Cenário Macro Mensal: Setembro 2023

Confira os principais destaques da nossa atualização mensal sobre o cenário econômico na visão do time de economia da Itaú Asset, liderado por Thomas Wu como economista-chefe e participação especial do Leonardo Baumert, gestor de renda fixa da Itaú Asset, responsável pela família de fundos Lumina e IPCA Action, além da moderação de Malu Morad do time de Comunicação do Itaú.

Por Itaú Asset

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Elaboração: Itaú Asset Management

Cenário internacional

As taxas de juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de até 10 anos avançaram significativamente, atingindo valores muito elevados para padrões históricos. Devida a alta correlação dos índices, a abertura das taxas influenciou de maneira muito forte o preço de diversos ativos e curvas de juros futuros de outros países.

A preocupação é de que o Banco Central dos EUA, o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), ainda precise subir as taxas de juros, pois a economia tem se mostrado muito mais aquecida e resiliente do que pensávamos. Além disso, há a discussão a respeito da taxa de juros natural, ou taxa real neutra, estar em nível mais elevado do que o esperado, o que poderia levar o Fed a encerrar o ciclo de corte em um nível acima das expectativas. Apesar disso, o Presidente do Fed, Jerome Powell, não se aprofundou no assunto na última conferência em Jackson Hole.

Por esses motivos, foram observados movimentos relevantes nas curvas de juros da América Latina, com Brasil, México, Chile e Colômbia apresentando elevações importantes em suas taxas de juros futuros, mostrando a importância da gestão ativa nos fundos de renda fixa que podem se adaptar a cenários em constante mudança.

Há também componentes locais que ajudam a explicar esse movimento, como o México, que vem apresentando uma atividade econômica robusta apesar do Banco Central ter promovido um ciclo de aperto monetário importante recentemente. Tal resultado foi possivelmente influenciado pelas transferências que os trabalhadores mexicanos que moram nos EUA fazem para o México e pelo recente movimento de empresas americanas de levarem suas cadeias de produção para territórios mais próximos e sem conflitos com os EUA.

Com as projeções de PIB crescendo, e o peso mexicano se valorizando, o Banco Central do país não deve ter urgência em começar um novo ciclo de afrouxamento monetário como o que estamos vendo no Chile e Brasil, e agora as tentativas são de desencorajar as expectativas de cortes no curto prazo. Com isso, tivemos reprecificação nas curvas de juros futuros do México, com 90bps a menos do que o precificado no último mês.

Já no Chile, a situação é bem diferente, com atividade econômica mais fraca e uma moeda que não vem performando bem. O Banco Central do Chile acabou de cortar a taxa de juros para 9,5% e a terminal está precificada abaixo de 5%, então ainda tem muito espaço para cortar as taxas.

Cenário local

No Brasil, mesmo após o recente corte na taxa Selic, a atividade se mostrou resiliente e a inflação controlada, alterando as perspectivas para a curva de juros, que contavam com uma possível aceleração do corte de juros a partir da reunião de novembro. A última decisão do Banco Central foi acirrada e ficou muito dividida entre um corte de 25 ou 50 pontos. Após a decisão pelos 50, o mercado já ajustou a precificação da curva de juros com esse corte e agora a curva precifica cortes que não passam de 55bips por reunião. A parte mais curta da curva de juros que estava muito positiva acabou sendo comprometida.

A parte longa da curva de juros, que oscilou mais durante o último mês e performou pior, está mais ligada ao componente que já tratamos anteriormente, a contaminação da curva de juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos na nossa. Entendemos que com os recentes dados de PIB mais alto que o esperado o Banco Central se sinta confortável em manter o ritmo de 50 pontos por mais tempo, isso tudo alterou a precificação na curva de juros e torna o mercado atrativo novamente.

Assista à live completa abaixo.