Review da Performance das BigTechs no 3T24

O terceiro trimestre de 2024 trouxe atualizações importantes das gigantes da tecnologia, apresentando oportunidades e desafios para investidores. Nosso time de Research dedicados a tecnologia analisou os resultados da Apple, Amazon, Google, Meta, Microsoft e NVIDIA, destacando os principais pontos de cada empresa e suas implicações para o mercado, veja a seguir.

Por Itaú BBA

05 minutos de leitura

Apple (AAPL): Crescimento Modesto e Busca por Novas Funções com Inteligência Artificial

A Apple entregou resultados mistos no trimestre, com crescimento impulsionado por vendas do iPhone, enquanto serviços desaceleraram. A melhora na China foi um ponto positivo, mas o guidance para o próximo trimestre foi modesto, com crescimento de até 5% da receita.

Apesar do grande interesse inicial no iOS 18 e novos lançamentos de funções com IA, ainda é cedo para incorporar esse tema em nosso modelo. Revisamos o EPS para o ano fiscal de 2025 em -1% e ajustamos o preço-alvo para USD 232,00, mantendo nossa recomendação “neutra”.

Amazon (AMZN): Resultado Positivo com Desafios na Sustentabilidade da Margem

A Amazon apresentou resultados consistentes no 3T24, superando nossas estimativas conservadoras, especialmente com as margens da AWS, que ficaram 5 pontos percentuais acima do esperado. No e-commerce, a empresa apresentou crescimento na América do Norte (+9% AxA) e no segmento internacional (+12% AxA), com um aumento no volume de vendas de itens de menor preço médio.

No entanto, temos dúvidas sobre a sustentabilidade da margem da AWS no longo prazo, especialmente com os planos de aumento de investimentos. Além disso, com o guidance do 4T melhor do que o esperado, revisamos nossas estimativas para cima. Ainda assim, continuamos com visão neutra no papel, levando em conta as perspectivas de rentabilidade de curto prazo na AWS e no varejo.

Alphabet (GOOGL): Aceleração na Nuvem, mas Mantemos Nossas Preocupações Estruturais

Os resultados do Google foram positivos, com negócios centrais como Search e YouTube alinhados às expectativas. O destaque foi o segmento de Cloud, que cresceu 35%, e a expansão da margem EBIT em 4.5 pontos percentuais para 32,3%, superando as expectativas em mais de 1.3 ponto percentual.


Embora tenhamos ajustado positivamente nossas estimativas de EBIT e EPS para 2025 em 3,3% e 3,5%, respectivamente, estamos cautelosos quanto à atratividade da ação. O potencial risco da IA para o Search e as discussões em andamento com o Departamento de Justiça dos EUA representam desafios, de forma que mantemos a recomendação “neutra”.

Meta (META): IA como Pilar Estratégico para o Futuro

A Meta apresentou resultados sólidos no 3T24, com crescimento de 19% na receita em relação ao ano anterior e expansão de 3 pontos percentuais na lucratividade. A estratégia de melhorar a experiência do usuário por meio da IA já mostra impacto positivo no ROI dos anunciantes, sinalizando potencial de crescimento futuro.

Revisamos o preço-alvo para USD 673 por ação, refletindo o momento positivo da Meta e suas perspectivas de crescimento. Com múltiplos de 20,4x P/E 2025 e EPS de USD 28,1 e USD 33,0 projetados para 2025 e 2026, respectivamente, reiteramos a Meta como uma de nossas top picks no setor global de tecnologia.

Microsoft (MSFT): Desaceleração no Curto Prazo Mas Boas Perspectivas no Longo Prazo

A Microsoft reportou resultados sólidos, com receitas 2% acima do esperado e margens EBIT levemente melhores. O guidance de 32% de crescimento da Azure para o próximo trimestre (uma desaceleração de 2 pontos percentuais) desapontou o mercado, levando a uma queda no preço das ações no dia, mesmo com as explicações sobre restrições de oferta e adiamentos de receita.

Acreditamos que as receitas da Azure devem acelerar, impulsionadas por melhorias na cadeia de suprimentos e aceleração de 13 p.p. nas reservas comerciais. Além disso, a empresa optou por focar na demanda corporativa para inferência que pode beneficiar a geração de receita futura. Dessa forma, mantemos nossa recomendação de MSFT como uma das nossas principais escolhas no setor de tecnologia (junto com META), com leve melhoria no EPS projetado para os anos fiscais de 25 e 26.

NVIDIA (NVDA): Resultado Positivo, mas Expectativa de Pressão de Margem no Curto prazo

A Nvidia reportou resultados positivos, embora o mercado estivesse apreensivo devido a expectativas diversas. Uma pequena diferença de 1,3% abaixo das expectativas na previsão de receita para o próximo trimestre levou a uma queda de até 5% nas ações após o fechamento do mercado.

Um dos destaques foi a receita de Data Centers acima do esperado, graças ao aumento no preço médio de GPUs e adoção da Hopper H200, enquanto a margem bruta deve reduzir-se temporariamente com a nova geração Blackwell. O nosso lucro por ação projetado agora é de USD 5,95 para o ano fiscal de 2026, um aumento de 9% em relação à nossa estimativa anterior, além disso mantivemos nosso preço-alvo de USD 164,00 com recomendação de “compra”, destacando a importância do crescimento na demanda por inferência para a tese de longo prazo.


Conclusão

As atualizações do 3T24 destacam um cenário misto para as gigantes da tecnologia. Por um lado, a demanda por IA continua muito forte e sem sinais de desaceleração. A indústria continua com gargalos de oferta no curto prazo. Por outro lado, o mercado tem receio quanto a uma potencial desaceleração na demanda atual, levando em conta que os papéis já valorizaram bastante – o que torna as assimetrias de risco positivas mais escassas atualmente.

Por Research Itaú BBA

Thiago Kapulskis

Equities Research Vice-President


Fernando Juniti Obata

Equities Research Analyst


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