O custo invisível da IA: energia, eficiência e o futuro da operação

Confira os destaques desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #44

O avanço da inteligência artificial inaugura um novo ciclo de produtividade e transformação digital, ao mesmo tempo em que amplia de forma significativa os desafios relacionados ao consumo energético e à eficiência operacional. O crescimento acelerado de data centers, infraestrutura digital e processamento intensivo de dados tem impulsionado a demanda global por eletricidade, reforçando a necessidade de alinhar inovação tecnológica com responsabilidade ambiental.

Nesse contexto, a convergência entre IA e transição energética deixa de ser apenas uma agenda ESG e passa a representar um dos principais vetores de crescimento econômico global, com impactos diretos sobre fluxos de capital, decisões de investimento e competitividade de longo prazo.

Na América Latina, esse movimento evidencia um desafio estrutural relevante: o descompasso entre geração, transmissão e armazenamento de energia. Apesar do avanço consistente das fontes renováveis, limitações na infraestrutura elétrica têm gerado perdas significativas e reduzido a eficiência dos investimentos realizados. Isso reforça que, para capturar plenamente o valor da transição energética, é necessário um avanço coordenado em toda a cadeia, não apenas na expansão da geração, mas também no fortalecimento das redes e no desenvolvimento de soluções de armazenamento.

Esse cenário vem redirecionando os investimentos para ativos e tecnologias capazes de endereçar esses gargalos, como redes inteligentes, baterias, gestão energética e soluções integradas de eficiência operacional. Para os clientes, isso se traduz em impactos concretos, tanto do lado de risco quanto de oportunidade. Por um lado, o aumento da demanda energética e as limitações estruturais tendem a pressionar custos e reduzir a previsibilidade no fornecimento. Por outro, a alocação de capital em soluções mais eficientes, seja via contratos estruturados, autoprodução, armazenamento ou otimização do consumo com apoio da própria IA, pode gerar ganhos relevantes de eficiência, competitividade e resiliência.

Dessa forma, clientes que conseguirem se posicionar estrategicamente diante dessa nova dinâmica, acompanhando os movimentos de investimento e incorporando a agenda energética às decisões de negócio, estarão mais preparados para capturar valor no longo prazo, reduzir exposição a riscos operacionais e se beneficiar desse novo ciclo global que conecta tecnologia, energia e sustentabilidade.

O novo “tsunami” da IA que pode destravar US$ 5 trilhões na economia global

A combinação entre o avanço acelerado da inteligência artificial e a transição energética está impulsionando o maior ciclo de investimentos da economia global, com potencial de destravar até US$ 5 trilhões até o fim da década. Enquanto gigantes de tecnologia ampliam fortemente seus aportes em IA, com investimento de capital de hyperscalers (grandes empresas de tecnologia que oferecem infraestrutura de computação em nuvem em escala massiva) podendo ultrapassar US$ 1 trilhão ao ano, o setor energético emerge como vetor ainda mais estrutural, sustentado por três forças principais: segurança energética, crescimento da demanda por eletricidade e descarbonização.

O aumento de consumo ligado à eletrificação da economia e à expansão de data centers reforça essa dinâmica. Empresas industriais e de infraestrutura já capturam benefícios, com gargalos de oferta elevando poder de precificação, como o caso das turbinas a gás, esgotadas até 2030. Paralelamente, fabricantes de semicondutores ligados à IA devem manter margens robustas diante da forte demanda.

O cenário aponta para um grande ciclo de capital de longo prazo, com impactos relevantes sobre cadeias produtivas, inflação de ativos e estratégias de investimento, posicionando energia e tecnologia no centro da agenda econômica e ESG global.

Transição energética avança na América Latina, mas ainda esbarra em desperdício

A transição energética na América Latina avança com fortes investimentos em fontes renováveis, mas enfrenta um gargalo crítico de infraestrutura que resulta em desperdício significativo de energia. A falta de redes de transmissão adequadas impede que parte relevante da geração eólica e solar chegue aos consumidores.

Por exemplo, apenas em 2024 o Brasil descartou cerca de 10% da produção eólica e 17% da solar, gerando perdas próximas a R$ 5 bilhões. O descompasso entre expansão da geração e capacidade de escoamento tem intensificado o chamado curtailment, enquanto soluções como baterias de armazenamento ainda avançam lentamente na região. Países como Brasil e Chile começam a estruturar leilões e políticas para mitigar o problema, mas seguem atrás de mercados desenvolvidos.

Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da demanda por energia, impulsionado por eletrificação e data centers, amplia a pressão sobre os sistemas elétricos. O cenário evidencia que a transição energética não depende apenas da expansão de renováveis, mas de planejamento sistêmico que inclua transmissão, armazenamento e segurança energética, sob risco de ineficiência econômica e desafios à confiabilidade do fornecimento.

Governo federal lança 5º leilão do Eco Invest, voltado a inovação em projetos sustentáveis

O governo federal lançou o 5º leilão do programa Eco Invest, iniciativa voltada a impulsionar investimentos sustentáveis e inovadores no Brasil, com foco na mobilização de capital privado para projetos alinhados à agenda climática. A nova rodada busca ampliar o financiamento de soluções em áreas como energia limpa, sistema de baterias, inteligência artificial, fertilizantes verdes, minerais críticos, biocombustível e química verde, utilizando mecanismos que combinam recursos públicos e privados para reduzir riscos e alavancar investimentos.

O programa tem como objetivo aumentar a atratividade de projetos verdes no país, estimulando a participação de instituições financeiras e investidores internacionais. A estratégia reflete o esforço do governo em fortalecer instrumentos financeiros que acelerem a transição energética e o desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo em que posiciona o Brasil como destino relevante para capital voltado à economia de baixo carbono.

O Eco Invest também reforça a integração do país às tendências globais de financiamento climático, criando condições para inovação e escalabilidade de soluções sustentáveis, com impactos potenciais em competitividade, geração de empregos e modernização da infraestrutura.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Investimentos e seus impactos os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 10 de junho de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 10 de junho de 2026

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