O Paradoxo Digital Latino-Americano

Itaú BBA – Sponsor do Latin America Digital Transformation Report 2025 A transformação digital na América Latina em 2025 não é apenas uma tendência tecnológica — é um reflexo das mudanças estruturais, sociais e econômicas que atravessam a região. O relatório Latin America Digital Transformation Report 2025, da Atlantico sponsored pelo Itaú BBA, revela um continente em movimento, onde a conectividade, a infraestrutura e o comportamento digital convergem para redesenhar o futuro. Neste artigo, propomos uma leitura integrada dos dados, conectando causas e efeitos, e traçando paralelos com outras regiões para inferir sobre o papel da América Latina na nova economia digital.

Por Itaú BBA

05 minutos de leitura

A América Latina vive um paradoxo digital. De um lado, a infraestrutura de data centers ainda é incipiente — com apenas 2.6 GW de capacidade instalada em 2024, frente aos 53.7 GW dos EUA e 31.9 GW da China. De outro, a penetração da internet e o tempo médio online por pessoa já rivalizam com os países mais conectados do mundo. O Brasil, por exemplo, lidera com 9.2 horas diárias online previstas para 2025.

Essa disparidade pode ser comparada a uma cidade onde todos têm smartphones de última geração, mas o sinal de rede ainda é instável. A demanda existe, é intensa e crescente, mas a infraestrutura ainda corre atrás. O diagnóstico, portanto, é de descompasso entre o comportamento digital da população e a capacidade técnica de sustentá-lo.

Comércio eletrônico: frequência alta, profundidade baixa

Outro dado que reforça esse diagnóstico é o comportamento de compra online. Os latino-americanos compram com frequência — 58% dos brasileiros e 60% dos mexicanos fazem compras semanais pela internet — mas o gasto anual per capita online é baixo, 9% no e-commerce. Isso sugere que o e-commerce na região é um canal de compra com alta frequência, mas superficial no “share of wallet”, limitado por fatores como logística, confiança do consumidor e acesso ao crédito.

É com um supermercado cheio de visitantes, mas com poucos carrinhos cheios. O interesse existe, mas a conversão em valor econômico ainda é tímida. O prognóstico é que, com melhorias em infraestrutura e serviços financeiros digitais, esse mercado pode se aprofundar rapidamente.

O motor da nova demanda energética

A explosão da inteligência artificial representa um novo vetor de pressão sobre a infraestrutura. O crescimento exponencial no uso de tokens processados por IA exige data centers mais robustos e energeticamente eficientes. A previsão é que essa demanda continue crescendo até 2030, tornando a disponibilidade energética — especialmente de fontes renováveis — um ativo estratégico.

O Brasil, com sua matriz energética diversificada e expansão acelerada da energia eólica, aparece como um candidato natural a se tornar um hub de IA na América Latina. A correlação entre IA e energia limpa é direta: quanto mais sustentável a matriz, maior a atratividade para operações intensivas em processamento.

Um laboratório de inovação inclusiva

A combinação de alta conectividade, comportamento digital ativo, infraestrutura em expansão e potencial energético renovável posiciona a América Latina como um laboratório de inovação inclusiva. Diferente de mercados saturados, a região oferece espaço para soluções adaptadas à realidade local — como fintechs que resolvem problemas de bancarização, edtechs que ampliam o acesso à educação, e healthtechs que democratizam o cuidado com a saúde.

Se os investimentos em infraestrutura acompanharem o ritmo da demanda, o prognóstico é de uma aceleração exponencial na digitalização da economia, com impactos positivos em produtividade, inclusão e competitividade global.

Conclusão

A transformação digital na América Latina em 2025 é marcada por contrastes: uma população hiperconectada convivendo com limitações estruturais. Mas é justamente nesse contraste que reside o potencial da região. O relatório da Atlantico mostra que a América Latina não precisa copiar modelos externos — ela pode criar os seus próprios, mais inclusivos, mais adaptados e mais sustentáveis. O diagnóstico é claro: há gargalos a superar. Mas o com os investimentos certos, a América Latina pode deixar de ser apenas um mercado emergente e se tornar um protagonista global da transformação digital.

Fontes:
Atlantico – Latin America Digital Transformation Report 2025
Google | McKinsey | Microsoft | CBRE | World Bank | OpenAI | Anthropic | U.S. Energy Information Administration

Nota: este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. As informações são baseadas em fontes consideradas confiáveis, mas podem não refletir todas as condições de mercado. O Itaú BBA não se responsabiliza por perdas, danos ou opiniões expressas no conteúdo deste e demais canais associados ou proprietários. Investimentos diretos em negócios, renda fixa e/ou variável envolvem alto risco e podem sofrer oscilações devido a fatores políticos e econômicos.