Rastreabilidade ganha peso na avaliação de empresas pelos investidores
Confira os destaques desta semana
Por Comunicação Itaú Asset
EDIÇÃO #56
A crescente adoção de requisitos de rastreabilidade e controle socioambiental nas cadeias produtivas globais reforça uma transformação importante no setor privado. A recente repercussão da regulamentação europeia voltada ao combate ao desmatamento evidencia como esses temas estão cada vez mais conectados à competitividade das empresas, ao acesso a mercados e à gestão de riscos corporativos. Mais do que atender a exigências regulatórias específicas, companhias que possuem estruturas robustas de monitoramento, governança e gestão de fornecedores podem estar mais bem posicionadas para responder a um cenário econômico em constante evolução.
Nesse contexto, a rastreabilidade ganha relevância não apenas como ferramenta de conformidade, mas também como instrumento de transparência e eficiência operacional. A capacidade de acompanhar a origem dos produtos, monitorar riscos socioambientais e demonstrar aderência a padrões internacionais torna-se uma competência cada vez mais valorizada por clientes, parceiros comerciais e investidores. Ao mesmo tempo, a ampliação dessas exigências para diferentes setores e mercados demonstra a importância de processos de governança consistentes e de uma visão estratégica de longo prazo.
Para os investidores, essas mudanças indicam que fatores ESG vêm se consolidando como elementos cada vez mais relevantes na avaliação da resiliência e da capacidade de adaptação das empresas. Organizações com boas práticas de governança e gestão de riscos socioambientais tendem a estar mais preparadas para enfrentar mudanças regulatórias, transformações de mercado e novas demandas dos stakeholders.
Essa visão está alinhada à abordagem de Investimento Responsável da Itaú Asset. Entre as alternativas disponíveis, o ETF GOVE11 busca oferecer exposição a empresas que se destacam por práticas de governança corporativa, transparência e qualidade da gestão. Em um ambiente no qual a capacidade de adaptação a novas exigências regulatórias e a gestão eficiente de riscos se afirmam como fatores cada vez mais relevantes para a competitividade dos negócios, a governança permanece como um dos pilares fundamentais para viabilizar a geração sustentável de valor no longo prazo
Lei antidesmatamento da UE deve influenciar cadeias globais de café além das exportações ao bloco
Um estudo analisado pela Reuters indica que a Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) pode produzir efeitos que vão além do mercado europeu e incentivar padrões de conformidade em cadeias globais de fornecimento de café, inclusive em fluxos comerciais que não têm a União Europeia como destino final.
A regulamentação exige que produtos abrangidos pela norma sejam comprovadamente livres de desmatamento após a data de corte estabelecida pelo bloco e traz requisitos de rastreabilidade capazes de identificar a origem das commodities comercializadas. S
egundo o estudo, a necessidade de atender às exigências europeias pode levar exportadores, comerciantes, processadores e produtores a adotarem sistemas de monitoramento e controle de forma mais ampla em suas operações, reduzindo a separação entre volumes destinados à Europa e aqueles enviados para outros mercados.
O levantamento sugere que, diante dos custos operacionais, tecnológicos e logísticos associados à manutenção de cadeias distintas, parte dos participantes do setor tende a expandir os critérios de conformidade para parcelas maiores de sua produção. O café foi destacado como um caso relevante por sua elevada integração internacional e pela presença de múltiplos intermediários ao longo da cadeia.
A pesquisa também aponta que os impactos podem variar entre países produtores, empresas exportadoras e elos da cadeia de suprimentos, dependendo do nível prévio de rastreabilidade, da estrutura produtiva local e da capacidade de adaptação às novas exigências regulatórias. Nesse contexto, a EUDR aparece como um fator capaz de influenciar práticas de governança e monitoramento ambiental mesmo fora das relações comerciais diretas com o mercado europeu.
