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Abates e as produções de proteínas animais no 1T 21

Consultoria Agro

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A atualização trimestral das produções de proteínas animais, referente ao 1T21 e recém divulgada pelo IBGE, revelou que os abates totais de bovinos no país caíram mais uma vez, pelo sexto trimestre consecutivo, em relação ao mesmo período do ano anterior. A retração dos abates totais de gado foi da ordem de 10,6% (6,5 milhões de cabeças), porém quando olhamos apenas as fêmeas (vacas e novilhas) a queda foi de 23%, confirmando mais uma vez a intensa retenção com vistas à produção de bezerros, que segue com preços bastante elevados servindo de forte estímulo à esta decisão dos criadores. A participação média das fêmeas abatidas foi de 37%, bem abaixo do observado nos anos anteriores.

Porém, quando se considera a produção de carcaças bovinas (1,7 milhão de t), a queda foi um pouco menor (7,3%) em relação às cabeças abatidas, já que, com preços elevados do animal terminado, os pecuaristas têm buscado produzir animais cada vez mais pesados, de modo que o peso médio das carcaças cresceu 3,7% no igual comparativo, ou seja, compensando parte das menores entregas de animais.

E diante de tamanha redução da produção, mesmo levando em conta a queda de 1,4% das exportações no mesmo período, o efeito sobre o consumo interno foi negativo em 9,1%, com a absorção doméstica representando 70% na média do 1T 21 contra 72% no mesmo período do ano passado.

Gráfico mostrando a porcentagem de fêmeas/abates bovinos.
Fonte: IBGE, Itaú BBA

No setor de avicultura, a expansão dos abates foi de 3,3% sobre o 1T 20 (4,6 bi de cabeças), também com aumento do peso médio das carcaças, da ordem de 1,9%, o que significou alta de 5,3% na produção total de carne de frango, somando 3,7 milhões de t no trimestre. Cabe destacar que, como as exportações cresceram 1,5% no período, o consumo aparente calculado expandiu 6,8%.

Já na suinocultura, os abates somaram 12,6 milhões de cabeças (+5,7%) no 1T 21/20, o que juntamente do aumento de 2,0% no peso médio das carcaças levou ao crescimento de 7,8% da produção de carne, que alcançou 1,16 milhão de t no trimestre. E apesar das exportações 22,6% maiores, fortemente concentradas na China, o consumo doméstico também expandiu, neste caso 4,8%, num total de 930 mil t.

Portanto, no setor de carnes, os dados recentes confirmaram a restrição de oferta da pecuária de corte e, na outra direção, o contínuo crescimento das proteínas de aves e suínos, apesar das margens apertadas e a vocalização de um ajuste para menor no caso da produção avícola, algo que não ocorreu no agregado nacional.

Com relação ao setor leiteiro, a captação somou 6,56 bilhões de litros, aumento de 1,8% frente ao 1T 20. Neste caso, a despeito do aumento no trimestre, a tendência sazonal é de redução da oferta para o segundo trimestre, o que se somará a dois importantes elementos, a piora mais cedo das pastagens na Região Sudeste principalmente e o encarecimento da alimentação concentrada, o que desafiará a produção a sustentar este pequeno crescimento no 1T.

Gráfico mostrando a captação de leite.
Fonte: IBGE, Itaú BBA

Já a produção de ovos de galinha somou 978,2 milhões de dúzias, aumento de 0,3% sobre o 1T20. Vale lembrar que o setor de postura ajustou a produção para menor no 4T20, eliminando aves menos produtivas, o que ajudou a sustentar os preços, porém também enfrenta os altos custos da ração e terá pela frente um período em que os preços geralmente cedem.

Gráfico mostrando a produção de ovos de galinha.
Fonte: IBGE, Itaú BBA