Como construir uma carteira mais resiliente com investimentos em energia?
Confira os destaques do Radar ESG desta semana
Por Comunicação Itaú Asset
EDIÇÃO #39
Em um cenário marcado por choques no mercado de petróleo, tensões geopolíticas e maior volatilidade global, a energia voltou ao centro das decisões estratégicas. Se antes a expansão das fontes renováveis era impulsionada majoritariamente pela agenda climática, hoje ela se consolida como elemento central da segurança energética, resiliência econômica e competitividade. A diversificação do mix energético passou a ser não apenas desejável, mas necessária para países e empresas que buscam estabilidade de custos e previsibilidade de longo prazo.
Esse novo contexto traz implicações diretas para investimentos. A análise do setor de energia vai além dos indicadores financeiros tradicionais e passa a incorporar fatores como robustez contratual, exposição regulatória, infraestrutura de transmissão e capacidade de enfrentar cenários adversos. Temas como curtailment, expansão da rede elétrica, armazenamento por baterias e a crescente demanda de energia associada a data centers e inteligência artificial ganham relevância por seu impacto direto em fluxo de caixa e risco de crédito na ponta das empresas e no retorno ajustado ao risco na ponta do investidor.
Ao mesmo tempo, a construção de carteiras mais resilientes exige uma abordagem abrangente, baseada em diversificação geográfica, tecnológica e por fonte de geração energética. A integração desses fatores permite capturar oportunidades estruturais do setor elétrico, ao mesmo tempo em que mitiga riscos associados à volatilidade macroeconômica e às transformações do sistema energético global, e alinhando com geração de externalidades socioambientais positivas no caso dos fundos Active Fix ESG e Horizonte.
Transição energética e energia Global: China e Índia lideram virada estrutural com queda no uso de fósseis e avanço das renováveis
Em 2025, China e Índia impulsionaram um ponto de inflexão na matriz energética global ao reduzirem conjuntamente 108 TWh na geração elétrica a partir de combustíveis fósseis, enquanto aceleraram o crescimento de fontes renováveis, especialmente solar e eólica. No período, as renováveis alcançaram 33,8% da geração global de eletricidade, superando o carvão (33,0%) pela primeira vez, em um marco histórico da transição energética. Na China, a geração fóssil recuou 0,9%, com destaque para a expansão da solar (+40%), responsável por cerca de dois terços do aumento da demanda energética. Já na Índia, a queda de 3,3% na geração fóssil foi acompanhada por crescimento de 24% nas renováveis. Globalmente, solar e eólica responderam por 99% do crescimento da demanda, enquanto a geração a carvão caiu 63 TWh, reforçando a mudança estrutural no setor elétrico. Apesar disso, fósseis ainda representam parcela relevante da matriz, 58% na China e 73% na Índia, indicando transição desigual, porém consistente.
Fonte: ESG News
Energia solar e baterias reduzem dependência do diesel na Amazônia
A expansão de microrredes com energia solar e baterias começa a transformar de forma estrutural a realidade de comunidades isoladas na Amazônia, reduzindo a dependência histórica de geradores a diesel, ampliando o acesso à eletricidade contínua e diminuindo emissões de gases de efeito estufa. Hoje, milhares de localidades fora do Sistema Interligado Nacional ainda dependem de um modelo caro e altamente poluente, sustentado por cerca de 160 usinas termelétricas locais e por subsídios públicos estimados em US$ 2,4 bilhões por ano. Nesse contexto, a combinação entre queda nos custos das tecnologias, políticas federais e apoio filantrópico vem viabilizando a implantação de sistemas solares com baterias de lítio, capazes de fornecer energia 24 horas por dia, sem ruído e sem fumaça. Projetos já em operação mostram impactos diretos na qualidade de vida, permitindo refrigeração de alimentos e medicamentos, melhoria nas condições de ensino, estímulo ao turismo local e geração de renda. O avanço ganhou escala com a aprovação, pelo Ministério de Minas e Energia, de um primeiro pacote de 29 projetos que devem atender cerca de 650 mil pessoas e evitar a emissão de aproximadamente 800 mil toneladas de gases de efeito estufa até 2036, além de gerar uma economia estimada de US$ 171 milhões em subsídios ao diesel. A experiência evidencia não apenas os ganhos ambientais e sociais da transição energética na região, mas também o alto custo econômico de manter sistemas isolados baseados em combustíveis fósseis, reforçando o potencial das renováveis descentralizadas como solução estratégica para a Amazônia.
Fonte: Bloomberg Línea
Transição energética e governança climática global: conferência na Colômbia expõe desconexão estrutural entre governos e sociedade na agenda de descarbonização
A Primeira Conferência sobre a Transição para Fora dos Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, evidenciou um dos principais pontos cegos da transição energética global: o desalinhamento entre governos e sociedade civil sobre o ritmo e a profundidade das mudanças necessárias. A partir de um mesmo conjunto de contribuições coletadas em consultas abertas, emergiram dois documentos radicalmente distintos, uma síntese oficial, elaborada por governos, que diluiu demandas centrais, e uma declaração paralela da sociedade civil que preservou propostas mais ambiciosas. Entre os pontos excluídos da versão institucional estão medidas-chave como o fim de subsídios públicos aos fósseis, a definição de prazos concretos para eliminação dessas fontes, a rejeição de soluções consideradas insuficientes e o reconhecimento de fatores geopolíticos que perpetuam a dependência energética. O episódio revela limitações estruturais das negociações climáticas internacionais, ainda marcadas por compromissos não vinculantes e pela influência de interesses econômicos, indicando que o principal risco da transição não está na falta de tecnologia ou capital, mas na ausência de alinhamento político e governança efetiva, o que fragiliza a previsibilidade regulatória e reforça a necessidade de análise crítica na alocação de capital em projetos de descarbonização.
Fonte: EXAME
Acompanhe também os principais índices ESG
Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.
A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.
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