Cenário Macro Mensal: Maio 2024

Confira os destaques do bate-papo que contou com a participação de Thomas Wu, economista-chefe da Itaú Asset, Andrew Woods, gestor do Itaú Legend, com moderação de Maria Luiza Morad, da área de comunicação do Itaú

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Itaú Asset

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Elaboração: Itaú Asset Management

Cenário internacional

A incerteza sobre o próximo corte de juros nos Estados Unidos é o principal tópico de atenção no âmbito internacional. Com a retomada da aceleração da inflação e com as leituras ainda fortes de indicadores de atividade econômicos desde o início do ano, a mensagem em voga é de que é necessário ter maior cautela na condução da política monetária.

Dado esse contexto, Thomas Wu acredita que o corte nos juros nos EUA ocorrerá mais tarde do que se esperava, provavelmente apenas a partir de dezembro. Com a inflação reacelerando e a atividade econômica não pressionada pelos juros altos, o Federal Reserve, Banco Central americano, provavelmente esperará a divulgação de novos dados que confirmem ser o momento certo para afrouxar a política monetária.

Nosso economista-chefe apresentou também algumas hipóteses sobre porque não temos percebido uma recessão nas economias. A primeira delas é que o setor de serviços não é tão sensível às altas nos juros como as indústrias. O setor de serviços, intensivo em mão de obra, pode ter sido impulsionado pelo aumento do fluxo de imigrantes no governo atual que é menos restritivo com imigração.

O atraso da potencial recessão pode se dever também a uma mudança comportamental da população. Atualmente, as pessoas que ingressam no mercado de trabalho não destinam parte da sua renda para poupança, comprar uma casa e pagar hipotecas. Esse valor tem sido mais destinado a compra de ativos financeiros e investimentos na bolsa. Com isso, a bolsa americana não registrou queda, a população não se sente desfavorecida e a recessão deixa de acontecer.

A terceira hipótese é que o impacto da política fiscal tem sido diferente. Desde 2020, houve maior estímulo monetário e fiscal combinados, dado o cenário de pandemia. No entanto, a sensação dos eleitores não é de gratidão pelos políticos, e sim de que isso era obrigação do governo. A noção de poupança precaucionária mudou, visto que, a população passa a entender que caso haja uma crise é dever do governo auxiliar. Assim uma recessão econômica se posterga ainda mais.

Conclui-se que a incerteza sobre a possibilidade de uma recessão posterga a tomada de decisão do corte de juros por parte do Federal Reserve, que segue aguardando que os dados tragam maior segurança de que a economia e inflação caminham para a estabilidade, em nível compatível com a meta.

Cenário local

O destaque do cenário local foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em reunião no dia 08/05. No encontro, a taxa Selic foi reduzida em 25 pontos-base, para 10,50% ao ano, em linha com o esperado, mas em votação uma votação dividida, com 5 membros votando pelo corte de 25 e 4 membros por 50 pontos-base.

Além disso, alteramos nossas projeções macroeconômicas, considerando a maior necessidade de cautela com o cenário incerto tanto nos EUA como no Brasil. No cenário doméstico, a taxa terminal dos juros está levemente mais alta devido, entre outras coisas, a reaceleração da atividade econômica e a expansão de créditos. Mesmo com o encarecimento do crédito ocasionado pelos altos juros, ainda há uma taxa baixa de inadimplência, o que indica que a taxa Selic mais alta não têm gerado tanta pressão quanto se esperaria.

A discussão fiscal brasileira também tem repercutido, à medida que o país se encaminha para um aumento nos gastos, frente à maiores demandas sociais. Para Andrew Woods, o perfil fiscal do Brasil se deteriorou nas últimas 6 semanas, com exemplo da mudança de meta de resultado primário, rebaixada para esse ano e para o ano que vem.

Do ponto de vista financeiro, a maior demanda por prêmio de risco diminui o preço dos ativos e, consequentemente, aumenta as taxas de juros. Com isso, é provável que o ciclo da taxa Selic seja mais curto do que se esperava.

A conclusão a que se chega é que há muitas incertezas no horizonte do cenário atual, de modo que é necessária constante análise da evolução das perspectivas futuras, tanto para gestão de fundos, como para as projeções econômicas. O fundo Itaú Legend, gerido por Andrew Woods, possui agilidade para capturar estes movimentos.


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