Como investir em um cenário de riscos em transformação?

Confira os destaques desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #55

Por muito tempo, a sustentabilidade foi vista principalmente sob a ótica da reputação corporativa e da conformidade regulatória. No entanto, há uma tendência que reforça que fatores ESG estão cada vez mais conectados à gestão de riscos e à geração de valor no longo prazo. O aumento das emissões de metano no Brasil, os impactos econômicos das ondas de calor na Europa e a crescente disputa por protagonismo nas negociações climáticas globais evidenciam que temas ambientais e climáticos passaram a influenciar diretamente a dinâmica dos mercados, das empresas e dos investimentos.

Nesse contexto, o investimento responsável se consolida como uma ferramenta relevante para a identificação e avaliação de riscos que podem afetar a resiliência dos negócios ao longo do tempo. Questões como eficiência no uso de recursos, adaptação às mudanças climáticas, gestão de emissões, governança corporativa e capacidade de resposta a novas exigências regulatórias tornam-se variáveis cada vez mais importantes na análise de empresas e setores. Mais do que uma agenda paralela à análise financeira tradicional, esses fatores ajudam a compreender riscos e oportunidades que podem impactar resultados futuros.

Ao mesmo tempo, observa-se uma crescente integração entre sustentabilidade, competitividade e acesso a capital. Eventos climáticos extremos já afetam produtividade, cadeias de suprimento e custos operacionais em diferentes mercados, enquanto governos e organismos internacionais buscam ampliar compromissos relacionados à transição energética e à redução de emissões. Esse movimento reforça a importância de monitorar não apenas indicadores financeiros, mas também aspectos que contribuam para a capacidade de adaptação e geração de valor em cenários de transformação econômica e climática.

Nesse contexto, o investimento responsável segue desempenhando um papel importante na construção de portfólios mais preparados para um ambiente em constante evolução. Na Itaú Asset, acreditamos que a incorporação de fatores ESG complementa a análise financeira tradicional, contribuindo para uma compreensão mais ampla dos riscos e oportunidades que podem impactar os investimentos ao longo do tempo. Essa abordagem está presente em nossos processos de análise e se reflete no desenvolvimento de estratégias e produtos dedicados, que buscam combinar geração de valor para os investidores com uma visão de longo prazo.

À medida que a transição para uma economia mais resiliente avança, entendemos que o investimento responsável continuará sendo uma ferramenta relevante para apoiar decisões de investimento e promover uma alocação de capital alinhada aos desafios e oportunidades desse novo cenário.

Saiba mais sobre a atuação em nosso site: https://www.itauassetmanagement.com.br/sobre-nos/investimento-responsavel/

Emissões de metano crescem no Brasil; agro concentra 75% do total

As emissões de metano no Brasil seguiram em trajetória de crescimento e atingiram 21 milhões de toneladas em 2024, mantendo o país entre os maiores emissores globais do gás de efeito estufa. Cinco anos após aderir ao Compromisso Global de Metano durante a COP26, o Brasil ainda não conseguiu inverter essa tendência, apesar de avanços no conhecimento técnico e na identificação de soluções para mitigação.

O metano é considerado o segundo principal responsável pelo aquecimento global e possui potencial de aquecimento cerca de 28 vezes superior ao do dióxido de carbono em um horizonte de 100 anos. A agropecuária responde por 75,8% das emissões nacionais de metano, totalizando 15,7 milhões de toneladas em 2024. Mais de 90% desse volume está associado à criação de gado bovino.

Em resposta a esse cenário, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) lançou um conjunto de 37 propostas voltadas à redução das emissões em diferentes setores da economia. Entre as medidas para a agropecuária estão a recuperação de pastagens degradadas, melhorias na alimentação animal, assistência técnica e aprimoramento do manejo dos rebanhos.

Além do agro, resíduos sólidos e esgoto representam 16% das emissões nacionais de metano, enquanto mudanças no uso da terra e o setor de energia também contribuem para o total. O estudo destaca que tecnologias e práticas de mitigação já estão disponíveis, mas ainda enfrentam desafios relacionados à escala de implementação, financiamento e priorização por parte do setor público e privado. A avaliação dos pesquisadores é que a principal barreira não está na falta de conhecimento, mas na capacidade de transformar soluções conhecidas em ações efetivas e disseminada

Calor extremo bate à porta dos balanços de empresas europeias

Os impactos financeiros das mudanças climáticas estão se tornando cada vez mais visíveis nos resultados corporativos europeus. De acordo com dados divulgados pela plataforma AlphaSense, uma em cada dez empresas europeias com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão mencionou calor extremo, seca ou incêndios florestais em suas teleconferências de resultados do segundo trimestre de 2026, o maior percentual já registrado. O movimento reflete a intensificação das ondas de calor que atingem o continente, considerado atualmente a região que mais aquece no mundo. Os efeitos nos negócios são diversos.

Enquanto alguns segmentos registraram aumento na demanda por produtos ligados à adaptação climática, como ventiladores, equipamentos de refrigeração, protetores solares e sistemas de bombeamento de água, outros setores enfrentaram interrupções operacionais, redução da produtividade e maiores custos. Empresas de construção, infraestrutura, agricultura e serviços públicos relataram impactos diretos das temperaturas elevadas em suas atividades, levando à revisão de processos e à adoção de novas medidas para proteger trabalhadores e operações. Além dos efeitos sobre empresas não financeiras, o tema também avança na agenda de bancos e seguradoras.

A Agência Europeia do Ambiente estima que eventos climáticos extremos tenham causado perdas de cerca de € 200 bilhões na União Europeia entre 2021 e 2024. Diante desse cenário, instituições financeiras estão ampliando análises prospectivas de risco climático, enquanto a Autoridade Bancária Europeia desenvolve metodologias para incorporar o calor extremo aos testes de estresse do setor. A tendência reforça a percepção de que eventos climáticos severos deixaram de ser exceções e passaram a representar um fator estrutural de risco econômico e financeiro.

China avalia sediar a COP33 e mira liderança climática global

A China estuda apresentar candidatura para sediar a COP33, conferência climática da ONU prevista para 2028, após a retirada da Índia da disputa. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, autoridades chinesas avaliam a possibilidade como parte de uma estratégia mais ampla para ampliar a influência do país na governança climática internacional e reforçar o protagonismo de Pequim nas negociações globais relacionadas ao clima e à transição energética.

As discussões, entretanto, ainda estão em fase preliminar e dependem da aprovação das instâncias superiores do governo chinês. O interesse surge em um contexto de indefinição dentro do grupo Ásia-Pacífico, responsável por indicar o anfitrião da conferência.

A desistência da Índia, terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, abriu espaço para novas candidaturas. Paralelamente, a Coreia do Sul também sinalizou que não pretende disputar a sede do evento em razão de compromissos relacionados ao G20 de 2028. A eventual candidatura reforçaria uma posição já relevante da China na agenda climática global. O país lidera investimentos em energias renováveis, veículos elétricos e expansão de fontes não fósseis de energia, mas continua sendo o maior emissor mundial de gases de efeito estufa.

Esse contraste mantém o país sob grande foco internacional, especialmente em temas como financiamento climático e redução do uso de combustíveis fósseis. Caso avance, a COP33 poderá representar uma oportunidade para Pequim ampliar sua influência diplomática, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão por maior alinhamento entre seus compromissos climáticos e a implementação prática de metas de descarbonização.

Fonte: Bloomberg | Data: 26 de agosto de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 26 de agosto de 2026

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