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Exportações de frutas em 2021

Confira os principais destaques das exportações da cadeia de frutas do Brasil

Consultoria Agro

• 13 minutos de leitura

Um ano para ficar na história

Como esperado, 2021 foi um ano memorável para a fruticultura brasileira - com recorde em volume e receita de exportações. O valor exportado da fruticultura, analisada junto ao desempenho dos derivados e castanhas, somou mais de USD 1,2 bilhão, crescimento de 22,1% frente ao ano anterior. Em relação ao volume embarcado ao mercado internacional, a somatória alcançou o recorde para o setor de 1,21 milhão de toneladas, alta de 20,7% frente ao acumulado de 2020. Desse acréscimo de volume, vale destacar que houve maiores fluxos das exportações no 2º e 3º trimestres, períodos que sazonalmente de baixa dos embarques do setor, alcançando melhores preços e menor demanda por espaço nos portos.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o impulso do setor no ano de 2021 foi a busca do consumidor durante a pandemia por produtos mais saudáveis e que melhorassem a imunidade. Outro fator que deu suporte às vendas foi a taxa local de câmbio depreciada, que reduziu o custo de aquisição dos produtos no Brasil.

Além do expressivo aumento do volume embarcado, o setor tem muito a comemorar quando feita uma análise mais profunda sobre o perfil das exportações. No ano passado, mais países ganharam participação na pauta exportadora, o que gerou a descentralização de importadores, bem como a ampliação de canais de distribuição. Os países que tiveram participação expressiva nas principais frutas foram EUA, Argentina, Uruguai e Índia além de aumentos expressivos do continente europeu - principal comprador de frutas do Brasil.

É importante notar que também houve um leve aumento dos preços médios em USD. Em média, os produtos em USD foram cotados 1,6% acima do que no ano passado. Contudo, duas das principais frutas exportadas – mangas e uvas- tiveram queda expressiva das cotações de 2021 vis a vis 2020.

Gráficos de linhas e barras com as exportações.
Fonte: Secex, Itaú BBA
Gráficos de barras com volume de exportações.
Fonte: Secex, Itaú BBA

Em relação aos produtos destaques do ano de 2021, vale o destaque para maçãs (+36,5 mil t), mangas (+29,4 mil t), bananas (+27,5 mil t), uvas (+ 27,3 mil t), limas e limões (+25,6 mil t) e melões (+21,7 mil t). Com relação às cotações em USD, as maiores variações positivas foram observadas nos morangos (+30,1%), ameixas (+25,6%), e abacaxis (+22,2%) comparado com os valores médios cotados em 2020.

A seguir o resumo da performance de exportação das principais cadeias:

Manga

O ano de 2021 encerrou com aumento de 12,1% em relação ao volume embarcado no período anterior, totalizando 272 mil toneladas - montante recorde atingido pelo setor. Os principais compradores foram: Holanda (+12%), Espanha (+16% ) e EUA (+8%). Contudo, mesmo com ganhos em volumes, os preços médios em USD foram 10,5% menores.

Gráficos com exportações de manga.
Fonte: SECEX, Itaú BBA

Melão

Para o melão, o balanço foi positivo tanto em volume como em preços médios. O volume embarcado em 2021 somou 257,9 mil toneladas, 9% maior do que no ano anterior. Em relação aos preços médios em USD, estes foram 2,2% superiores frente aos praticados em 2020.

Gráficos de linhas e barras com exportações de  melão.
Fonte: SECEX, Itaú BBA

Uva

O mercado de uva de mesa também teve um ano a se comemorar. O volume embarcado foi 55% maior do que no ano anterior, somando 76,6 mil toneladas. Vale destacar que, além do maior volume, houve maiores participações entre os compradores. Os destaques são para o aumento das vendas à Espanha (+161%), Argentina (+123% ), EUA (+73%) e Holanda (+59 %). Apesar do espetacular crescimento dos embarques, os preços médios em USD da fruta foram 8% menores do que os praticados no período anterior.

Gráficos com exportações de uva.
Fonte: SECEX, Itaú BBA

Limas e Limões

Sendo a 4ª categoria de frutas mais exportada do Brasil, o setor de limas e limões apresentou ganhos expressivos em 2021. O volume das frutas aumentou em 21% frente a 2020, com total de 144,9 mil toneladas. O grande destaque das compras foi a Holanda com aumento de 24 mil t no período. Em relação às cotações, a fruta manteve os preços médios em USD praticamente semelhantes ao ano anterior, cotada USD 854/t, variação de -0,2% frente ao exportado em 2020.

Gráficos de linha e barra com exportações de limas e limões.
Fonte: SECEX, Itaú BBA

Uma visão para 2022

Esse ano o setor enfrentará desafios de crescimento frente ao 2021 recorde de vendas. Se por um lado, os custos aumentaram, por outro as principais frutas tiveram queda das cotações em USD, o que implica redução de margem, desestimulando o aumento da produção e da expansão de área por parte dos produtores. Além disso, o mercado interno também terá um ano desafiador, tendo em vista o cenário econômico frágil e as famílias com redução no poder de compra. Todos esses fatores, resultam em um ambiente de demanda mais restrita às frutas frescas com valor agregado maior do que os produtos básicos.

Outro ponto de atenção é o clima mais chuvoso entre dez/21-jan/22 no principal polo produtor e exportador de frutas frescas do país – Vale do São Francisco e Sul da Bahia – o que adiciona incerteza quanto à oferta e a qualidade. Por outro lado, a estiagem está castigando a região frutícola no Rio Grande do Sul, o que pode afetar a disponibilidade e encarecer os produtos – além de, consequentemente, afetar a competitividade das frutas no mercado interno e externo.

Gráficos de pizzas com exportações relativas de frutas;
Fonte: Secex, Itaú BBA
Exportações mensais de frutas e derivados.
Fonte: SECEX, Itaú BBA
Exportações acumuladas de frutas e derivados.
Fonte: SECEX, Itaú BBA