Como o risco climático está afetando decisões de investimento?

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #35

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

O Radar ESG desta semana reúne os principais movimentos da agenda climática e ambiental, com foco no avanço dos riscos físicos do clima, na expansão do mercado de carbono e nos impactos econômicos dos extremos de temperatura no Brasil

Confira os principais destaques da semana:

Risco climático já impacta ativos, seguros e decisões de investimento

O aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos já gera impactos financeiros relevantes, mas ainda é pouco incorporado às decisões de investimento. Em artigo publicado pela Reuters, a CEO do Institutional Investors Group on Climate Change (IIGCC) argumenta que o risco físico do clima deixou de ser apenas um tema ambiental e passou a se consolidar como fator econômico central, afetando cadeias produtivas, ativos, seguros, finanças públicas e retornos de longo prazo de investidores institucionais.

Entre 2000 e 2023, eventos climáticos extremos causaram perdas superiores a US$ 2,3 trilhões globalmente, pressionando os prêmios de seguros, levando à retirada de cobertura em áreas vulneráveis e ameaçando a viabilidade econômica de ativos e infraestruturas. Apesar dessa materialidade financeira, o risco físico do clima ainda é pouco considerado na precificação de ativos, nas análises de crédito e na construção de portfólios.

A COP30, realizada em Belém, trouxe avanços pontuais ao reforçar a agenda de adaptação, resiliência e o Fundo de Perdas e Danos, mas não apresentou um caminho claro para reduzir o déficit de financiamento climático nem para mobilizar capital privado em larga escala. Diante dessa lacuna, alguns investidores já vêm atuando de forma proativa, utilizando metodologias específicas para avaliar riscos físicos e orientar investimentos em adaptação.

Casos em projetos de energia solar e infraestrutura mostram que integrar resiliência desde o desenho dos ativos pode proteger receitas, melhorar a segurabilidade e preservar valor no longo prazo.

De “Vale da Morte” à economia verde: Cubatão entra no mercado de créditos de carbono

Cubatão, historicamente conhecida como o “Vale da Morte” nos anos 1980 em razão da intensa poluição industrial, dá mais um passo simbólico em sua trajetória de recuperação ambiental ao ingressar no mercado de créditos de carbono. Segundo uma matéria publicada pela EXAME, o município da Baixada Santista iniciou a estruturação de um programa voltado à valorização de ativos ambientais e à geração de créditos de carbono e de biodiversidade, alinhado às diretrizes nacionais e globais de combate às mudanças climáticas.

A iniciativa foi formalizada por meio de um acordo de cooperação técnica com o Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável (Ibedis) e prevê a criação do programa Cubatão Verde, com foco em atrair investimentos privados e impulsionar o desenvolvimento sustentável local. O projeto inclui o diagnóstico dos ativos ambientais do município, a elaboração de um plano estruturado de ações, o desenvolvimento de metodologias de certificação ESG e a captação de recursos junto à iniciativa privada, sem uso de recursos públicos.

A entrada no mercado de carbono ocorre em um contexto de regulamentação recente no Brasil e reflete uma mudança estratégica do município, que busca superar passivos ambientais históricos, conectando sustentabilidade, competitividade e desenvolvimento de longo prazo

“Desastre térmico”: Brasil pode bater recordes de calor em 2026

A EXAME mostra que o Brasil pode enfrentar em 2026 um cenário inédito de calor extremo, descrito por especialistas como um “desastre térmico”, resultado da combinação entre a intensificação do aquecimento global e a alta probabilidade de um novo episódio de El Niño. Segundo alerta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há cerca de 80% de chance de o fenômeno se estabelecer no Oceano Pacífico ao longo do ano, com efeitos mais intensos a partir do segundo semestre, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Esse El Niño encontrará um planeta ainda mais aquecido: os anos de 2023 a 2025 estão entre os mais quentes da história, segundo dados do observatório europeu Copernicus. Em fevereiro, o Brasil já registrou episódios extremos, com temperaturas próximas de 42 °C no Sul e mais de 500 municípios em situação de risco.

O impacto vai além do desconforto térmico e representa ameaça direta à saúde pública, sobretudo para idosos e populações vulneráveis, já que noites mais quentes reduzem a capacidade de recuperação do organismo. Há também reflexos econômicos relevantes: o uso intensivo de ar-condicionado pressiona o sistema elétrico e a conta de luz, enquanto o estresse térmico na agricultura tende a reduzir a produtividade e elevar os preços dos alimentos, reforçando a pressão inflacionária.

A escolha dos insumos agrícolas e o futuro das metas de carbono

A descarbonização das empresas ligadas ao agronegócio passa, cada vez mais, por decisões que extrapolam as operações diretas e avançam por toda a cadeia de valor. De acordo com um texto publicado pelo Capital Reset, a escolha dos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes, vem ganhando protagonismo nas estratégias climáticas por seu peso relevante nas emissões indiretas, conhecidas como Escopo 3, que podem representar mais de 70% das emissões totais em diversos setores.

Apesar dessa relevância, muitas companhias ainda tratam esse escopo como secundário, subestimando o impacto real dos insumos utilizados no campo. O tema ganhou força no contexto da COP30, que reforçou a exigência por rastreabilidade, transparência e controle efetivo das emissões ao longo da cadeia produtiva.

Nesse cenário, não basta que empresas estabeleçam metas ambiciosas se seus fornecedores não adotarem práticas consistentes de redução de emissões. A agricultura permanece como uma das principais fontes de emissões no país, e práticas como manejo adequado do solo, uso racional de insumos e agricultura de precisão são fundamentais para reduzir impactos climáticos. Assim, a descarbonização corporativa se conecta diretamente à descarbonização da fazenda, tornando a escolha dos insumos uma decisão estratégica para o cumprimento das metas de carbono.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 08 de abril de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 08 de abril de 2026

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