Leilões de baterias podem abrir novo mercado para a infraestrutura energética no Brasil

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Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #56

A discussão sobre baterias revela uma nova fase mais madura do tema no Brasil. O desafio não é apenas ampliar a geração renovável, mas aproveitar essa energia com mais eficiência, previsibilidade e valor para o sistema. Quando a produção cresce mais rápido do que a capacidade de escoamento e de consumo, o armazenamento deixa de ser uma aposta tecnológica e passa a ser parte da solução de mercado.

É por isso que a pauta dos leilões de baterias é tão relevante. Ela combina regulação, infraestrutura e investimento em um mesmo movimento. Se os primeiros passos avançarem com regras claras, o país pode abrir espaço para uma nova indústria, além de reduzir perdas associadas a cortes de geração e dar mais flexibilidade à operação do sistema elétrico. Para quem investe, isso significa observar não só o potencial de retorno, mas também a forma como a infraestrutura, a rede e a demanda vão se ajustar.

A notícia também reforça uma mudança importante: a energia renovável precisa vir acompanhada de planejamento. Baterias não resolvem tudo sozinhas, mas ajudam a deslocar energia no tempo e a suavizar a intermitência. Em outras palavras, são um instrumento para transformar capacidade instalada em entrega efetiva de energia.

Na Itaú Asset, essa leitura conversa com a forma como a gestora integra questões ambientais, sociais e de governança ao processo de investimento e atua no universo de investimento responsável. Estamos em um momento em que se conclui que a transição não depende só de metas, mas de execução, regulação e alocação de capital.

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SAF deve ser obrigação para 12 empresas em 2027, diz Anac

A Anac estima que 12 operadores aéreos deverão passar a usar combustível sustentável de aviação, o SAF, a partir de 2027. O critério em estudo é o de companhias que emitem mais de 10 mil toneladas de CO2 por ano em voos domésticos, o que inclui não só as grandes aéreas de passageiros, mas também empresas de carga e táxi aéreo.

A agência deve colocar em consulta pública, em setembro, as regras do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação ProBioQAV, programa criado pela Lei do Combustível do Futuro, que prevê redução de 1% nas emissões a partir de 2027.

A Anac ainda vai definir como as empresas comprovarão a compra de SAF, como será calculada a redução de carbono e quais multas serão aplicadas em caso de descumprimento. Para a audiência de investimentos, o tema importa porque antecipa custo regulatório, pressão sobre cadeias de suprimento e necessidade de capital para um insumo ainda mais caro e escasso que o querosene fóssil.

Nepal estima até US$ 5 bi para reconstrução após tragédia e cobra financiamento climático

O Nepal tenta dimensionar o custo humano e econômico de um desastre provocado pelo colapso de uma geleira no Himalaia, que desencadeou uma avalanche de gelo, rochas e lama. O país chegou a 675 mortos e quase 3 mil desaparecidos, enquanto o ministro das Finanças estima que a reconstrução pode exigir entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, algo próximo de 10% da economia nepalesa. Além da emergência imediata, a matéria destaca a vulnerabilidade climática do país, responsável por menos de 0,01% das emissões globais, mas muito exposto aos impactos do aquecimento.

O texto também chama atenção para a demora do financiamento internacional: um projeto do Fundo Verde para o Clima voltado a reduzir riscos de inundações ligadas a lagos glaciais levou mais de sete anos para ser aprovado. O ponto central é o custo crescente da adaptação climática em países emergentes e a distância entre a urgência dos eventos extremos e a velocidade do capital disponível.

Com R$ 20 bi em jogo, Aneel começa a discutir regras para leilão de baterias

A Aneel abriu a etapa regulatória dos primeiros leilões brasileiros para contratação de sistemas de armazenamento em baterias em grande escala, com disputa marcada para dezembro e potencial de movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 20 bilhões, segundo projeção citada na reportagem.

O tema ganhou força porque o avanço da geração renovável no país veio acompanhado de um problema cada vez mais visível: o curtailment, que é o corte ou a limitação da energia que poderia ser gerada, mas não consegue ser escoada ou aproveitada pelo sistema elétrico em determinado momento. Em outras palavras, o país tem mais capacidade de produzir do que a rede consegue receber, transportar ou consumir com segurança em alguns horários.

É justamente aí que as baterias entram como ferramenta importante. Ao armazenar a energia quando há excesso e liberá-la depois, elas ajudam a reduzir desperdícios, aliviar gargalos da rede e dar mais flexibilidade ao sistema. Isso não resolve tudo sozinho, mas melhora a viabilidade de novos projetos, porque aumenta a chance de a energia contratada virar energia efetivamente entregue.

O interesse do mercado já aparece no cadastro da EPE, que recebeu 6.091 projetos, somando 296,8 GW de potência declarada. Ainda assim, a reportagem destaca que esse volume não significa execução automática, já que a capacidade real de escoamento e o prazo de implantação continuam como dúvidas centrais. A previsão é que a nota técnica sobre o SIN saia em 28 de setembro, os editais em 29 de outubro e a habilitação técnica em 17 de novembro.

Fonte: Bloomberg | Data: 02 de setembro de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 02 de setembro de 2026

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