Cenário Macro Mensal: Junho 2024

Confira os destaques do bate-papo que contou com a participação de Thomas Wu, economista-chefe da Itaú Asset, Luiz Ribeiro, gestor do Itaú Asgard, com moderação de Maria Luiza Morad, da área de comunicação do Itaú

Por Itaú Asset

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Elaboração: Itaú Asset Management

Cenário internacional

A atividade econômica nos EUA está forte e seguirá resiliente até o fim do ano. No entanto, existe um problema de distorção com sazonalidade residual, em que o ajuste realizado trouxe a falsa sensação de que a economia está acelerando, com um progresso numérico mais intenso que a realidade, no primeiro trimestre do ano. Apesar disso, esperamos que o consumo das famílias, combinado com a sensação de riqueza da população sustentará a atividade econômica do país até o final do ano.

No âmbito da política monetária, ainda esperamos que o Federal Reserve, Banco Central americano, inicie o ciclo de corte de juros apenas no final do ano. Os juros elevados dificultam a compra de produtos mais caros, que demandam financiamentos. Porém, não estamos vendo impactos tão negativos para o setor de serviços, por exemplo, que é afetado mais diretamente pela sensação de riqueza da população.

O S&P 500, bolsa de valores americana, tem tido desempenho muito positivo, atingindo máximas históricas no primeiro semestre do ano. Esse resultado é consequência, em parte, da atividade econômica dos EUA resiliente até aqui. Além disso, os altos lucros das empresas também favorecem essa leitura.

Acreditamos que a alta dos juros, apesar de ser um driver importante do mercado de ações americano, não terá tanto impacto no desempenho das bolsas dada a resiliência da atividade econômica do país.

Nos mercados emergentes, os destaques foram as mudanças e incertezas no campo político, com as eleições na Índia e no México. Temos observado, nos últimos anos, uma tendência em várias eleições ao redor do mundo, com presidentes percebidos com posições políticas mais extremas, sendo eleitos sem maioria em Congresso. Situação semelhante ocorreu na Índia recentemente, com o atual primeiro-ministro sendo reeleito para seu terceiro mandato, mas, dessa vez, sem seu partido como maioria no Congresso. Com isso, levantou-se a possibilidade da formação de coalizões entre partidos, o que alteraria o rumo da instauração de determinadas medidas e políticas.

Já no México, o desdobramento da eleição desse ano veio em direção contrária da tendência observada. A candidata à presidência, apoiada pelo governo atual, que é percebido como mais radical, foi eleita com maioria no Congresso. No entanto, esse cenário levantou preocupação, dado que, no país, o órgão legislativo assumirá o poder antes da nova presidente, trazendo receio sobre a possibilidade de mudança de leis e instauração de políticas polêmicas, consideradas mais extremas, antes da tomada de posse da nova líder.

Esse cenário político incerto, combinado com a postergação dos cortes de juros nos EUA, vem impactando negativamente a economia, o mercado, e as moedas emergentes como um todo, diminuindo sua atratividade para os investidores.

Cenário local

No Brasil, a leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, divulgada recentemente, trouxe um resultado mais positivo do que o esperado pelo mercado. Alguns de seus componentes, como serviços e serviços prestados as famílias, são bons indicativos para o futuro da atividade econômica dado que trazem mais informações sobre a sensação de riqueza e segurança da população. Diante desses dados mais recentes, percebemos que a atividade econômica brasileira segue forte e resiliente.

Apesar disso, a inflação medida pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgada essa semana, veio ligeiramente mais alta do que as expectativas. Parte dessa surpresa veio como consequência da tragédia natural e humanitária que ocorreu com as enchentes no Rio Grande do Sul.

No âmbito da política monetária, acreditamos que contexto de inflação crescente e elevação das expectativas anula a possibilidade da existência de novos cortes de juros pelo Banco Central do Brasil ao longo do ano, projetamos manutenção da Selic em 10,50% em 2024 e 2025. Semana que vem, as atenções se voltarão para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que teremos mais informações sobre o futuro da trajetória da taxa de juros no Brasil.

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