Os sinais que estão redesenhando investimentos
Confira os destaques do Radar ESG desta semana
Por Comunicação Itaú Asset
EDIÇÃO #40
Em apenas uma semana, o mercado recebeu sinais inequívocos sobre a direção do investimento sustentável. O Brasil assumiu a presidência de uma coalizão histórica, a qual reúne União Europeia, China e outras economias estratégicas, liderando a construção dos padrões globais dos mercados de carbono. Ao mesmo tempo, a China atingiu um marco simbólico e econômico: pela primeira vez, exportou mais carros elétricos do que modelos movidos a gasolina.
Além disso, na semana tivemos a decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista dos países autorizados a exportar carne. Isso reforça uma tendência crescente de ampliação das barreiras não tarifárias no comércio internacional. Embora o bloco europeu apresente critérios sanitários e de rastreabilidade, o episódio evidencia como requisitos técnicos, ambientais e regulatórios passaram a desempenhar um papel relevante em relação ao acesso a mercados estratégicos.
Nesse contexto, a exigência de rastreabilidade integral da cadeia produtiva, especialmente de proteínas animais, conversa diretamente com a EUDR (European Union Deforestation Regulation), legislação europeia que condiciona importações à comprovação de ausência de desmatamento nas áreas de origem.
Esses movimentos mostram que pontos ambientais, regulatórios e de transição energética são capazes de redefinir cadeias produtivas, fluxos de capital e oportunidades de investimento em escala global.
União Europeia, Brasil e China lançam coalizão aberta para impulsionar integridade e eficácia dos mercados de carbono
A União Europeia, o Brasil e a China anunciaram o lançamento de uma coalizão aberta internacional para fortalecer a integridade e a efetividade dos mercados de carbono, sinalizando um novo esforço de coordenação global na agenda climática. A iniciativa busca promover princípios comuns, boas práticas e cooperação técnica entre países que adotam, ou pretendem adotar, instrumentos de precificação de carbono, como mercados regulados e mecanismos de crédito.
Em um cenário marcado pela fragmentação regulatória e pelo avanço de políticas unilaterais, como o CBAM europeu, a coalizão pretende reduzir assimetrias, aumentar a credibilidade ambiental dos mercados e mitigar riscos de greenwashing e dupla contagem de emissões.
O grupo também enfatiza a importância da transparência, da robustez metodológica e do alinhamento com o Acordo de Paris, reconhecendo diferentes estágios de desenvolvimento econômico. Para o Brasil, a participação reforça o posicionamento estratégico do país como articulador entre economias desenvolvidas e emergentes e como ator relevante na construção de mercados de carbono mais confiáveis e interoperáveis.
China exporta mais carros híbridos do que tradicionais pela primeira vez em abril
A China alcançou, em abril de 2026, um marco simbólico na transição energética global ao exportar, pela primeira vez, mais veículos elétricos e híbridos plug-in do que automóveis movidos a gasolina ou diesel, segundo dados da Associação Chinesa de Veículos de Passageiros (CPCA), repercutidos pelo Valor Econômico.
Os chamados veículos de nova energia (NEVs) responderam por cerca de 52,7% das exportações totais de automóveis do país, impulsionados por forte ganho de escala industrial, competitividade de custos e expansão para mercados internacionais, especialmente na Europa e na Ásia. O avanço ocorre em um contexto de preços elevados do petróleo e de políticas climáticas mais restritivas nos principais mercados consumidores.
Em contraste, o mercado doméstico chinês apresentou retração nas vendas, refletindo a redução de subsídios governamentais e um ambiente macroeconômico mais incerto. O movimento consolida um ponto de inflexão estrutural: a eletrificação deixa de ser apenas uma estratégia de transição e passa a dominar os fluxos globais de comércio automotivo. A liderança chinesa reforça a centralidade dos veículos elétricos na agenda de descarbonização, com impactos diretos sobre cadeias produtivas, política industrial, investimentos e competitividade internacional.
UE exclui Brasil da lista de exportadores de carnes
A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países habilitados a exportar carnes para o bloco, citando exigências sanitárias e de rastreabilidade que ainda não foram plenamente atendidas. A medida afeta principalmente a carne bovina e reforça o aumento do rigor regulatório europeu sobre cadeias produtivas associadas a riscos sanitários, ambientais e de governança.
Segundo autoridades europeias, o foco está no fortalecimento dos controles de origem, no combate a doenças e na garantia de padrões compatíveis com as normas do bloco, cada vez mais alinhadas à agenda ESG. Para o Brasil, a decisão representa um alerta estratégico: além do impacto econômico direto, o episódio evidencia como conformidade regulatória, transparência na cadeia e sustentabilidade tornaram-se pré-requisitos de acesso a mercados relevantes.
O governo brasileiro afirma estar em diálogo com a UE para reverter a decisão e adequar os procedimentos exigidos. O caso reforça que falhas em controles sanitários e de governança podem gerar riscos materiais, afetar competitividade internacional e pressionar empresas e países a acelerar investimentos em rastreabilidade, gestão de riscos e padrões socioambientais mais robustos.
Acompanhe também os principais índices ESG
Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.
A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.
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