Transição para net zero pode gerar US$ 34 bilhões ao PIB do Brasil e milhões de empregos, aponta estudo

Confira os destaques do Radar ESG desta semana

Por Comunicação Itaú Asset

4 minutos de leitura

EDIÇÃO #37

Capa do Radar ESG, com fundo na cor azul claro

O Radar ESG desta edição reúne movimentos recentes do mercado de carbono, sinais climáticos associados ao aquecimento dos oceanos e avanços regulatórios ligados à transição energética. O conteúdo aborda desde a integridade de ativos ambientais até novos instrumentos e políticas que reposicionam o Brasil na agenda climática.

Mercado de carbono além dos créditos

A expansão do mercado de carbono exige uma mudança de foco: mais do que a simples geração e negociação de créditos, a qualidade socioambiental dos projetos passa a determinar sua viabilidade econômica e credibilidade. A análise destaca que falhas fundiárias, conflitos sociais e fragilidades na governança têm comprometido iniciativas, especialmente em regiões como a Amazônia, colocando em risco tanto a entrega de benefícios climáticos quanto a segurança jurídica dos ativos.

Nesse contexto, a integridade, que envolve rastreabilidade, adicionalidade e respeito às comunidades locais, emerge como fator-chave de precificação e diferenciação no mercado. O avanço regulatório e o aumento da demanda global por compensações reforçam a necessidade de padrões mais robustos, diante de um histórico de questionamentos sobre a efetividade de projetos e a confiabilidade dos créditos emitidos.

Além disso, investidores e compradores passam a incorporar riscos reputacionais e operacionais na avaliação desses ativos, pressionando por maior transparência e diligência. Em um cenário como esse, a due diligence deixa de ser apenas uma etapa de mitigação de riscos e passa a ser um elemento central na formação de valor dos projetos. Apesar dos desafios, o fortalecimento dessas práticas tende a contribuir para um mercado mais robusto e confiável.

Temperatura dos oceanos se aproxima de recorde e sinaliza retorno do El Niño

A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu níveis próximos a recordes históricos, reforçando o avanço do aquecimento global e indicando uma provável transição para o fenômeno El Niño nos próximos meses. Dados do observatório climático Copernicus mostram que, em março, a média global chegou a 20,97 °C, apenas 0,1 °C abaixo do recorde para o período, mantendo tendência de alta ao longo de abril.

O aquecimento das águas, especialmente no Pacífico, é um dos principais gatilhos do El Niño, fenômeno climático que altera padrões atmosféricos e pode intensificar eventos extremos em escala global. A Organização Meteorológica Mundial aponta probabilidade crescente de ocorrência ainda em 2026, com enfraquecimento da La Niña e transição para uma fase de aquecimento.

Os impactos esperados incluem aumento de ondas de calor, elevação do nível do mar, devido à expansão térmica, e maior frequência de eventos climáticos severos, como chuvas intensas e ciclones. Além disso, o aquecimento oceânico pressiona ecossistemas marinhos, contribuindo para o branqueamento de corais e alterações na biodiversidade. O movimento reforça preocupações sobre a intensificação de riscos climáticos no curto prazo, especialmente após uma sequência de anos recordes de temperatura global. Nesse contexto, o monitoramento oceânico ganha relevância estratégica para antecipação de impactos econômicos, ambientais e sociais associados ao novo ciclo climático.

CGOBs criam novo mercado para acelerar o biometano no Brasil

O Brasil deu um passo decisivo para estruturar o mercado de biometano com a criação dos Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs), um mecanismo inspirado no RenovaBio. Pela nova regra, grandes produtoras e importadoras de gás natural fóssil precisarão comprar certificados para compensar parte de suas emissões, fomentando a demanda por um combustível renovável produzido a partir de resíduos urbanos e agroindustriais.

O modelo separa o atributo ambiental da molécula física do gás, permitindo que o benefício climático seja comercializado mesmo quando não há conexão direta à infraestrutura de distribuição. A expectativa da agência reguladora é que as primeiras emissões ocorram ainda em 2026, com metas iniciais conservadoras, diante da oferta limitada.

Para produtores, os CGOBs ajudam a destravar investimentos ao criar previsibilidade de demanda e reduzir riscos comerciais. Já para consumidores e empresas, os certificados ampliam as opções de descarbonização. O novo instrumento reposiciona o biometano como peça estratégica da transição energética brasileira, combinando economia circular, redução de emissões e segurança energética, especialmente em um contexto de volatilidade global dos preços de combustíveis fósseis.

Transição para net zero pode destravar bilhões e reforçar protagonismo climático do Brasil

A transição do Brasil para uma economia net zero até 2050 pode gerar um aumento de US$ 34 bilhões no PIB e criar até 3,8 milhões de empregos, segundo estudo. Diferentemente de economias onde energia e indústria concentram as emissões, cerca de 75% das emissões brasileiras vêm do uso da terra, do desmatamento e da agropecuária, o que posiciona o país como um dos maiores potenciais globais de sequestro de carbono.

Com uma precificação de US$ 20 por tonelada de carbono e regras claras para o mercado voluntário, o Brasil poderia financiar sua própria descarbonização e ainda se tornar exportador relevante de créditos de alta integridade. Apesar do potencial estimado de até 2 gigatoneladas anuais de sequestro, o país emitiu menos de 1 milhão de créditos em um ano, evidenciando um mercado ainda travado.

Para enfrentar esse desafio, foi criada a Iniciativa Brasileira para o Mercado Voluntário de Carbono, uma coalizão composta por grandes empresas brasileiras que busca estruturar o mercado voluntário de carbono com maior transparência, governança e redução de riscos. A B3 passa a desempenhar papel-chave ao operar um repositório nacional de projetos, aumentando a confiança de investidores e compradores. O avanço do mercado de carbono aparece como vetor estratégico para destravar investimentos, monetizar a floresta em pé e transformar o potencial climático brasileiro em crescimento econômico, empregos e liderança global.

Acompanhe também os principais índices ESG

Além das notícias da semana, você confere no Radar ESG os principais índices de sustentabilidade, incluindo benchmarks globais e brasileiros, assim como dados sobre títulos verdes e setores ligados à transição energética.

A tabela apresenta uma visão consolidada dos índices que refletem diferentes abordagens dentro da agenda ESG, desde desempenho corporativo sustentável até indicadores de baixa emissão de carbono e clima.

Fonte: Bloomberg | Data: 22 de abril de 2026
Fonte: Bloomberg | Data: 22 de abril de 2026

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