Redata é aprovado e abre espaço para gás natural em data centers
O Senado aprovou em 1º de setembro o projeto de lei que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata), que agora segue para sanção presidencial. A proposta reduz custos tributários sobre faturamento e importação de equipamentos de tecnologia da informação, parcela que pode representar aproximadamente 30% do valor de um data center.
O objetivo é estimular investimentos em infraestrutura digital, especialmente em instalações voltadas ao treinamento e operação de sistemas de inteligência artificial, além de ampliar a capacidade nacional em um mercado no qual os data centers brasileiros atualmente processam cerca de 40% da demanda doméstica.
Entre as contrapartidas exigidas para acesso aos benefícios estão a destinação de pelo menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento ao mercado interno, investimentos equivalentes a 2% do valor dos equipamentos em pesquisa no país e o uso de energia renovável ou de baixa emissão de carbono.
Durante a tramitação, o texto foi ajustado para substituir a expressão “fontes limpas ou renováveis” por “fontes renováveis ou de baixa emissão”, alteração que permite a inclusão do gás natural entre as fontes elegíveis. A mudança atendeu a pleitos de representantes do setor e de frentes parlamentares e evitou que o projeto retornasse à Câmara dos Deputados. Segundo estimativas da Receita Federal, a renúncia fiscal associada ao programa será de R$ 5,2 bilhões em 2026, R$ 1 bilhão em 2027 e R$ 1,05 bilhão em 2028.
Após a aprovação federal, empresas e entidades do setor defendem uma nova etapa de incentivos por meio da redução do ICMS sobre equipamentos de computação, tema que deverá ser discutido no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Executivos e associações avaliam que a combinação de incentivos tributários e disponibilidade de energia pode impulsionar a instalação de novos projetos e ampliar a participação do Brasil na infraestrutura global voltada à inteligência artificial.
IA pode agregar US$ 600 bilhões por ano à economia do clima até 2028, revela BCG
Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Temasek estima que a aplicação das capacidades atuais de inteligência artificial em setores ligados ao clima e à sustentabilidade pode adicionar cerca de US$ 600 bilhões por ano à economia global até 2028. Segundo o levantamento, o potencial da tecnologia vai além da automação e dos ganhos de eficiência, alcançando novos modelos de negócio que combinam retorno financeiro e redução de emissões.
A pesquisa avaliou mais de 40 áreas e identificou cinco subsetores que concentram aproximadamente US$ 423 bilhões da oportunidade total, o equivalente a cerca de 70% do valor mapeado. O principal deles é a eficiência de equipamentos e sistemas industriais, com potencial estimado em US$ 300 bilhões. Nesse segmento, a aplicação de IA em processos contínuos pode contribuir para a redução de aproximadamente 0,6 gigatonelada de emissões de escopo 1 e 2 por ano, além de apoiar melhorias relacionadas à segurança dos trabalhadores.
O segundo maior segmento é a modelagem de risco climático, avaliada em US$ 75 bilhões, com aplicações em seguros, previsão meteorológica e planejamento logístico. O estudo também destaca oportunidades em redes elétricas, armazenamento e gestão da flexibilidade dos sistemas de energia, estimadas em US$ 32 bilhões, além de educação inclusiva, com US$ 13 bilhões, e descoberta de materiais, com US$ 3 bilhões.
Apesar do potencial econômico identificado, os pesquisadores apontam que a captura desse valor depende da superação de obstáculos como dados fragmentados, incertezas regulatórias, resistência cultural nas organizações e necessidades de adaptação de sistemas físicos e infraestruturas.
O estudo destaca ainda um desafio associado à própria expansão da inteligência artificial: a crescente demanda por energia e água dos data centers. Dados citados na reportagem indicam que o consumo global de eletricidade dessas infraestruturas deverá triplicar até 2030 e alcançar cerca de 3% da demanda mundial de energia elétrica.
O que achou deste conteúdo?
Clicando aqui, você pode deixar o seu feedback mais detalhado!