Gases de Efeito Estufa – Quais são, de onde vêm e quanto impactam o aquecimento global?

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Itaú BBA

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O gás carbônico ou dióxido de carbono é o principal causador de aquecimento global em consequência da atividade humana. Mas não é o único, nem o mais nocivo. O Protocolo de Kyoto regulou cinco tipos de Gases de Efeito Estufa (GEE ou, na sigla em inglês, GHG): gás carbônico, metano, óxido nitroso, hexafluoreto de enxofre, hidrofluorcarbonos e perfluorcarbonos. Entenda:


Gás carbônico

O gás carbônico (CO2) é o principal gás de efeito estufa, com 75% do volume total das emissões.

A principal fonte são os combustíveis de origem fóssil (como gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e óleos pesados usados por navios). O desmatamento de florestas e a degradação do solo na agricultura também liberam carbono na atmosfera.

Esse gás permanece na atmosfera por muito tempo. Uma parcela entre 65% e 80% se dissolve no mar, num período entre 20 e 200 anos. O restante leva milênios para ser capturado pela composição de rochas.


Metano

O metano (CH4) é o segundo mais importante: representa 17% das emissões de GEE.

Boa parte (37%) das emissões do gás causadas pela ação humana vem da pecuária. Cada vaca emite cerca de 90 quilos por ano em seu processo de digestão. Desmatamento, queima de carvão, produção de arroz e papel, além da degradação do lixo, também liberam metano.

Principal componente do gás natural, o metano é considerado um combustível mais limpo do que o carvão ou diesel e seus defensores o tratam como fonte de transição rumo à economia limpa. No entanto, há vazamentos do gás ao longo da cadeia de produção – e um estudo da ONU indica que esses vazamentos são bem maiores do que as empresas de energia reconhecem.

O metano permanece na atmosfera por cerca de 12 anos, até ser removido por reações químicas. É bem menos tempo que o gás carbônico. Mas seu potencial de contribuição para o aquecimento global é 25 vezes maior que o do CO2, porque o metano absorve mais calor, e sua decomposição produz ozônio (O3), outro GEE.


Óxido nitroso

O óxido nitroso (N2O) representa 6% das emissões de GEE.

A agricultura é uma grande emissora, especialmente no uso de fertilizantes. A queima de combustíveis fósseis e a degradação de esgoto também liberam N2O.

O gás leva 114 anos para se dissipar. Enquanto não se esvai, concentra muito calor. Seu potencial de aquecimento global é 298 vezes maior que o do CO2.


Hexafluoreto de enxofre

O hexafluoreto de enxofre (SF6) é considerado o pior causador de efeito estufa – 22.800 vezes mais nocivo que o CO2. Uma vez liberado no ar, leva cerca de 3.200 anos para desaparecer.

Até agora, o SF6 é raro na atmosfera, mas sua concentração vem aumentando. Entre 2008 e 2018, a emissão aumentou 24%. Infelizmente, isso resulta de parte do esforço de enfrentamento da crise climática. O hexafluoreto de enxofre é usado na fabricação de componentes de motores elétricos, como isolantes de cabos, interruptores e baterias, além de semicondutores para smartphones.


Hidrofluorcarbonos

No fim do século 20, o mundo se mobilizou para eliminar o uso de cloro flúor carbono (CFC), que estava destruindo a camada de ozônio. Está dando certo: em 2040, a camada deve retornar aos níveis de 1980.

Mas o principal substituto do CFC também é nocivo. Os hidrofluorcarbonos (HFC) são uma família de gases usados em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, extintores de incêndio e aerossóis em geral, e também na fabricação de componentes eletrônicos. Um dos HFCs, o HFC-23, tem fator de aquecimento global 14.800 vezes maior que o do CO2.


Perfluorcarbonos

Os perfluorcarbonos (PFC) são usados na produção de alumínio, componentes eletrônicos, solventes e extintores de incêndio.

A indústria metalúrgica se esforçou. De 1990 a 2015, a emissão de PFCs e SF6 para produzir uma mesma quantidade de alumínio caiu 68%. Ainda assim, a EPA (agência ambiental americana) estima que as emissões vão dobrar entre 2015 e 2030, devido ao aumento da produção mundial.

Os PFCs são raros, mas extremamente estáveis quimicamente. O PFC-14 é o mais duradouro entre os gases regulados pelo Protocolo de Kyoto: leva 50 mil anos para se degradar. Considerada a sua capacidade de reter a radiação do sol, seu potencial de aquecimento global é 6.500 vezes maior que o do gás carbônico.