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Earnings Season: a temporada de divulgação de resultados das empresas

Expectativas para os resultados do terceiro trimestre foram revisadas para baixo, mas ainda projetam crescimento de lucros

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Giovanni Vescovi

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Nesta sexta-feira, 14, tem início a temporada de divulgação de resultados do terceiro trimestre das empresas que compõem o S&P500. Tradicionalmente, o mercado acompanha com muita atenção a divulgação desses números e, principalmente, o conference call que se segue, no qual os principais executivos passam maiores detalhes sobre os resultados, as principais linhas de negócio, a saúde da empresa e as perspectivas para o futuro.

As expectativas dos analistas têm sido revisadas para baixo à medida que se tornam mais claros os desafios macroeconômicos que se avizinham com a necessidade de se controlar a inflação, seja por conta do aumento das taxas de juros, o que aumenta o custo financeiro das empresas, seja pela consequente desaceleração da economia, que reduz a demanda agregada. Mas, apesar dessas revisões mais conservadoras das expectativas de lucros das empresas, a previsão ainda é de crescimento na comparação com o ano passado.

O que deve impactar os preços

Nos últimos trimestres, o histórico tem sido de surpresas positivas, com as empresas se beneficiando da alavancagem operacional proporcionada por um ambiente inflacionário. É bem possível que muitas empresas ainda estejam se beneficiando dessa condição, afinal a inflação segue elevada no mundo todo.

Ou seja, apesar dos desafios mais para frente, é bem possível que os resultados atuais ainda sejam bons. Portanto, os analistas estarão muito mais atentos aos comentários dos executivos no conference call do que aos números do terceiro trimestre em si.

Obviamente não devemos ignorar os números, pelo contrário. Ações de empresas que surpreenderem negativamente devem sofrer bastante. Afinal, se mesmo com a economia em pleno emprego e com os consumidores ainda com poupança acumulada o resultado vier ruim, não vai ser no curto prazo que a coisa vai melhorar.

Mas vai ser difícil esperar uma reação positiva do mercado no caso de números bons, se o guidance em relação às perspectivas for revisado para baixo pelos executivos das empresas.

A única narrativa que ainda sustenta uma visão mais otimista dos investidores tem sido a da resiliência da economia americana e dos lucros das empresas. Já existe quase um consenso de que as medidas necessárias para domar a inflação devem causar desaceleração da economia e destruição de demanda, o que, por sua vez, deverá fazer com que os lucros das empresas caiam.

Mas há grande incerteza quanto à magnitude desse impacto, e é preciso considerar a possibilidade de que, mesmo com uma recessão moderada, o impacto no lucro das empresas seja muito baixo.

De olho nos semicondutores

A empresa taiwanesa TSMC é a maior empresa de semicondutores do mundo. O preço das ações da TSMC já vinha sofrendo queda, porém mais moderada que outras empresas do setor. A tecnologia de ponta da TSMC garante a ela uma posição privilegiada, de modo que ela é vista como um barômetro para a indústria de tecnologia.

Nessa semana, no entanto, as ações da TSMC sofreram uma queda de -8.3% num único dia, a maior de sua história. A razão para o tombo foi a imposição de restrições do governo norte-americano contra o fornecimento de chips de ponta para empresas chinesas.

Em tese, isso deveria ser visto como um problema da China. Mas um problema chinês, como sabemos, é um problema de todos. Sem poder acessar um mercado consumidor tão grande, planos de investimentos da indústria de semicondutores deverão ser cancelados, e empresas americanas também vão vender menos.

Se a TSMC é vista como um barômetro para a indústria de tecnologia, uma queda monumental de -8.3% num único dia não pode ser um bom sinal. Empresas de tecnologia possuem um peso relevante no S&P500 e muita atenção será dada ao que vão dizer os executivos da Apple, Nvidia, Qualcomm, AMD, entre outras.

Uma chance de rali

Considerando que a barra já está baixa, que o sentimento dos investidores está em níveis extremamente pessimistas e que nos trimestres mais recentes as empresas apresentaram surpresas positivas que geraram pequenos ralis no mercado, é bem possível que vejamos algum movimento especulativo no curto prazo.

Mas, assim como os outros que vimos ao longo desse ano, se tivermos um rali, deverá ser de curto prazo.

Este texto foi orginalmente publicado no aplicativo do íon Itaú, na coluna Investida de Mestre. Baixe o app do Íon para ler este e outros textos sobre economia, investimentos e mercado financeiro.