Como os empreendedores podem se relacionar com o futuro?
A futurista norte-americana Amy Webb fala sobre futuro, tendências e negócios.
Por Itaú BBA
“Não há como prever o futuro” é assim que Amy Webb abre a conversa, quando questionada sobre como devemos lidar com as previsões. Para ela, a matemática não funciona, e nem há como ter todos os dados, em todos os momentos e saber de tudo de uma só vez. “Se eu não tiver que prever o futuro, então, você está livre”, complementa.
Na verdade, na visão da futurista, é possível ensaiar o futuro. Diferentemente de especular, significa que você pode se perguntar sobre o que pode acontecer, como por exemplo, se “A” acontecer, então o que pode ser “B”, e imaginar possíveis cenários. Na prática, é possível começar com uma a simples busca de informações em jornais ou em instituições financeiras, para depois fazer pensar como o que foi pesquisado pode afetar sua vida, os negócios ou a própria comunidade. Esse é um exercício que qualquer pessoa pode fazer.
Como prever o futuro de uma empresa?
Segundo Webb, quando se trata de prever o futuro de uma empresa, é necessário levar o assunto a sério, para que se possa tomar decisões estratégicas. “Existe uma metodologia muito robusta, que usa dados e modelagem, e reúne muitos dados quantitativos e qualitativos, identificando sinais que são pequenas indicações de mudança no horizonte, e padrões para extrair as tendências desses sinais”, destaca.
A futurista explica como avaliar as tendências. Primeiro, chama a atenção que as tendências não estão na moda, e sim, devem atender a certos critérios e descrever movimentos para o futuro. Depois, com essas informações, é possível levantar incertezas relevantes para o negócio, e desenvolver cenários estratégicos, que podem representar riscos ou oportunidades. Essa análise traz um número mais limitado de possibilidades, permitindo que o empreendedor se sinta mais confiante ao traçar objetivos para o futuro.
As previsões são relativas
Quão longe no futuro, as empresas podem ter previsões mais assertivas? Para Webb, depende da área de atuação de cada negócio. “Porque dependendo do setor em que você atua, os avanços estão acontecendo em diferentes escalas e com diferentes frequências” reitera. Ela comenta que é muito comum perguntas como “o que será ano de 2030” ou “o que será o ano de 2040?”, vindas de empreendedores. E a resposta é simplesmente “não sei”, conta a futurista.
Segundo ela, esses prazos não significam muito, a menos que estejam vinculados a uma estratégia específica de decisão que se está tomando. Em algumas áreas, pode ser impossível dizer quais são as projeções para os próximos seis meses. Já em outras, é possível descrever o que pode acontecer nos próximos dez anos. Então, realmente só depende.
Por isso, independentemente do setor da empresa, Webb recomenda que o gestor monitore continuamente os sinais, para poder identificar quais são tendências e, em seguida, ter algum tipo de análise, para agir sobre essas tendências. “A pior coisa que uma empresa pode fazer é fazer um relatório de tendências e colocá-lo em uma prateleira. Mas infelizmente, é o que a maioria das empresas fazem”, revela.
Em time que está ganhando, não se mexe?
Quando questionada sobre qual seria o melhor conselho para um banco com quase 100 anos de existência, a futurista foi categórica, respondendo que um banco dessa idade é bem-sucedido e sugere continuar fazendo o que está levando a instituição a ter sucesso, mas faz um alerta.
“O sucesso pode ser um problema, porque uma vez que você é muito bem-sucedido, você não está mais procurando por disrupções. E se você não estiver olhando continuamente para esses espaços em branco, se você não estiver olhando ao redor e se perguntando, então você se torna muito vulnerável”, reforça. Por fim, Webb aconselha para continuar fazendo o que está fazendo, mas não deixar de olhar ao redor, para ter certeza de que você não está no processo de declínio.