O que está mudando na régua de risco dos investidores e das empresas?

Confira os destaques desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #41

O desmatamento tem se consolidado como um dos principais vetores de risco econômico para empresas expostas a cadeias produtivas intensivas em uso do solo. O que antes era tratado majoritariamente como um tema reputacional passa a ter implicações diretas sobre acesso a mercados, estrutura de custos e disponibilidade de financiamento, especialmente em um ambiente de maior integração entre política comercial, regulação financeira e critérios de risco.

Nos mercados internacionais, exigências crescentes de rastreabilidade, conformidade ambiental e origem sustentável vêm condicionando o acesso a compradores estratégicos, linhas de crédito e seguros. Empresas e setores associados à conversão de florestas enfrentam maior risco de restrições comerciais, cancelamento de contratos, exclusão de cadeias globais e aumento do custo de capital, à medida que bancos, investidores e parceiros comerciais ajustam seus modelos de risco para incorporar fatores ambientais de forma mais explícita.

Esse processo gera uma diferenciação cada vez mais clara dentro dos setores. Companhias capazes de demonstrar controle efetivo sobre suas cadeias de suprimento, governança ambiental robusta e estratégias consistentes de mitigação tendem a preservar acesso a mercados e financiamento em condições mais competitivas. Por outro lado, ativos expostos ao desmatamento carregam maior incerteza regulatória e operacional, o que se reflete nos dados financeiros, como spreads mais elevados, covenants mais restritivos e, em geral, menor flexibilidade financeira.

Para o investidor, o desmatamento deixa de ser um risco indireto e passa a influenciar diretamente projeções de fluxo de caixa, nas avaliações de quanto vale uma empresa e na resiliência dos modelos de negócio. Em um cenário de crescente integração entre risco ambiental e risco financeiro, a capacidade de mitigar esse fator torna‑se um elemento central na avaliação de risco-retorno de longo prazo e um diferencial competitivo em mercados cada vez mais seletivos.

Perda de florestas tropicais cai 36% em 2025, mas incêndios climáticos ameaçam avanço

A perda global de florestas tropicais primárias caiu 36% em 2025 em relação ao recorde de 2024, segundo novos dados do World Resources Institute (WRI) e da plataforma Global Forest Watch. O recuo é significativo e indica que políticas públicas mais rigorosas, fiscalização ambiental e coordenação institucional podem gerar resultados concretos na proteção de ecossistemas críticos.

O Brasil teve papel central nesse movimento: o país reduziu em 41% a perda de florestas primárias não associada ao fogo, atingindo o menor nível já registrado, em meio ao fortalecimento de políticas de combate ao desmatamento. Apesar do avanço, o relatório alerta que a tendência ainda é frágil. Em 2025, o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de florestas tropicais primárias (área equivalente ao tamanho da Dinamarca) e o nível de destruição segue cerca de 46% acima do observado há uma década.

O principal fator de risco estrutural passa a ser o aumento dos incêndios florestais impulsionados pelas mudanças climáticas, que já representam uma parcela crescente da perda total e podem reverter rapidamente os ganhos recentes. Para investidores e formuladores de política, o dado reforça que a preservação florestal e o risco climático estão cada vez mais interligados. A redução do desmatamento depende não apenas de enforcement, mas também de investimentos em prevenção de incêndios, adaptação climática e modelos econômicos que valorizem a floresta em pé.

BCE reforça alerta sobre subestimação de riscos climáticos e da natureza no sistema financeiro

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou a versão atualizada de seu manual de boas práticas para a gestão de riscos climáticos e da natureza no sistema financeiro, com um recado direto ao mercado: esses riscos são muito provavelmente subestimados por bancos e investidores. O documento reforça a expectativa de que as instituições financeiras avancem rapidamente na adoção de modelos mais robustos para mensurar tanto os riscos físicos, associados a eventos climáticos extremos, quanto os riscos de transição e aqueles ligados à perda de biodiversidade.

Além do diagnóstico, o BCE detalha como espera que esses fatores sejam incorporados de forma concreta à gestão financeira. Trazem exemplos práticos de integração dos riscos climáticos e ambientais em testes de estresse, carteiras de crédito, processos de concessão e alocação de capital regulatório, sinalizando que o tema deixou de ser conceitual para se tornar operacional.

A mensagem implícita é que falhas na mensuração e na gestão desses riscos podem se traduzir em fragilidades prudenciais relevantes. A iniciativa reforça o papel dos bancos centrais como catalisadores da agenda climática e ambiental no sistema financeiro. Ao elevar o grau de exigência regulatória na Europa, o BCE contribui para estabelecer novos referenciais de mercado que tendem a influenciar práticas globais, especialmente em jurisdições que avançam na integração de riscos climáticos ao arcabouço prudencial, como o Brasil.

No G7 em Paris, Brasil se posiciona como hub estratégico de minerais críticos para a transição energética

Com uma das maiores bases de recursos naturais do mundo, o Brasil busca atrair capital internacional não apenas para a extração, mas para a agregação de valor local, estimulando cadeias industriais associadas à transição energética. A estratégia combina mineração responsável, política industrial e sustentabilidade, conectando o tema dos minerais críticos à bioeconomia, ao agronegócio avançado e à agenda de baixo carbono.

A iniciativa ocorre em um momento de reconfiguração geopolítica das cadeias globais, em que economias desenvolvidas buscam reduzir a dependência da China no fornecimento de insumos essenciais para a transição energética, como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias, painéis solares e veículos elétricos.

O movimento também reforça o papel do Brasil como parceiro estratégico em um cenário global marcado por disputas por segurança energética, descarbonização e resiliência das cadeias produtivas. Ao levar essa agenda ao G7, o país sinaliza previsibilidade, escala e potencial de longo prazo para investidores internacionais.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Investimentos e seus impactos os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 20 de maio de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 20 de maio de 2026

O que achou deste conteúdo?

Clicando aqui, você pode deixar o seu feedback mais detalhado!