Cenário macro: confira nossa atualização para janeiro de 2026
Inteligência artificial se consolida como um dos vetores centrais da economia, enquanto incertezas geopolíticas e monetárias seguem moldando decisões de investimento
Por Itaú Asset
O começo de 2026 acontece em um ambiente macroeconômico que combina juros ainda elevados e um aumento relevante das incertezas geopolíticas. Já a inteligência artificial (IA) deixa de ser apenas um tema setorial e passa a ocupar o centro do debate macroeconômico. A disputa por energia, chips e terras raras conecta tecnologia, geopolítica, inflação, política monetária e câmbio, criando um cenário mais complexo para investidores, mas com oportunidades para aqueles que conseguem separar ruído de fundamentos.
Foi nesse pano de fundo que aconteceu o primeiro bate-papo de Cenário Macro de 2026, conduzido por Vanessa Daraya, do time de Comunicação do Itaú, com Thomas Wu, economista-chefe da Itaú Asset. Ao longo da conversa, Thomas analisou os principais fatores que devem influenciar os mercados globais e locais ao longo do ano.
A seguir, confirma os principais destaques da conversa.
Cenário internacional
Geopolítica e tecnologia
As tensões geopolíticas recentes já refletem a disputa por insumos estratégicos da economia digital. Energia e terras raras tornam-se gargalos centrais para a expansão da IA, conectando interesses econômicos, ambientais e militares. Esse movimento tende a seguir influenciando decisões de investimento e políticas públicas.
IA, produtividade e risco de desemprego
A demanda por soluções de IA deve crescer de forma acelerada, inclusive fora do setor de tecnologia. O principal risco para o setor não é falta de demanda, mas limitações de oferta, especialmente energia e chips. Ao mesmo tempo, o uso de IA pode gerar ganhos expressivos de produtividade, reduzindo custos e ampliando margens, mas também trazendo desafios sociais, como menor ritmo de contratações e possível aumento gradual do desemprego.
Crescimento global em um cenário atípico
Mesmo com juros historicamente elevados, a atividade econômica global segue resiliente. O contraste entre PIB forte e mercado de trabalho menos dinâmico cria um ambiente desafiador, mas que ainda não aponta para uma recessão iminente.
Inflação e política monetária nos EUA
A inflação americana recuou de forma significativa sem a ocorrência de recessão, mas ainda resiste para convergir totalmente à meta. Nesse cenário, a expectativa central é de pausa nos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte americano), com atenção redobrada à evolução do mercado de trabalho e às possíveis mudanças na liderança do Banco Bentral neste ano.
Cenário local
Copom e ciclo de cortes
Para o Brasil, a expectativa é de manutenção da Selic no curto prazo, com início dos cortes a partir de março. O ciclo, porém, pode ser mais curto, limitado pela resiliência da atividade, pelo mercado de trabalho ainda aquecido e pela incerteza eleitoral, que deve crescer no segundo semestre.
Brasil na nova geopolítica
No médio e longo prazo, o Brasil pode se beneficiar do novo arranjo global, dada sua abundância de energia, commodities e metais estratégicos. Esses fatores ganham relevância em um mundo cada vez mais orientado por tecnologia, automação e inteligência artificial.
O que observar à frente
- Decisão/posicionamento da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das tarifas usadas via poderes de emergência;
- Risco de novo shutdown nos EUA;
- Velocidade de adoção de IA fora do setor de tecnologia (produtividade vs. desemprego) e se será limitada por energia/chips;
- No Brasil, ao longo de 2026: definição de candidatos, propostas e pesquisas.
A seguir, confira o bate-papo na íntegra:
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