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No net zero do Itaú, a chave é incentivar a descarbonização dos clientes

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Itaú BBA

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Há dois anos o Itaú passou a integrar o Net-Zero Banking Alliance (NZBA), um acordo mundial liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que tem o objetivo de financiar a transição para uma economia de baixo carbono.

Desde então, o banco fez um extenso mapeamento dos setores mais intensivos em emissões de gases de efeito estufa. Sua meta é se tornar net zero em 2050 e, para isso, o engajamento dos clientes é essencial para descarbonização da economia.

Luciana Nicola, diretora de relações institucionais e sustentabilidade, conta como essa meta tem transformado a forma de fazer negócios tanto do Itaú quanto de seus stakeholders.

O que mudou na estratégia de negócios e financiamentos depois dessa adesão?

De 2021 para cá, o Itaú incorporou mudanças climáticas como um tema central da estratégia da área de negócios. O papel do banco é ajudar na transição, sem deixar ninguém para trás. Depois desse mapeamento do portfólio de crédito, identificamos quatro setores mais intensivos em emissões: energia, óleo e gás, agronegócio e siderurgia.

Optamos por começar pelo setor elétrico, em que as metodologias estão mais maduras. Depois de estudar nossa emissão financiada nesse setor, estabelecemos para descarbonizar o setor de geração de energia elétrica. Também decidimos sair do setor de carvão térmico até 2030.

E quais devem ser os próximos setores?

Estamos trabalhando os 9 setores carbono intensivos, de acordo com o Net Zero Banking Alliance. Setores de alumínio, siderurgia, cimento, petróleo e gás, imobiliário, veículos e agricultura estão sendo trabalhados e serão publicados durante 2024.

Temos falado muito com as empresas, acompanhado os negócios, desenhado todas as curvas e metas. Também estamos trabalhando de perto com o agronegócio.

A questão é que boa parte das metodologias para definição de metas e apuração de resultados não são aderentes à realidade do agro brasileiro. Buscamos nos aproximar de especialistas setoriais e em especial o professor Eduardo Assad, engenheiro agrícola e doutor em hidrologia, tem sido um grande colaborador na construção da nossa meta no agronegócio. Com outros bancos, estamos discutindo como tropicalizar as metodologias existentes levando em conta as condições do setor no Brasil.

A meta do banco é ser net zero até 2050. Quais são os maiores desafios nessa jornada?

Temos clientes que já entenderam o impacto que as mudanças climáticas trarão para a perenidade de seus negócios e estão conversando conosco sobre instrumentos de financiamento e sobre desenho de jornada e metas para se moverem rumo a uma economia de baixo carbono.

Mas há muitos outros que ainda não capturaram o que isso significa para sua empresa e o setor onde atuam. Criamos fóruns no Cubo ESG nos quais promovemos diálogo entre empresas sobre o tema, para construirmos pontes entre os desafios comuns e as soluções já presentes para cada setor.