Biodiversidade ganha espaço nas decisões de investimento

Confira os destaques desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #45

A TNFD (Task Force on Nature-Related Financial Disclosures) é uma iniciativa global que orienta empresas e instituições financeiras na identificação, mensuração e divulgação de riscos e oportunidades associados à natureza e à biodiversidade. Inspirada no TCFD (Task Force on Climate-Related Financial Disclosures), o framework busca incorporar o capital natural às decisões econômicas, ampliando a transparência sobre dependências e impactos sobre ecossistemas. Nesse contexto, surgem oportunidades relevantes para companhias que antecipam essa agenda, seja por melhor acesso a financiamento, maior resiliência ou diferenciação competitiva em um ambiente regulatório em evolução.

Embora a adoção ainda seja majoritariamente voluntária, observa-se um movimento consistente de antecipação por parte do mercado, impulsionado tanto pela demanda de investidores quanto pela expectativa de avanços regulatórios. Empresas posicionadas como early adopters tendem a capturar benefícios ao longo da transição, incluindo ganhos reputacionais e maior capacidade de geração de valor.

Essa tendência foi reforçada no evento “NRPF Brasil – Caminhos para a Implementação: Avançando a Agenda de Natureza no Brasil”, que reuniu empresas, instituições financeiras e setor público. O encontro evidenciou a evolução da agenda de investimento responsável de um estágio mais conceitual para uma fase de implementação, com avanços na qualidade de dados, fortalecimento de estruturas de governança e maior integração estratégica. Também ganharam destaque discussões sobre a necessidade de padronização e ampliação da base de dados, além da expectativa de maior direcionamento regulatório nos próximos anos.

Para o investidor, essa evolução se traduz em mudanças concretas na precificação de riscos e oportunidades. A biodiversidade deixa de ser um tema periférico e passa a influenciar decisões de investimento, custo de capital e acesso a financiamento. Iniciativas como taxonomias sustentáveis, programas públicos e mecanismos de mobilização de capital internacional, como o Ecoinvest, tendem a acelerar esse movimento. Nesse ambiente, empresas mais expostas a riscos de natureza podem enfrentar maior escrutínio, enquanto aquelas capazes de estruturar dados e estratégias consistentes devem acessar melhores condições de financiamento.

Eco Invest reforça avanço da economia real do clima no Brasil

O programa EcoInvest tem se consolidado como um dos principais instrumentos de materialização da agenda climática no Brasil, ao demonstrar que soluções ambientais podem ser estruturadas como negócios escaláveis. Em entrevista durante o ESG Summit, Marcelo Furtado, head de sustentabilidade da Itaúsa, destacou que a transição climática no país já avança sob uma lógica de “pragmatismo visionário”, na qual projetos ganham escala ao gerar retorno econômico, emprego e renda.

O EcoInvest, iniciativa do Tesouro Nacional que combina capital público e privado, já mobilizou volumes relevantes de investimento, com leilões recentes somando mais de R$ 13 bilhões, após rodadas anteriores de cerca de R$ 15 bilhões.

O modelo tem contribuído para reposicionar a agenda ESG, que passa a ser percebida não apenas como gestão de risco, mas como oportunidade de negócio dentro das instituições financeiras. Além do volume financeiro, o programa se destaca por sua estrutura, que reduz riscos cambiais para investidores internacionais, utiliza recursos públicos como alavanca para capital privado e contribui para precificação de ativos naturais ainda subvalorizados.

Esse desenho tem impulsionado o direcionamento de recursos para setores estratégicos da economia verde e reforçado o papel do Brasil como potencial exportador de soluções climáticas.

O avanço do EcoInvest reflete um movimento mais amplo de transição da agenda climática, da definição de compromissos para a execução, com forte protagonismo do setor privado e crescente integração entre mitigação, adaptação e resiliência nas decisões de investimento. Nesse cenário, a capacidade de mobilizar capital e estruturar projetos rentáveis tende a ser central para a competitividade das empresas e para a consolidação da chamada economia real do clima.

Eventos climáticos extremos se tornam risco crescente para a força de trabalho

Eventos climáticos extremos estão deixando de ser apenas uma questão ambiental para se consolidarem como um risco direto à força de trabalho e à produtividade das empresas. Ondas de calor, enchentes, furacões e tempestades vêm se tornando mais frequentes e disruptivos, gerando impactos operacionais relevantes.

Nos Estados Unidos, cerca de quatro em cada cinco trabalhadores relataram ter enfrentado algum tipo de interrupção relacionada ao clima no último ano, e quase dois terços afirmaram perda de produtividade associada a essas ocorrências, seja por condições inseguras, dificuldades de deslocamento ou demandas familiares adicionais.

Apesar da crescente exposição, a preparação das empresas ainda é limitada: apenas uma pequena parcela dos empregadores avalia de forma estruturada os riscos climáticos sobre sua força de trabalho.

Esse descompasso se reflete em custos relevantes, tanto diretos, como aumento das despesas com saúde, estimadas em mais de US$ 800 bilhões anuais, quanto indiretos, incluindo perda de horas trabalhadas, instabilidade operacional e riscos à segurança. Interrupções associadas ao calor extremo, por exemplo, já representaram US$ 100 bilhões em perdas e podem chegar a US$ 500 bilhões anuais até 2050.

O impacto é transversal, afetando desde saúde física e mental dos colaboradores até a continuidade dos negócios. Diante disso, a gestão desses riscos passa a exigir integração com estratégias de recursos humanos, benefícios, saúde e segurança, além de planejamento operacional. A tendência é que empresas mais preparadas consigam mitigar impactos, reduzir custos e sustentar suas operações, enquanto aquelas que permanecerem reativas enfrentarão maior volatilidade e perdas ao longo do tempo.

Energias renováveis retomam crescimento em financiamento, com destaque para eólica

Os financiamentos para projetos de energias renováveis no Brasil voltaram a crescer em 2025, atingindo R$ 36,3 bilhões após dois anos de retração, impulsionados principalmente pela expansão da energia eólica. O volume representa alta de 10,6% em relação a 2024, embora ainda permaneça abaixo do pico histórico observado em 2022.

O movimento reflete uma mudança estrutural na transição energética, com maior foco na complementaridade entre fontes e na necessidade de maior flexibilidade e estabilidade do sistema elétrico. Nesse contexto, a energia eólica ganhou protagonismo ao crescer 40% no período, impulsionada pela sua capacidade de equilibrar a geração solar e atender demandas do mercado livre.

Por outro lado, a energia solar centralizada segue pressionada por desafios como juros elevados, cortes obrigatórios de geração e ausência de mecanismos de compensação, o que tem limitado novos investimentos. Já a geração distribuída mantém maior resiliência, beneficiada pela proximidade entre geração e consumo.

O avanço das renováveis também destaca o papel emergente do armazenamento de energia, com sistemas de baterias começando a ganhar espaço e perspectiva de crescimento nos próximos anos. A tendência aponta para um sistema mais integrado, no qual eficiência operacional e complementaridade entre tecnologias serão determinantes para viabilizar a expansão do setor.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Investimentos e seus impactos os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 17 de junho de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 17 de junho de 2026

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