O agronegócio bate recordes – mas tem uma avenida pela frente

Por Itaú BBA

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O Brasil confirmou em janeiro que a safra de 2025 bateu novo recorde de produção de grãos. Os resultados para soja, milho, algodão e café foram os maiores já registrados. O brasileiro se acostumou a receber regularmente essa notícia, resultado de muita competência e alta produtividade no agronegócio. Mas os resultados impressionantes acontecem em um cenário de desigualdade no acesso e uso das informações sobre sustentabilidade. Várias técnicas regenerativas já se difundiram – entre elas, plantio direto, rotação de culturas e integração lavoura pecuária. Mas parte dos produtores ainda não aproveita as novidades mais recentes, capazes de tornar suas propriedades ainda mais sustentáveis e produtivas.

As lacunas de informação ficam evidentes em pesquisas como O Pulso do Produtor Brasileiro, apresentada em 2025 pela consultoria BCG, resultado de 1.350 entrevistas. Entre os agricultores, grandes parcelas afirmaram ter total desconhecimento sobre inovações importantes: 29% sobre sistemas de gestão para agricultura, 38% sobre equipamentos autônomos, 42% sobre rastreabilidade, 44% sobre sistemas orgânicos, 46% sobre irrigação de precisão e 52% sobre sensores e sondas de campo. Os indicadores são parecidos ou maiores ainda entre os pecuaristas.

Só 17% dos pequenos produtores dizem saber o que são créditos de carbono, e os participantes da pesquisa apontam “falta de conhecimento e informação” como principal barreira para a expansão desse mercado.

Isso importa para a economia inteira. Em 2024, a agropecuária, setor produtivo mais importante do país, respondeu por 29% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil – proporcional a sua participação no PIB. As atividades enquadradas como “Mudanças de uso da terra e florestas”, que contempla a conversão de áreas naturais para outros fins, entre eles agricultura e pecuária, responde por outros 42%. Por isso, as atividades de Agricultura, Florestas e Uso do Solo (Afolu) são as mais importantes para o Brasil atingir a neutralidade em carbono, no prazo previsto pelo governo até 2050 ou numa antecipação dessa meta para 2040.

Todos os negócios no país têm a ganhar se houver melhor capacitação da população atuante no agro – são 15 milhões de pessoas trabalhando em 5 milhões de propriedades rurais, segundo projeções feitas a partir do Censo Agropecuário 2017, o mais recente.

Esforço nacional pela qualificação no agro

Existem várias iniciativas para preparar melhor o produtor rural brasileiro, de entidades como a Embrapa e o sistema da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que inclui o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

O Itaú BBA se uniu a esse esforço nacional com a Academia Agro, plataforma de ensino à distância gratuita e voltada para clientes e não clientes do banco. Para 2026, a academia foi reforçada, com a inclusão da trilha de sustentabilidade. As aulas foram criadas em parceria com a Rehagro, empresa de consultoria e educação especializada no agronegócio, que atende a mais de 400 fazendas.

Parte do conteúdo está na trilha “Sustentabilidade no campo: do conceito à ação" – um conjunto de seis cursos sequenciais, compostos por 43 aulas em vídeo e seis cartilhas, com direito a certificação, abordando tópicos como segurança alimentar, emissões de GEE, agricultura de baixo carbono (ABC) e rastreabilidade global. As aulas foram organizadas com o objetivo de dar ao produtor visão abrangente, incluindo segurança jurídica, competitividade e conexão entre bioenergia e alimentos, dentro do contexto climático e de mercado.

O conteúdo de sustentabilidade da Academia inclui outros seis cursos, de temas como ESG no Agro, Bioinsumos e Práticas sustentáveis, com mais 22 aulas.

O esforço de criação dos cursos atende a um anseio do próprio setor. Na pesquisa do BCG, os produtores colocam, entre as causas de sucesso ("Principal razão pela qual meu negócio prosperaria"), "conhecimento" em primeiro lugar, à frente de cenário econômico, acesso a crédito e políticas governamentais. Entre as causas de falha ("Principal razão pela qual meu negócio fracassaria"), “conhecimento” aparece logo em segundo lugar, atrás apenas de mudanças climáticas e empatado com cenário econômico.

A sustentabilidade é considerada importante ou muito importante por três em cada quatro produtores, e parcelas ainda maiores entre as mulheres e no grupo com menos de 35 anos. A pesquisa detectou "sinais claros de oportunidade”, que incluem “um forte interesse em inovação, uma abertura à mudança e uma crescente conscientização sobre o valor da sustentabilidade".

A trilha de sustentabilidade da Academia Agro vem reforçar um conteúdo em ampliação desde 2022, quando nasceu a iniciativa do Itaú BBA. Estão à disposição mais de 50 aulas, dedicadas a assuntos variados, como gestão de pessoas, contabilidade, sucessão, avaliação de riscos, questões jurídicas e reforma tributária, além de estudos de casos. “Quando elevamos o padrão ambiental e a produtividade por meio de capacitação, o ESG deixa de ser obrigação e se torna uma oportunidade real de negócios”, afirma Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA. “Esse movimento fortalece a reputação do produtor, amplia o acesso a mercados certificados e consolida o banco como especialista em agro e parceiro da transição climática, impulsionando a descarbonização do setor e a expansão do financiamento verde.”