Cenário Macro: nossa atualização para novembro de 2025

Inflação sob controle, dólar em desaceleração e seleção criteriosa de risco: veja os destaques da live da Itaú Asset

Por Itaú Asset

3 minutos de leitura

A reta final de 2025 chega com mercados globais operando em um ambiente que combina sinais positivos com desafios persistentes. Os conflitos geopolíticos somados às discussões fiscais das grandes economias, à normalização dos dados americanos após o shutdown e à resiliência da atividade europeia formam um cenário complexo, mas ainda navegável.

Na edição mais recente da Live de Cenário Macro, Thomas Wu, economista-chefe da Itaú Asset, e Stefano Miagostovich, do time de gestão do Itaú Artax, analisaram os movimentos dos mercados globais e nacionais. Eles reforçaram a importância de uma abordagem analítica sólida, disciplina na alocação e postura cautelosa em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas e ajustes de política monetária.

Confira os principais pontos da conversa:

Cenário internacional

Conflitos e geopolítica

A recente escalada das tensões entre China e Japão, especialmente após novas declarações sobre Taiwan, mostra como Pequim tem adotado uma postura mais firme no campo geopolítico.

Essa disputa entre grandes potências envolvendo tecnologia, capacidade militar e controle sobre materiais estratégicos (como chips e metais raros) pode beneficiar o Brasil, que possui a segunda maior reserva estimada desses metais no mundo, desde que o país construa um plano de exploração e processamento nos próximos anos.

A nova “corrida pelo ouro”

A inteligência artificial, os chips e data centers deixaram de ser apenas uma disputa por mercado de consumidores e se tornam vetores estratégicos de crescimento, tanto para empresas quanto para governos.

O investimento em tecnologia tem ganhado escala e relevância. O movimento leva os times de gestão a acompanharem esse mercado com mais atenção, avaliando gargalos e as oportunidades que surgem para empresas posicionadas no avanço tecnológico.

Juros americanos

A expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) faça um último corte em dezembro permanece. Com a reunião final do ano se aproximando, o mercado projeta esse último movimento antes de um período de pausa para avaliação da atividade econômica. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego aumentou de maneira atípica, não por demissões, mas pela ausência de novas contratações. Mudanças estruturais no mercado, como novos formatos de trabalho viabilizados por tecnologia, ajudam a amortecer o impacto das perdas de emprego.

Cenário local

Copom e Taxa Selic

O Copom mantém a taxa de juros em 15% e é esperado um primeiro corte no início do ano. Há alta probabilidade de que ocorra em março. No entanto, diante da melhora nos indicadores de inflação e das expectativas mais ancoradas, é possível que ocorra em janeiro. Ainda assim, a projeção é de um ciclo curto, entre 200 e 300 pontos-base (ou seja, de 4 a 6 cortes de 50 pontos-base).

Estratégia nos fundos Itaú Artax

A entrada robusta de capital estrangeiro e a valorização dos mercados emergentes ajudaram a elevar os preços de segmentos como utilities, bancos e shoppings. Dessa forma, o time de gestão do Itaú Artax reduziu a exposição em ações brasileiras e realocou parte do portfólio para NTN-Bs, que atualmente apresentam uma relação risco-retorno mais favorável.

Com o objetivo de proteger o capital, a atenção para 2026 está voltada para o período pré-eleitoral, que influencia tanto o mercado de ações quanto o comportamento dos investidores.

Câmbio mais forte

A recente apreciação do câmbio decorre de dois fatores: estruturais (ligados ao novo ambiente geopolítico) e cíclicos (associados ao nível elevado de juros no Brasil). No campo estrutural, o país se destaca pelas reservas de metais raros, insumos para chips e tecnologias ligadas à inteligência artificial e supremacia militar. Já no cíclico, a taxa Selic continua atrativa para investidores internacionais. Com a atividade econômica resiliente, os juros exercem influência sobre o câmbio, atraindo fluxos e apreciando o real frente ao dólar.

O que observar à frente

  • Abertura do Perspectivas 2026, no dia 27/11, com uma conversa exclusiva com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Ative o lembrete!
  • Perspectivas 2026, no dia 11/12, com a presença de especialistas e convidados especiais.
  • Desfecho China–Japão: probabilidade baixa de ruptura extrema, mas o tom segue duro;
  • Acompanhamento dos desdobramentos do Banco Master, apesar de não ser um risco sistêmico.
  • Monitoramento do avanço tecnológico como driver para o S&P e Nasdaq.

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