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Proteínas Animais no 1ºT 23

Consultoria Agro

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Pecuária de Corte

Com a divulgação pelo IBGE dos dados revisados e estratificados dos abates e produções de carnes, é possível analisarmos as principais alterações.

  Na pecuária de corte, conforme esperado, os abates de fêmeas continuaram dando o tom na oferta de gado aos frigoríficos. Enquanto o total de gado abatido no trimestre (7,34 milhões de cabeças) veio 4,8% acima do mesmo período do ano anterior, a expansão da oferta de vacas e novilhas foi de 17,9% no mesmo período.   Embora chame atenção a proporção de 49% de fêmeas nos abates do mês de mar/23, contra 42% em mar/22, o percentual é semelhante aos de mar/18 (48%) e mar/19 (47%), que foram o segundo e terceiro ano de descartes de fêmeas no ciclo anterior. Naquela ocasião, apesar do início de 2019 ter sido de altos descartes, o ano terminou com o processo de retenção tendo início, enquanto o bezerro voltou a subir. Até o momento, 2023 se assemelha com 2018, quando os descartes de fêmeas foram elevados pelo segundo ano consecutivo. Se este padrão se mantiver, poderemos ver o bezerro começando a se recuperar em 2024 dando início a um novo processo de retenção.

  Outra constatação nos dados do primeiro trimestre deste ano foi a redução da oferta de machos, da ordem de 6,7%, que somaram 3,7 milhões de cabeças, o que, consequentemente, reduziu o peso médio das carcaças em 1,8%. Assim, a produção de carne bovina acabou crescendo 3,0%, abaixo do percentual de aumento das cabeças abatidas (4,8%).

  Do ponto de vista da disponibilidade interna, como as exportações do 1º tri foram prejudicadas pela suspensão das vendas à China, o que levou a uma queda de 11,4% sobre o 1º tri/22, o consumo aparente cresceu 11,3% no mesmo comparativo.

Gráfico de Abates de fêmeas/total
Fonte: IBGE

Avicultura

Na produção de frangos de corte, o ritmo de abates continuou acelerando no primeiro trimestre. Com 1,6 bilhão de cabeças abatidas, o ritmo da atividade foi 4,9% superior ao 1º trimestre de 2022. No último trimestre do ano passado, havia sido de 2,3%. Cabe observar que o maior ritmo de produção ocorreu antes mesmo do alívio mais recente dos custos da ração, tendo sido as boas exportações o motor do aumento da produção.

  Diferentemente da pecuária de corte, que apresentou queda no peso médio das carcaças, na avicultura as aves ficaram mais pesadas em 1,5%, o que significou aumento da produção de carne da ordem de 6,6%, num total de 3,43 milhões de t no trimestre.

  E mesmo com crescimento das exportações em 16,7% no 1º tri 23/22, com destaque para o fluxo de mais de 500 mil t em mar/23, o aumento da produção também garantiu a expansão do consumo interno, da ordem de 1,3% no mesmo comparativo.

Gráfico de produção de carne de frango
Fonte: IBGE, Secex
Gráfico de exportação de carne de frango
Fonte: IBGE, Secex

Suinocultura

Na suinocultura, embora os abates tenham expandido por mais um trimestre, apesar das margens negativas da produção por dois anos, o crescimento sobre o ano anterior moderou. Foram abatidas 14,2 milhões de cabeças no trimestre, 3,2% acima do igual período de 2022. Há um ano, este crescimento foi próximo dos 8%.

  Já a produção de carcaças somou 1,3 milhão de t, 2,9% acima do 1º tri 22, dado que os animais foram, em média, 0,4% mais leves. E assim como na avicultura, mesmo com as exportações fortes no início do ano – as de carne suína cresceram 14,8% frente ao 1º tri 22 – a disponibilidade interna também apresentou leve aumento, de 0,4%. Ou seja, tanto a avicultura quanto a suinocultura tiveram fortes exportações e ainda sustentaram crescimento da oferta de carne no mercado interno.

  E com os custos dos ingredientes da ração tendo acomodado expressivamente a partir de maio, é possível que o ímpeto ao aumento de produção se eleve, o que observaremos na próxima divulgação, referente ao 2º trimestre deste ano.

Gráfico de abates de suínos
Fonte: IBGE
Variação anual da produção de carne suína
Fonte: IBGE

Ovos

Do lado da postura, a produção também continuou acelerando. Com 1,02 bilhão de dúzias, o crescimento foi de 2,6% sobre o 1º tri 22. Neste caso, chamou atenção o excelente momento pelo qual o setor atravessa desde o início do ano, com a produção crescendo acompanhada dos preços sustentados, o que ficou ainda mais interessante a partir de maio, dado o efeito da queda dos custos da ração sobre o spread do setor, o que discutimos há poucas semanas em um Radar Agro específico ao setor de ovos.

Gráfico de Produção de ovos
Fonte: IBGE

Leite

Na pecuária leiteira, as entregas aos laticínios continuaram contidas no primeiro trimestre. O total captado foi de 5,9 bilhões de litros, 1,2% menor sobre o 1º trimestre de 2022, ainda que a base de comparação seja baixa, dado que no ano passado a queda havia sido de 9,5% sobre o 1º trimestre de 2021. A oferta restrita de leite tem colaborado para a sustentação dos preços ao produtor e estimulado as importações.

Gráfico de Produção de leite
Fonte: IBGE