Cenário macro: nossa atualização para abril de 2026

Mercados seguem resilientes apesar do conflito no Oriente Médio, enquanto tecnologia e geopolítica redesenham o pano de fundo global

Por Itaú Asset

5 minutos de leitura

Em abril, o cenário macroeconômico continuou marcado por elevada incerteza geopolítica, com o conflito no Oriente Médio ganhando novos contornos, mas com impacto mais limitado sobre os mercados. Ao mesmo tempo, forças estruturais, como o avanço da inteligência artificial e a reorganização geopolítica global, seguem influenciando os preços dos ativos.

Foi nesse contexto que realizamos mais uma live de Cenário Macro, com a participação de Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú, e Alexandre Ferraz, da equipe de gestão do Itaú Global Dinâmico. A seguir, os principais destaques:

Cenário internacional

Oriente Médio: conflito persiste

Desde a última live, o conflito evoluiu para uma dinâmica de “cessar-fogo volante”, com sucessivas prorrogações e ausência de resolução definitiva. Esse movimento reflete o equilíbrio entre pressões militares, políticas e econômicas, especialmente nos Estados Unidos.

Apesar da gravidade geopolítica e humanitária, o mercado financeiro vem demonstrando uma espécie de “fadiga” com o tema. Com maior previsibilidade relativa (ainda que em níveis elevados) para o preço do petróleo (na faixa de US$ 90–100), os investidores passaram a focar novamente em fundamentos econômicos e resultados corporativos.

O principal canal de impacto permanece sendo a inflação, via energia. Nesse contexto, o mercado de renda fixa segue mais pressionado, enquanto a renda variável continua resiliente.

Forças opostas: tecnologia vs. petróleo

Os mercados globais estão sendo influenciados por duas forças opostas:

  • Positiva: forte crescimento das empresas de tecnologia, impulsionado por inteligência artificial, investimentos em data centers e expansão de margens;
  • Negativa: pressão inflacionária decorrente do petróleo mais alto e das disrupções no comércio global.

A força positiva tem prevalecido. Mesmo com riscos no fornecimento global (como restrições no Estreito de Ormuz), o mercado entende que a economia global é hoje menos dependente de petróleo do que no passado, o que reduz o impacto relativo desses choques.

Bancos centrais: juros elevados por mais tempo

Nos EUA, a expectativa é de manutenção da taxa de juros, com o Federal Reserve adotando postura cautelosa diante da incerteza. Já no Brasil, o ciclo de corte da Selic continua, mas em ritmo gradual (0,25 p.p. por reunião).

De forma mais estrutural, a leitura é de que o mundo pode estar migrando para um ambiente de inflação e juros neutros mais altos, impulsionado por fatores como, maior demanda por energia (especialmente com IA) e mercado de trabalho mais apertado.

Cenário local

Brasil: desempenho forte em meio a mudanças globais

No último mês, o Ibovespa atingiu sua máxima histórica e o câmbio ficou abaixo de R$ 5. Esse desempenho tem sido impulsionado menos por fatores domésticos e mais por mudanças estruturais no cenário global, especialmente a crescente disputa tecnológica entre Estados Unidos e China e a maior demanda por acesso à energia e terras raras.

Nesse contexto, o Brasil (assim como a América Latina de forma mais ampla) ganha relevância estratégica ao combinar abundância de recursos naturais com potencial energético, o que tem atraído maior interesse internacional. O ambiente é favorável, mas sua continuidade depende da capacidade do país de aproveitar essa oportunidade.

Estratégia de investimentos

Global Dinâmico: diversificação e descorrelação como pilares

O fundo Itaú Global Dinâmico adota uma estrutura multimesas, reunindo cerca de 15 gestores independentes, cada um responsável por estratégias distintas. Essa configuração permite explorar diferentes fontes de retorno de forma simultânea, com o objetivo de gerar retornos acima do benchmark de maneira consistente.

Ao combinar abordagens pouco correlacionadas entre si, o fundo busca reduzir perdas em momentos adversos, ao mesmo tempo em que melhora a eficiência no uso de risco. Dentro desse contexto, uma das estratégias de destaque é a compra de volatilidade, que procura capturar movimentos relevantes de mercado independentemente da direção dos ativos, beneficiando-se de períodos de maior oscilação.

O que observar até a próxima live

• Evolução do conflito no Oriente Médio, especialmente o fluxo de petróleo;

• Resultados das grandes empresas de tecnologia (com destaque para Nvidia);

• Decisões e comunicação de Fed e Copom;

• Dinâmica de inflação global, especialmente via energia;

• Eleições na Colômbia e seus possíveis desdobramentos regionais.

A seguir, confira o bate-papo na íntegra:

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