Data centers de IA podem gerar investimentos para o Brasil, mas também ampliar riscos climáticos

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Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #53

A expansão da inteligência artificial está cada vez mais conectada com infraestrutura e ilustra um dos principais paradoxos da transição tecnológica. De um lado, a IA cria oportunidades relevantes para ganhos de produtividade, inovação, inclusão digital e desenvolvimento econômico. De outro, amplia a demanda por energia, infraestrutura física e recursos naturais, trazendo novos desafios ambientais e regulatórios.

O debate em torno da instalação de um data center na Amazônia evidencia a necessidade de equilibrar desenvolvimento tecnológico com transparência, planejamento e avaliação de impactos socioambientais. Ao mesmo tempo, estudos indicam que investimentos em infraestrutura digital podem gerar empregos, ativar cadeias produtivas e fortalecer a competitividade do Brasil em uma economia cada vez mais orientada por dados e inteligência artificial.

Essa discussão ganha ainda mais relevância diante dos recordes recentes de temperatura dos oceanos e da crescente evidência dos efeitos das mudanças climáticas. A eletrificação da economia e o crescimento exponencial do processamento de dados reforçam a importância de ampliar a oferta de energia renovável, investir em eficiência energética e desenvolver modelos de governança capazes de conciliar inovação, segurança energética e sustentabilidade.

O tema reforça a importância de acompanhar as oportunidades associadas à revolução da IA e os riscos relacionados ao consumo de energia, à regulação, à resiliência climática e à gestão dos impactos ambientais. Como em outras grandes transformações econômicas, a criação de valor de longo prazo dependerá da capacidade de equilibrar crescimento tecnológico com uma transição sustentável e responsável.

Primeiro data center de IA na Amazônia gera debate sobre impactos climáticos e regulação

A instalação do BEL1, primeiro data center voltado à inteligência artificial da Amazônia, em Belém (PA), colocou em evidência os desafios socioambientais associados à expansão da infraestrutura digital no Brasil. O empreendimento da Elea Data Centers prevê capacidade inicial de 7,5 MW, com potencial de expansão para 100 MW, e tem como objetivo ampliar o acesso da região Norte a serviços de inteligência artificial, computação em nuvem e conectividade.

O projeto é alvo de investigação do Ministério Público do Pará, que questiona a ausência de estudos ambientais e avalia possíveis impactos relacionados à formação de ilhas de calor, aumento de ruídos e efeitos sobre comunidades próximas. Especialistas destacam que data centers demandam elevado consumo de energia e geram calor continuamente, exigindo sistemas permanentes de resfriamento.

A discussão também evidencia uma lacuna regulatória: atualmente não existem normas ambientais específicas para data centers no país. Órgãos ambientais estaduais e municipais informaram não possuir processos de licenciamento em andamento para o empreendimento, enquanto a empresa afirma que os estudos necessários estão em elaboração.

Além dos aspectos ambientais, o debate envolve temas como soberania digital, infraestrutura tecnológica regional e governança do desenvolvimento da inteligência artificial. Especialistas defendem maior transparência, participação social e mecanismos que assegurem benefícios locais, conciliando inovação tecnológica com gestão de riscos ambientais e climáticos.

FGV: data centers com IA podem gerar mais de 12 mil empregos e mobilizar R$ 25 bilhões

Estudo da FGV Projetos aponta que o Brasil reúne condições para se consolidar como um hub internacional de infraestrutura digital na era da inteligência artificial. Segundo o levantamento, fatores como matriz elétrica predominantemente renovável, posição geográfica estratégica, mercado interno relevante e crescimento da demanda por computação em nuvem fortalecem a competitividade do país na atração de investimentos para data centers.

A pesquisa estima que a implantação de um único data center voltado à inteligência artificial pode mobilizar cerca de R$ 25 bilhões em investimentos totais e gerar aproximadamente 12.560 empregos diretos e indiretos durante a fase de construção e implementação. Desse total, cerca de 1.860 vagas seriam permanentes, associadas à operação, manutenção e serviços de apoio.

Utilizando metodologia de matriz insumo-produto, o estudo conclui que os impactos econômicos vão além do setor de tecnologia, alcançando segmentos como energia elétrica, telecomunicações, construção civil, logística e serviços especializados. Os resultados apontam um efeito multiplicador relevante sobre renda, produção e emprego, com reflexos distribuídos em diferentes cadeias produtivas da economia.

A análise também identifica desafios para a expansão do setor, incluindo carga tributária elevada, necessidade de maior coordenação institucional, previsibilidade regulatória e planejamento energético. Entre as recomendações estão incentivos à internalização da cadeia produtiva, fortalecimento da governança regulatória e adoção de políticas que ampliem a competitividade brasileira na economia digital.

Temperatura dos oceanos atinge novo recorde histórico em julho

A temperatura média da superfície dos oceanos extrapolares alcançou 20,96°C em julho, estabelecendo um novo recorde histórico, segundo dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. O resultado supera a máxima anterior registrada em 2023 e reflete o avanço do aquecimento global combinado aos efeitos do fenômeno El Niño, que deve se intensificar nos próximos meses.

Além do Pacífico Tropical, regiões do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental também registraram temperaturas recordes, contribuindo para a ocorrência de ondas de calor marinhas com potenciais impactos sobre ecossistemas e comunidades costeiras. O relatório relaciona o fenômeno ao aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos observados em diferentes partes do mundo.

Na Europa Ocidental, o período entre junho e julho foi o mais quente desde o início das medições, acompanhado por condições severas de seca. Países como França, Espanha, Alemanha e Reino Unido enfrentaram redução de chuvas, queda da umidade do solo e diminuição da vazão de importantes rios, afetando abastecimento de água, irrigação e geração de energia.

O boletim destaca ainda a relação entre temperaturas elevadas, secas prolongadas e aumento do risco de incêndios florestais. Segundo especialistas do Copernicus, o cenário reforça a influência das mudanças climáticas na intensificação de eventos extremos e nos desafios para adaptação de setores econômicos e sistemas naturais.

Fonte: Bloomberg | Data: 12 de agosto de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 12 de agosto de 2026

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