Cobertura Tech Global, destaques e insights
Confira os destaques e insights do relatório de relançamento da cobertura global de tecnologia do Itaú BBA. Por Stephano Gabriel, CFA – Head de Equity Research e Barbara Soares, CNPI - Analista de Equity Research. Retomamos a cobertura global de tecnologia com uma abordagem temática, de início focada em grandes tendências de investimento e em empresas de destaque — selecionadas por sua capacidade excepcional de geração de caixa, crescimento consistente de lucros e potenciais de valorização entre 30% e 50%.
Por Itaú BBA
A força da abordagem temática
A análise temática oferece uma leitura mais clara e estruturada: facilita a comparação entre empresas, melhora a digestão dos fundamentos e ajuda a compreender as transformações do mercado. Essa simplicidade analítica é um diferencial competitivo importante, especialmente em um universo com mais de 50 mil ativos investíveis ao redor do mundo. Além disso, uma estrutura temática permite uma análise profunda de modelos de negócio, cadeias de valor e regulações — e costuma gerar cestas de ações claras para estratégias long-short. Essa metodologia é adequada tanto para fundos concentrados de longo prazo quanto para estratégias dinâmicas de arbitragem de valor relativo.
Insights e destaques de quatro temas em crescimento
1. Semicondutores: o coração da tecnologia moderna
A indústria de semicondutores, com valor aproximado de US$ 700 bilhões, segue em expansão impulsionada por megatendências como computação de alto desempenho (HPC) e 5G. Trata-se de um setor altamente concentrado, em que os vencedores dominam grandes fatias de mercado e registram retornos sobre capital investido (ROIC) acima de 20%. Os fabricantes de chips operam em cadeias de valor extremamente sofisticadas, com altos níveis de capex e investimento em P&D, longos ciclos de produção e produtos altamente diferenciados — fatores que conferem forte poder de precificação às empresas líderes.
Player em destaque: A TSMC tem histórico notável de ROIC sustentável (20–25%), com orientações de longo prazo sólidas em termos de crescimento e rentabilidade. É beneficiada diretamente pelos investimentos em data centers e pelos avanços em IA, mas não depende exclusivamente disso. Detém uma participação dominante de mercado (~70%) e forte poder de precificação. É uma geradora robusta de caixa, mesmo com elevados gastos de capital (capex).
2. Computação em Nuvem: a infraestrutura da era digital
O setor de cloud computing é dominado pelos chamados hyperscalers — gigantes como Microsoft, Amazon, Google, Oracle, Alibaba, Huawei e Tencent — que lideram investimentos massivos em data centers. Estima-se que os gastos globais com serviços de nuvem alcancem US$ 885 bilhões em 2025, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 20% até 2028.
A indústria apresenta altas margens operacionais (30%–40%), forte dependência de clientes (lock-in) e modelos de precificação complexos. Com a IA integrada em todos os níveis — IaaS, PaaS e SaaS —, os provedores de nuvem se destacam, juntamente com os fabricantes de hardware, como os principais beneficiários diretos do impacto econômico da inteligência artificial.
Player em destaque: A Alphabet tem fundamentos sólidos, com Search e Cloud projetados para crescer a 5–10% e 25–30% CAGR, respectivamente, nos próximos anos e está bem posicionada entre os líderes para se beneficiar dos avanços em IA. O principal processo antitruste foi praticamente resolvido, eliminando um importante risco.
3. Games: de nicho a fenômeno global
A indústria de jogos eletrônicos vem crescendo a uma CAGR de 9% na última década — e 18% no segmento mobile, que lidera a expansão. O setor passa por um intenso processo de consolidação e internacionalização, ampliando seu alcance entre diferentes faixas etárias e gêneros. Com empresas que já conquistaram simultaneamente os mercados asiáticos e ocidentais, o segmento de games representa uma forma atrativa de exposição global e de diversificação geográfica em portfólios tecnológicos.
Player em destaque: A Tencent tem exposição relevante ao setor de games (~30% das receitas), com grande potencial de internacionalização por meio de investimentos em estúdios ao redor do mundo. No futuro, a Tencent pode alavancar seu ecossistema e expertise para desenvolver franquias globais. A diversificação em mídias sociais e fintechs proporciona estabilidade ao longo dos ciclos econômicos, embora a empresa continue fortemente atrelada à economia chinesa.
4. Streaming: a revolução do entretenimento doméstico
O streaming transformou o consumo de mídia e o comportamento cultural no ambiente doméstico. À medida que a TV linear perde participação globalmente, há um espaço significativo para o crescimento da penetração do streaming, especialmente em regiões com expansão de banda larga. Novas frentes — como publicidade digital, games e conteúdo ao vivo — podem se tornar vetores relevantes de crescimento futuro. O setor também oferece uma narrativa sólida de expansão, menos exposta às incertezas e euforias da IA em comparação com outros segmentos tecnológicos.
Player em destaque: Líder do setor, a Netflix tem com posição financeira superior à dos pares, o que lhe confere capacidade de investir mais e em várias geografias (~USD 17 bilhões nos últimos 12 meses). Forte geradora de caixa, com retornos robustos (~25% ROE nos últimos anos). Grande potencial de crescimento em regiões ainda não penetradas, e o mercado endereçável pode aumentar com o crescimento do consumo em telas menores (jogos mobile).
O investimento temático como estratégia estruturada
Embora o investimento temático não seja novidade, sua aplicação organizada ainda é recente. Tendências de longo prazo — como envelhecimento populacional, digitalização, transição energética, nearshoring, comércio social e financial deepening — têm ganhado cada vez mais espaço nas teses de investimento, tanto em ações públicas quanto privadas.
Os fundos temáticos, especialmente ETFs, têm crescido rapidamente: o volume sob gestão saltou de cerca de US$ 10 bilhões em 2020 para US$ 160 bilhões em julho de 2025. Esse crescimento reflete como o pensamento temático já se tornou onipresente nas decisões de alocação de capital e construção de portfólios.
Conexões cruzadas e sinergias setoriais
Dentro de uma estrutura temática, é possível identificar interconexões estratégicas entre setores e cadeias produtivas, ampliando o universo de análise e colaboração entre analistas.
Por exemplo:
- Data centers que suportam os hyperscalers de nuvem influenciam diretamente a demanda por energia e infraestrutura;
- Mobilidade é um vetor central para as indústrias de aluguel de veículos e automotiva;
- Exchanges de ativos digitais mostram novas potenciais fontes de receita para serviços financeiros e novas classes de ativos;
- Empresas de games e redes sociais têm se expandido para e-commerce e varejo digital, fundindo entretenimento e consumo.
Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. As informações são baseadas em fontes consideradas confiáveis, mas podem não refletir todas as condições de mercado. O Itaú BBA não se responsabiliza por perdas, danos ou opiniões expressas no conteúdo deste e demais canais associados ou proprietários. Investimentos diretos em negócios, renda fixa e/ou variável envolvem alto risco e podem sofrer oscilações devido a fatores políticos e econômicos.