Conheça o potencial do mercado de tecnologia regulatória

RegTech (regulatory technology) refere-se a um conjunto de tecnologias voltadas a aprimorar processos relacionados a risco e conformidade. Essas soluções têm como objetivo automatizar, agilizar e tornar mais eficazes as exigências regulatórias, reduzindo a complexidade crescente do ambiente regulatório global e promovendo maior eficiência operacional.

Por Itaú BBA

05 minutos de leitura

A formação da indústria RegTech

A gênese da indústria RegTech remonta ao período pós-crise financeira de 2008. Com a implantação de regulações mais rigorosas — incluindo a Lei Dodd‑Frank nos EUA e os requisitos de Basileia III globalmente — cresceu a demanda por soluções tecnológicas capazes de atender rapidamente às normas em constante transformação, fomentando o surgimento do setor RegTech.

Categorias e impulsionadores de crescimento do mercado de RegTech

A McKinsey identifica quatro categorias principais de soluções RegTech:

  1. Gestão de risco financeiro e capital.
  2. Governança, risco e compliance (GRC).
  3. Cibersegurança e TI.
  4. Crime financeiro.

Com o tempo, esses segmentos evoluíram impulsionados por pressões regulatórias, digitalização, adoção da nuvem e a expectativa contínua por automação e estes são os principais motores do crescimento:

  1. A crescente complexidade regulatória fragmentada, impulsionada por tensões geopolíticas e reformulações normativas.
  2. A adoção de tecnologias digitais, automação e soluções em nuvem, que permitem adaptação ágil a novas exigências.
  3. As elevadas expectativas dos reguladores quanto às capacidades tecnológicas das instituições, sobretudo em combate ao crime financeiro, segurança cibernética e GRC.
  4. O aumento dos orçamentos destinados à tecnologia de risco e compliance, ampliando o impacto da RegTech nas instituições.

Perspectivas para o mercado de RegTech

É projetado um crescimento de até 14% ao ano até 2028. Provedores especializados em crime financeiro e cibersegurança, seguidos por soluções GRC, devem superar players generalistas. Geograficamente, América do Norte e Europa lideram a adoção, mas há potencial significativo de crescimento no Oriente Médio e na África, devido à menor penetração atual.

Quais razões as instituições financeiras europeias relataram para querer implementar RegTech?

Aprimorar a gestão de riscos

80%

Aprimorar monitoramento/amostragem

75%

Reduzir erros humanos

55%

Aprimorar sistemas e dados

42%

Facilitar análises preditivas

28%

Permitir que profissionais foquem em tarefas de maior valor

22%

Reduzir custos

21%

Atrair e reter clientes

10%

(% dos respondentes, n = 115)

Os dados revelam que a motivação predominante das instituições financeiras europeias para adotar RegTech está fortemente ligada ao reforço da gestão de riscos (80%) e ao aprimoramento do monitoramento e amostragem (75%), refletindo a pressão regulatória crescente e a necessidade de maior controle operacional.

Oportunidades de negócio para startups de tecnologia

Além do panorama global, as startups de RegTech encontram oportunidades excepcionais para atuação em mercados emergentes. A indústria vem crescendo a uma taxa anual de 31,87%, abrigando mais de 600 startups dentre mais de 8.000 empresas do setor, com previsão de gastos em tecnologias regulatórias acima de US$ 130 bilhões só em 2025. O financiamento também se intensifica: mais de 1.400 investidores participaram de 4.000 rodadas de financiamento, apoiando mais de 1.200 empresas, com valor médio por rodada de US$ 35,5 milhões, e investimento total superior a US$ 2 bilhões de acordo com a StartUp Insights.


Na América Latina, especialmente no Brasil, o mercado de RegTech cresce cerca de 35,3% ao ano, alcançando US$ 270,36 milhões em 2024 e projeção de US$ 732,95 milhões até 2029, com CAGR de 22,1% no período. Esses dados indicam que nichos especializados e subatendidos — como automação de relatórios regulatórios, compliance em tempo real, identidade digital e monitoramento AML/ESG — oferecem terreno fértil para startups que integrem IA, automação e soluções em nuvem, podendo captar investimentos robustos em mercados maduros e emergentes.

Conclusão

O RegTech emergiu como resposta tecnológica à complexidade regulatória intensificada após a crise de 2008, com foco em automatizar e aprimorar processos em risco, GRC, cibersegurança e combate a crimes financeiros. As quatro categorias principais refletem áreas críticas para instituições financeiras. Cresce o mercado impulsionado por regulamentações fragmentadas, digitalização e novas expectativas regulatórias, com previsão de expansão robusta até 2028. As oportunidades de negócio para startups são particularmente fortes, especialmente em mercados emergentes como o Brasil, onde o crescimento e o volume de investimento oferecem terreno fértil para inovação e atuação especializada.

Fontes

What is RegTech by McKinsey&Co

https://www.mckinsey.com/featured-insights/mckinsey-explainers/what-is-regtech?cid=eml-web

StartUs Insights – RegTech Industry Report 2025
https://www.startus-insights.com/innovators-guide/regtech-industry-report/

Quick Market Pitch – RegTech Funding & Startup Ideas
https://quickmarketpitch.com/blogs/news/regtech-funding?

https://quickmarketpitch.com/blogs/news/regtech-startup-ideas?

Gungho Global – RegTech Lead Generation in 2025
https://gungho.global/insights/regtech-lead-generation-in-2025/

GlobeNewswire – Brazil RegTech Market Report 2024-2029
https://www.globenewswire.com/news-release/2024/10/29/2971049/28124/en/Brazil-RegTech-Market-Report-2024-22-Compound-Annual-Growth-Rate-Forecast-During-2024-2029-with-Brazil-s-RegTech-Industry-Set-to-Reach-US-732-95-mMillion-by-2029.html

6Wresearch – Brazil RegTech Market
https://www.6wresearch.com/industry-report/brazil-regtech-market

Nota: este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. As informações são baseadas em fontes consideradas confiáveis, mas podem não refletir todas as condições de mercado. O Itaú BBA não se responsabiliza por perdas, danos ou opiniões expressas no conteúdo deste e demais canais associados ou proprietários. Investimentos diretos em negócios, renda fixa e/ou variável envolvem alto risco e podem sofrer oscilações devido a fatores políticos e econômicos.