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Perspectivas da fruticultura para 2023

La Niña e economia externa impactaram vendas

Um ano desafiador aos produtores de frutas do VSF

Como destacado no último relatório publicado sobre o setor, em janeiro de 2023, o regime de chuvas alterado pelo fenômeno La Niña, dobrou o volume de precipitações no Vale do São Francisco (VSF), principal polo de exportações de frutas do país. Além da queda de qualidade das frutas, esse aumento de água sob a lavoura desajustou as floradas e, por consequência, a oferta ao longo do ano, ocasionando também o aumento dos custos, visto que as plantas ficam mais susceptíveis ao ataque de pragas e doenças e, em casos mais graves, prejudica as estruturas de condução de uvas pelo excesso de chuvas.

Como reflexo, as exportações das principais frutas tiveram queda, em função da piora da qualidade do produto a ser comercializado mas também por outros fatores fora da porteira que levaram à desaceleração das vendas externas do setor, que desde 2018 vinham aumentando.

O volume agregado das exportações do setor em 2022 foi de 1,05 MM de toneladas, queda de 16% frente ao acumulado de 2021. Contudo, o preço médio pago em USD pela tonelada de frutas foi 5,6% maior frente ao mesmo período do ano anterior, representando USD 1.029/t.

As frutas que tiveram pior desempenho frente ao mesmo volume embarcado em 2021 foram, maçãs (-64 mil t, -65%), mangas (-41 mil t, -15,1%), melões (-35 mil t, -14%) e uvas (-24 mil t, -31%). O destaques positivos foram limas e limões (+11 mil t, +8%) e abacates (+2 mil t, +26%).

Fonte: Comex

Do lado da demanda de frutas

Além da questão da oferta, o principal aspecto que freou o fluxo de comercialização de frutas do Brasil foi pelo lado da demanda. As frutas frescas são produtos mais elásticos à renda do que alimentos básicos, mesmo em países desenvolvidos, ou seja, a queda do poder de compra do consumidor tende a reduzir o consumo de produtos mais sensíveis a esse comportamento. Dessa forma, com a inflação nos principais países consumidores, principalmente na UE, houve redução do poder de compra. Um dos motores para esse aumento generalizado de preços foi o custo de energia e fretes. Esse último, potencializou o aumento de preços das frutas ao consumidor europeu e diminuiu a demanda.

Fonte: Ceasa

Perspectivas para 2023

Apesar das chuvas no final do ano de 2022 ainda impactarem a próxima safra de frutas na região Nordeste, os fatores que influenciaram a oferta e a redução da demanda poderão não se repetir em 2023. Dessa forma, o setor pode ganhar tração ainda nessa safra, porém com os seguintes pontos de atenção

Manutenção de área

A margem das frutas, principalmente para exportação foi achatada no último ano, o que deve frear a expansão de área para as principais culturas, com exceção à cultura do mamão. Dessa forma, a estabilização da oferta pode manter os preços em bons níveis.

El niño

A previsão climática atual é uma reversão de cenário de La Niña para El Niño, dessa forma o regime de chuvas tende a ser menor na Região Nordeste, e como a região do VSF em sua totalidade é irrigada, dá suporte para ajuste da oferta e aumento da qualidade do fruto. Além disso, o fenômeno El Niño sugere aumento das chuvas no Sul, que também tendem a melhorar a granação dos frutos.

Alívio dos custos

Com a queda dos preços dos fertilizantes e a diminuição do uso de defensivos, caso o cenário de El Niño se concretize, os custos podem aliviar em função do clima menos propício às doenças, favorecendo as margens.

Acomodação da inflação e custos de fretes

O custo do frete marítimo tem acomodado ao longo dos últimos meses em função de uma gradual normalização dos fluxos logísticos e também pela perda de força do barril de petróleo. Além disso, os índices de preços na Europa perderam tração nos últimos meses, o que alivia a pressão no bolso do consumidor e pode ajudar o consumo de frutas frescas.

Consumo doméstico

Políticas de expansão de auxílios públicos à população por parte do novo governo poderão melhorar o poder de compra e impulsionar o consumo doméstico de frutas.

Chuvas atrapalharam a oferta

Fonte: Bloomberg

Houve melhora quanto à variedade das exportações

Fonte: Comex
Fonte: Secex

Oferta de uvas ainda deve ser impactada em 2023

Fonte: Comex, Ceasa

Os preços da manga foram compensando pela queda

Fonte: Secex

Melão foi o setor que menos sofreu com oferta

Fonte: Secex

As maçãs tiveram pior resultado dos últimos anos

Fonte: Secex

No mercado doméstico houve menor comercialização

Fonte: Secex e CEASA