IA em relatórios ESG, perda de água no Brasil e custos globais de desastres climáticos

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #36

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

O Radar ESG desta semana reúne discussões sobre o uso de inteligência artificial em relatórios de sustentabilidade, os efeitos da redução da disponibilidade de água no Brasil, a expansão do financiamento público‑privado para projetos verdes e os custos crescentes dos desastres naturais no cenário global.

IA em relatórios ESG aumenta velocidade e dados, mas especialistas apontam que supervisão humana ainda é essencial

O uso de inteligência artificial em relatórios ESG está em rápida expansão, com empresas adotando ferramentas que ajudam a processar grandes volumes de dados, interpretar informação não estruturada e identificar padrões para cumprir normas. A ideia é promissora e tem sido amplamente adotada em um cenário de aumento da regulação sobre temas ESG, como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) e a Corporate Sustainability Due Diligence Directive da União Europeia.

A IA auxilia na comparação de divulgações, no rastreamento de dados em várias fontes e na identificação de inconsistências, especialmente em áreas desafiadoras como as emissões de escopo 3. Apesar das vantagens, o artigo destaca que a dependência excessiva da tecnologia pode gerar resultados imprecisos quando modelos são mal calibrados ou quando dados automatizados não conseguem substituir informações diretas.

Há riscos relacionados ao uso de dados desatualizados, a resultados conflitantes entre modelos e à sobrecarga de informação. Especialistas alertam ainda para a possibilidade de redução da qualidade dos relatórios caso a tecnologia não seja bem gerida. A avaliação é que a IA deve atuar como ferramenta complementar, com profissionais capacitados responsáveis por supervisionar e validar os resultados, garantindo que a informação publicada seja auditável, confiável e útil para investidores, reguladores e stakeholders. A integração cuidadosa entre IA e julgamento humano é apontada como essencial para fortalecer a transparência, a comparabilidade e a integridade dos relatórios ESG.

Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água natural no último ano

O Brasil registrou a perda de 400 mil hectares de superfície de água natural apenas no último ano, de acordo com dados do MapBiomas Água, evidenciando um cenário de retração hídrica severa no país. A área perdida equivale a mais do que duas vezes a cidade de São Paulo e integra uma tendência de declínio contínuo que já soma mais de 2 milhões de hectares desde 1985.

A situação é especialmente crítica na Grande São Paulo, onde mananciais como Cantareira e Alto Tietê operam com menos de 27% da capacidade, o que levou autoridades estaduais a adotarem medidas de redução de pressão na distribuição de água. Boletim do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que os níveis podem cair ainda mais nos próximos meses, caso as chuvas continuem abaixo da média.

O levantamento relaciona o fenômeno à combinação de secas intensas associadas ao La Niña e ao aquecimento global, que contribui para eventos extremos, evaporação acelerada e maior instabilidade climática. O desgaste hídrico afeta não apenas o abastecimento urbano, mas também a agricultura, os ecossistemas e a economia, elevando o risco de crises mais amplas em 2026, caso medidas de adaptação e gestão sustentável não avancem.

Programa Eco Invest Brasil encerra 2025 com R$ 14 bilhões em financiamentos para projetos sustentáveis

O Programa Eco Invest Brasil, liderado pelo governo federal, encerrou 2025 com mais de R$ 14 bilhões em financiamentos destinados a projetos ligados à transição ecológica e à sustentabilidade, consolidando-se como um dos maiores mecanismos de financiamento verde do país.

O programa opera com um modelo de financiamento misto (blended finance), que combina capital público e privado para ampliar a participação de investidores e reduzir riscos de mercado. Esse modelo tem sido considerado fundamental para a mobilização de capital institucional, tanto doméstico quanto estrangeiro.

Entre os projetos financiados estão iniciativas de economia circular, infraestrutura verde, bioeconomia e saneamento, com potencial de beneficiar milhões de pessoas. O Eco Invest Brasil também realizou leilões voltados à recuperação de terras degradadas e à mobilização de investimentos em empresas sustentáveis, reforçando seu papel estratégico na transformação ecológica do país.

Desastres naturais custaram US$ 224 bilhões em 2025 e reforçam urgência de adaptação climática

Em 2025, os desastres naturais geraram perdas econômicas globais de US$ 224 bilhões, segundo estudo recente, evidenciando a escalada dos riscos climáticos. Eventos considerados secundários, como incêndios florestais, tempestades severas e enchentes, responderam por US$ 166 bilhões do total, superando médias históricas e destacando a pressão sobre economias e sistemas de proteção.

O incêndio em Los Angeles foi o desastre mais caro do ano, com US$ 53 bilhões em prejuízos e 30 mortes. Tempestades extremas nos Estados Unidos e furacões atípicos no Caribe ampliaram os impactos econômicos. No Sudeste Asiático, ciclones e um terremoto devastador em Myanmar contribuíram para US$ 73 bilhões em perdas, em grande parte sem cobertura por seguros.

Apesar de os seguros cobrirem cerca de 50% das perdas globais, a lacuna de proteção permanece elevada, especialmente em regiões mais vulneráveis. Com 17.200 mortes registradas em 2025 — aumento de 56% em relação a 2024 —, o relatório aponta que o aquecimento global tem intensificado a frequência e a severidade dos eventos extremos, ampliando os desafios relacionados à adaptação, infraestrutura e gestão de riscos.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 08 de abril de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 15 de abril de 2026

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