Investidores elevam exigências sobre qualidade dos créditos de carbono

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Por Comunicação Itaú Asset

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EDIÇÃO #50

Os mercados de carbono vêm se consolidando como um dos principais instrumentos da transição para uma economia de baixo carbono. De forma geral, esses mercados atribuem valor econômico à redução ou à remoção de emissões de gases de efeito estufa, criando incentivos para que empresas, governos e proprietários de ativos naturais invistam em projetos de descarbonização. Hoje, além do mercado voluntário, diversos países avançam na implementação de sistemas regulados que incorporam o custo das emissões às decisões econômicas.

À medida que esses mercados amadurecem, a discussão evolui para além do volume de créditos gerados e passa a abranger temas como integridade ambiental, governança e transparência. A qualidade dos projetos, a comprovação de que as reduções de emissões são efetivamente adicionais e permanentes, e o respeito aos direitos de comunidades impactadas tornam-se fatores centrais para a credibilidade dos créditos e para a confiança dos investidores.

Projetos com governança robusta, maior rastreabilidade e benefícios socioambientais comprovados tendem a atrair mais demanda e formar melhores preços. Por outro lado, créditos associados a questionamentos sobre metodologias, monitoramento ou direitos fundiários podem gerar riscos reputacionais relevantes para compradores, financiadores e demais participantes da cadeia, ampliando a preocupação com possíveis casos de greenwashing.

Outro elemento relevante é a formação de preços. Movimentos regulatórios, como a recente revisão do mercado europeu de emissões, demonstram que decisões de política pública influenciam diretamente os incentivos econômicos para a descarbonização. Ao mesmo tempo, estudos indicam que empresas que adotam medidas para reduzir emissões podem capturar ganhos financeiros relevantes por meio de eficiência operacional, redução de desperdícios e mitigação de riscos climáticos. Nesse ambiente, compreender os mecanismos dos mercados de carbono, seus critérios de qualidade e seus impactos econômicos torna-se cada vez mais importante para a avaliação de oportunidades e riscos de investimento

Governo prepara diretrizes para créditos de carbono em terras públicas

O governo federal criou um grupo de trabalho liderado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente para definir diretrizes para o desenvolvimento de projetos de créditos de carbono em terras públicas, incluindo unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos rurais e florestas públicas.

A iniciativa busca enfrentar entraves jurídicos, fundiários, ambientais e institucionais que ainda limitam a expansão desse mercado, com foco na segurança jurídica, na integridade socioambiental e na garantia dos direitos de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. O grupo reúne diferentes órgãos federais e pretende apresentar, em setembro, recomendações para harmonizar regras e orientar futuras decisões institucionais.

Entre as referências analisadas está a concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, primeiro leilão de terras da União voltado à geração de receitas com créditos de carbono. As discussões também incluem mecanismos para melhorar a governança dos projetos, ampliar a transparência e preparar a integração entre o mercado voluntário e o futuro Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), previsto para iniciar obrigações regulatórias a partir de 2030.

União Europeia flexibiliza mercado de carbono para apoiar indústria

A Comissão Europeia propôs uma ampla revisão do Sistema de Comércio de Emissões (ETS), principal instrumento climático da União Europeia, com medidas que reduzem o ritmo de queda das emissões exigidas da indústria e ampliam o apoio financeiro para investimentos em tecnologias de baixo carbono.

A proposta busca conciliar a meta climática de redução de 90% das emissões líquidas até 2040 com preocupações de competitividade levantadas por setores industriais e governos nacionais.

Entre as mudanças estão a desaceleração da redução anual do teto de emissões, a exigência de que parte das receitas do ETS seja destinada à descarbonização industrial e a extensão, até 2038, da concessão de permissões gratuitas para setores como aço e cimento. A medida também posterga a implementação integral do mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da UE.

Embora a proposta possa direcionar centenas de bilhões de euros para investimentos industriais, críticos alertam que o afrouxamento das regras pode reduzir os incentivos à descarbonização. O ETS responde atualmente por cerca de 40% das emissões europeias e já contribuiu para cortar pela metade as emissões dos setores cobertos desde 2005

Empresas economizaram até US$ 94 bilhões com ações de descarbonização, diz CDP

Empresas de médio e grande porte economizaram entre US$ 80 bilhões e US$ 94 bilhões desde 2024 por meio de medidas voltadas à redução de emissões, segundo relatório do CDP. O levantamento, baseado em informações reportadas por companhias que representam cerca de dois terços da capitalização global de mercado, reforça a percepção de que a agenda climática deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se consolidar como estratégia de geração de valor e mitigação de riscos financeiros.

As economias foram impulsionadas principalmente por iniciativas de redução de resíduos, reaproveitamento de materiais e eficiência energética. O estudo aponta que cada dólar investido em ações para enfrentar riscos climáticos físicos pode gerar retorno médio de até US$ 10, chegando a US$ 64 no setor financeiro.

Além da redução de custos operacionais, as empresas evitam despesas futuras relacionadas à transição para uma economia de baixo carbono. O CDP estima que a falta de gestão adequada dos riscos climáticos, hídricos e florestais pode resultar em perdas acumuladas de até US$ 1,77 trilhão até 2040, reforçando a relevância econômica da adaptação e da descarbonização empresarial.

Fonte: Bloomberg | Data: 22 de julho de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 22 de julho de 2026

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