El Niño ganha força e expõe os novos riscos para a economia global

Confira os destaques desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #47

A expectativa do El Niño 2026-2027 traz uma dimensão concreta e imediata para um tema que, por muitos anos, foi tratado majoritariamente sob uma ótica de projeções: o risco climático. Os efeitos esperados, seca no Norte e Nordeste, pressão hídrica, aumento de queimadas, ondas de calor no Sudeste e eventos extremos no Sul, reforçam que a materialização desses riscos não é mais uma possibilidade futura, mas uma realidade que impacta diretamente a atividade econômica, a infraestrutura e o comportamento dos mercados.

Esse cenário evidencia como eventos climáticos extremos têm potencial de atuar como choques exógenos relevantes, afetando cadeias produtivas, pressionando custos, especialmente em energia, alimentos e logística, e ampliando a volatilidade de diferentes classes de ativos. Em paralelo, respostas estruturais começam a ganhar escala, com maior coordenação de políticas públicas, avanço de instrumentos financeiros e crescente necessidade de investimentos em adaptação.

Para o investidor, o El Niño funciona como um ponto de inflexão importante: ele transforma um conceito amplo de risco ESG em um vetor mensurável e com efeitos diretos sobre retornos. Setores mais expostos a riscos físicos tendem a apresentar maior sensibilidade a esses eventos, enquanto oportunidades emergem em áreas ligadas à resiliência climática, infraestrutura, eficiência energética e soluções ambientais.

Nesse contexto, reforçamos a importância de incorporar de forma consistente a análise de riscos climáticos na construção de portfólios. A combinação entre eventos extremos mais frequentes e o avanço da agenda de transição climática tende a redefinir dinâmicas setoriais e fluxos de capital. Seguimos monitorando esses desenvolvimentos, com foco em equilibrar mitigação de riscos e captura de oportunidades, buscando preservar e gerar valor para nossos clientes em um ambiente cada vez mais influenciado pelo clima. Em nosso processo de investimentos integramos mudanças climáticas como parte de nosso framework proprietário. Confira os White Papers em nosso site para mais detalhes:

https://www.itauassetmanagement.com.br/sobre-nos/investimento-responsavel/

White Paper Renda Variável:

https://assetfront.arquivosparceiros.cloud.itau.com.br/ISG/White_Paper_ESG_Equities_Portugues.pdf

White Paper Renda Fixa

https://assetfront.arquivosparceiros.cloud.itau.com.br/ISG/White_Paper_ESG_RF_Portugues.pdf

Mudanças climáticas: Ministério da Saúde lança plano para enfrentar El Niño

O Ministério da Saúde anunciou um plano de R$ 9,8 bilhões até 2035 para preparar o sistema público de saúde para os impactos do El Niño 2026-2027 e de eventos climáticos extremos, por meio do programa AdaptaSUS. A estratégia inclui cinco frentes principais: monitoramento e alerta, coordenação entre entes federativos, comunicação, fortalecimento da capacidade de atendimento e garantia de insumos essenciais.

Entre as iniciativas estão a criação de um painel nacional de excesso de calor com alertas antecipados, centros integrados de saúde e clima e expansão da Força Nacional do SUS, aumentando significativamente a capacidade de resposta a emergências.

O fenômeno climático deve gerar impactos econômicos e sociais relevantes no Brasil, incluindo seca no Norte e Nordeste, aumento de incêndios, pressão sobre o abastecimento hídrico e agrícola, além de enchentes no Sul. Nas regiões urbanas, ondas de calor elevam o consumo de energia e pressionam infraestrutura.

O plano indica maior integração entre clima, saúde e gestão pública, e evidencia que eventos climáticos terão efeitos diretos sobre cadeias produtivas, logística, energia e custos operacionais. A antecipação e mitigação desses efeitos tornam-se elementos centrais para planejamento econômico e gestão de risco.

Semana do Clima em Londres, sob onda de calor, destaca a necessidade de ações mais rápidas

A Semana de Ação Climática de Londres foi marcada por uma onda de calor extrema que evidenciou, na prática, os riscos associados às mudanças climáticas, incluindo o cancelamento de eventos por riscos à saúde pública em edifícios sem estrutura de refrigeração. O episódio reforçou a necessidade de acelerar investimentos em adaptação, tema central das discussões que reuniram mais de 75 mil participantes entre governos, empresas e investidores.

Especialistas destacaram que eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e enchentes, estão se tornando mais frequentes e afetam de forma desproporcional países em desenvolvimento, ampliando riscos sistêmicos. Há também pressão crescente para que mercados financeiros passem a tratar resiliência climática como um ativo, com potencial de geração de retorno e redução de perdas econômicas futuras.

O secretário-geral da ONU e outros líderes defenderam maior financiamento, inclusive via taxação de lucros extraordinários de empresas de combustíveis fósseis. Relatórios indicam aumento significativo de mortes relacionadas ao calor e a necessidade de investimentos anuais bilionários para adaptação, especialmente no Reino Unido. O evento reforça a crescente convergência entre riscos climáticos físicos e decisões de investimento, com implicações diretas para precificação de ativos, infraestrutura e cadeias produtivas.

Secretário-geral da ONU afirma que riscos climáticos precisam ser prioridade de ministros das finanças

O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu que os riscos climáticos devem ser incorporados como prioridade central nas políticas econômicas e financeiras, com maior protagonismo de Ministros, bancos centrais e autoridades de investimento. Segundo ele, a adaptação às mudanças climáticas segue subfinanciada, apesar da crescente ocorrência de eventos extremos como secas e inundações, que impactam diretamente economias e sociedades.

O discurso foi reforçado durante a Semana de Ação Climática de Londres, onde líderes globais discutiram a necessidade de integrar o risco climático à formulação de políticas fiscais e regulatórias.

Para enfrentar esse desafio, Guterres aponta a necessidade de ampliar o financiamento para adaptação climática por meio de uma combinação de instrumentos, incluindo tributação sobre lucros extraordinários de empresas de combustíveis fósseis, aumento do papel dos bancos multilaterais de desenvolvimento e uso de estruturas de financiamento misto para mobilizar capital privado. Países em desenvolvimento são destacados como os mais vulneráveis e, ao mesmo tempo, os menos preparados para lidar com esses impactos.

As estimativas indicam que esses países precisarão de até US$ 365 bilhões por ano até 2035 para adaptação climática, enquanto os recursos atualmente mobilizados permanecem significativamente abaixo desse nível. Nesse contexto, o fortalecimento do papel do sistema financeiro na alocação de capital para projetos de resiliência climática é visto como elemento essencial para reduzir vulnerabilidades e mitigar riscos econômicos associados às mudanças climáticas.

Fonte: Bloomberg | Data: 24 de julho de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 01 de julho de 2026

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