Cenário macro: nossa atualização para março de 2026
Conflito no Oriente Médio volta ao centro do debate e reforça a importância de gestão disciplinada em um ambiente de juros ainda elevados
Por Itaú Asset
Em março, o cenário macroeconômico seguiu marcado por incerteza elevada, com destaque para o conflito envolvendo EUA e Irã e seus potenciais desdobramentos sobre petróleo, inflação e política monetária. Em momentos como o atual, a dispersão de cenários tende a aumentar e a tomada de decisão exige ainda mais disciplina.
Foi com esse pano de fundo que realizamos mais uma live de Cenário Macro, com Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú, e Pablo Salgado, da equipe de gestão da família de fundos Itaú Optimus, que completa cinco anos em março. A seguir, confira os principais destaques da conversa:
Cenário internacional
EUA e Irã: conflito migra do plano militar para o econômico
O Irã parece ter reconhecido que tem capacidade limitada para um confronto militar direto com os EUA. Diante disso, passou a operar pensando em um choque econômico: elevando o risco percebido sobre infraestrutura energética e rotas estratégicas, com destaque para o Estreito de Ormuz, por onde passa parcela relevante do comércio global de petróleo. O objetivo seria pressionar custos de energia e bens e serviços, produzindo um choque inflacionário e, com isso, aumentando o custo político do conflito.
Petróleo, inflação e a reação dos mercados
Choques de petróleo tendem a se tornar persistentes quando duram mais de um trimestre, prazo no qual empresas e consumidores deixam de tratar o aumento como temporário e repassam preços de maneira mais ampla. O mercado costuma reagir antes, ajustando preços conforme a probabilidade de o evento se prolongar. À medida que os dias passam sem resolução, cresce a chance atribuída a um choque mais duradouro, com repercussão em curvas de juros, bolsas e moedas.
O “jogo a três”: governos, adversários e mercados
Com a nova estratégia em curso, o conflito deixa de ser entre Irã e EUA e passa a incluir um terceiro agente: os mercados. Na prática, a comunicação das autoridades pode buscar simultaneamente pressionar o adversário e acalmar investidores. E essas mensagens, quando lidas fora de contexto, parecem contraditórias.
Essa dinâmica aumenta a volatilidade, pois reforça a percepção de que a trajetória provável pode oscilar entre um desfecho relativamente rápido, via anúncio de “vitória” e redução de tensões; ou escalada mais prolongada, incluindo ações que ampliariam o horizonte do choque e seu custo econômico.
Bancos centrais: risco de validação das expectativas
Diante do contexto do conflito, o mercado já começa a precificar um cenário em que o choque inflacionário se torna persistente, o que exigiria resposta da política monetária. Se a retórica passar a incorporar a necessidade de juros mais altos (ou por mais tempo), a tendência é de aperto adicional nas condições financeiras.
Cenário local
Copom: cortes continuam, mas em ritmo mais cauteloso
Na semana passada, o Copom iniciou o ciclo de cortes na taxa Selic, partindo de um patamar claramente restritivo, o que abre espaço para novos cortes adiante, salvo um choque externo muito adverso. A sinalização do Copom é de continuidade de cortes de 0,25 p.p., preservando a convergência da inflação com paciência e mantendo a flexibilidade caso o choque de petróleo arrefeça.
Efeitos do choque externo sobre ativos brasileiros
Após um início de ano com fluxo externo favorável e valorização de ativos locais, a intensificação do conflito elevou a incerteza e levou parte dos investidores a reduzir risco. Com isso, o mercado tende a devolver parte dos ganhos enquanto tenta responder à pergunta central: o choque é temporário ou persistente? Quanto maior a dúvida, maior a volatilidade e a amplitude de preços.
Gestão e alocação em um ambiente de incerteza
Filosofia de portfólio
Pablo Salgado destacou a importância de construir carteiras capazes de performar de forma razoável em diferentes cenários. A diversificação por classes e geografias combinada a uma estrutura de gestão ampla tende a ajudar na busca por assimetrias e na preservação de capital.
Cinco anos do Itaú Optimus
Ao comentar o histórico dos fundos, Pablo atribuiu o desempenho consistente a fontes diversificadas de retorno, com atuação em múltiplos mercados líquidos (moedas, juros e renda variável, no Brasil e no exterior).
Entre os destaques históricos citados estiveram a captura do processo de normalização de juros ao longo dos últimos anos, contribuições relevantes de estratégias em países desenvolvidos, e a leitura de rotação de fluxos em direção a emergentes, que beneficiou bolsas como a brasileira em períodos recentes.
O que observar até a próxima live
Evolução do conflito EUA–Irã e seus impactos na economia.
Trajetória do petróleo e sinais de repasse para inflação.
- Reuniões do FMI e a reação dos bancos centrais.
Dados de atividade e mercado de trabalho, como termômetro da resiliência econômica.
A seguir, confira o bate-papo na íntegra:
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