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Mercado Sustentável

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Itaú BBA

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A presidente do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, foi a todas as COPs até hoje e tem uma visão privilegiada do assunto.

Em conversa com a ESG em Movimento, Grossi falou sobre a participação do Brasil na cúpula deste ano e o que falta para que o país atraia mais investimentos verdes.

Os avanços do Brasil

Na visão de Grossi, o país tem quatro grandes avanços para apresentar na COP28: a redução de 22,3% do desmatamento na Amazônia, de longe a maior fonte de emissões brasileiras; a retomada da ambição na sua meta nacional de descarbonização, um mercado de carbono em vias de ser regulado e o Plano de Transição Ecológica, que Grossi chama de “Green Deal” brasileiro.

“O Brasil está num momento bastante importante e essa vai ser uma COP com participação recorde na comitiva do país. Já são mais de 1700 pessoas registradas”, diz Grossi.

Parceiro ideal

Enquanto os países desenvolvidos têm enorme dificuldade em entregar a redução de emissões de gases de efeito estufa que precisam para cumprir suas metas nacionais, o Brasil tem muito mais facilidade, o que configura uma oportunidade, na visão dela.

 

“O Brasil pode se colocar como um ótimo parceiro. Temos condições de captar recursos, porque o mundo está em dificuldade com a transição energética, com guerras, voltando atrás em algumas metas e deixando de ter ambição, enquanto nós temos o grande ativo ambiental, que é o mais barato para esse início da descarbonização.”

Se, por um lado, o documento final desta COP não deverá trazer compromissos para eliminação ou redução gradual do uso dos combustíveis fósseis, de outro, o encontro deve resultar em uma série de medidas práticas de investimento.

 

“Os recursos financeiros devem estar no centro das discussões, porque estaremos num país com muitos recursos e grande dificuldade de reduzir rapidamente suas emissões”, diz ela.

Apostas concretas

Mas, para que o Brasil consiga atingir todo o potencial de atração de investimentos verdes, Grossi avalia que ainda falta entregar mais direcionamento prático.

“Hoje o Brasil tem o seu Green Deal. Mas precisamos traduzir isso num plano de ação mais pragmático. Chegou o momento das apostas mais concretas”, diz ela.

 

Traduzindo: falta um planejamento do governo para mostrar, entre tantas opções que o país têm a oferecer – como soluções baseadas na natureza, hidrogênio verde, biocombustíveis e outros – quais devem receber mais investimentos. “Qual é a estratégia de descarbonização? Quais são as metas setoriais? Onde a gente vai buscar recursos e para quê? Onde é que a gente vai fazer parcerias?”