esforço adicional para que o fluxo chegue a US$ 1,3 trilhão por ano. Os recursos podem se originar de governos, empresas, bancos de desenvolvimento, fundos multilaterais e outras fontes.

Taxonomia verde ou sustentável - sistema de classificação de atividades, ativos ou projetos de acordo com seu desempenho em questões socioambientais e de sustentabilidade, a fim de orientar investidores e outros interessados. O Brasil está construindo, desde 2024, sua Taxonomia Sustentável.

Títulos verdes ou sustentáveis - papeis de dívida, públicos ou privados, nos quais o emissor se compromete a atingir metas ambientais ou sociais. Caso não as cumpra, a estrutura do título é ajustada, gerando benefícios para o credor e encargos para o emissor. O Brasil emitiu, em 2023, seu primeiro título soberano sustentável, atrelado a metas climáticas no âmbito da transição ecológica.