Análise Mensal de julho: ajustes na renda fixa e pressão na bolsa em meio a tensões globais
Julho trouxe volatilidade aos mercados brasileiros, com alta nas taxas de juros, desvalorização do real e queda do Ibovespa
Por Itaú Private Bank
Renda fixa: alta de juros e oportunidades em prefixados
Realização de lucros após um primeiro semestre positivo
Após um primeiro semestre bastante positivo para os ativos brasileiros em geral, o mês de julho foi marcado por uma realização de lucros. A tensão tarifária entre os Estados Unidos e o restante do mundo continuou a influenciar os mercados globais, provocando uma nova rodada de valorização do dólar e uma alta generalizada nas taxas de juros.
Impactos no brasil: moeda e renda fixa
No Brasil, os ativos também foram impactados por esse cenário externo mais desafiador. O real teve uma desvalorização de 3% no mês, encerrando julho cotado a R$ 5,60. Apesar disso, a moeda ainda acumula valorização de aproximadamente 10% no ano.
Na renda fixa, as taxas pré-fixadas subiram, especialmente nos prazos mais longos. Como referência, o título prefixado de 3 anos fechou o mês com taxa de 13,6% ao ano, uma alta de 40 pontos-base em relação ao fechamento de junho.
Manter exposição em NTNB longas para blindar inflação
No mercado de juros reais, também houve elevação de taxas, embora de forma menos intensa. As NTNBs de prazo mais curto sofreram maior pressão, com alta de cerca de 40 pontos-base. Já as NTNBs longas registraram aumento mais moderado, em torno de 20 pontos-base.
Rentabilidade das classes de renda fixa
Em termos de rentabilidade, todas as principais classes da renda fixa apresentaram desempenho inferior ao CDI no mês de julho. No entanto, no acumulado de 2025, a maioria ainda mostra desempenho superior. A exceção é o IMA-B5, que representa as NTNBs com vencimento inferior a 5 anos, mais vulneráveis ao forte carrego negativo esperado para os próximos meses.
Estratégia e alocação: visão construtiva
Diante da elevação das taxas, aproveitamos o momento para aumentar nossa recomendação na classe pré-fixada para um nível acima do neutro, igualando-a à alocação em juro real. Essa decisão se baseia em diversos fatores: o elevado grau de aperto monetário atual, o espaço fiscal reduzido para novos estímulos relevantes, a possível ajuda de um dólar mais fraco e a precificação ainda conservadora de um ciclo de queda da Selic a partir de 2026.
No caso do juro real, além desses pontos, destacamos a proteção inflacionária como um componente essencial para alocações de prazo mais longo, característica fundamental dessa classe de ativos.
Estratégia | Neutralidade em real vs. dólar: hedge via DXY continua indicado
Mantemos nossa recomendação de venda do dólar contra seus pares desenvolvidos por meio do índice DXY. Em relação ao real, seguimos com uma posição neutra.
Perspectivas para agosto
O mês de agosto deve continuar sendo influenciado pelo noticiário relacionado às tarifas globais e ao desempenho da economia americana. No cenário doméstico, o foco estará no comportamento da economia brasileira e na retomada dos trabalhos no Congresso Nacional.
Renda variável: queda do Ibovespa e fluxo estrangeiro negativo
Aversão ao risco e queda do Ibovespa
O mês de julho foi marcado por um ambiente de maior aversão ao risco, impulsionado pelo anúncio de tarifas adicionais dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. Nesse cenário, o Ibovespa registrou uma queda de 4,2%. Ainda assim, no acumulado do ano, o índice mantém uma valorização superior a 10%.
Fluxo de investidores: saída de estrangeiros
Apesar do fluxo positivo de entrada de investidores internacionais em fundos dedicados a bolsas de mercados emergentes no mês, o mercado brasileiro seguiu na contramão. Investidores estrangeiros – que haviam sido grandes compradores de ações brasileiras ao longo do ano – passaram a vender em julho. Somando operações no mercado à vista e de futuros, o saldo foi negativo em cerca de R$ 16 bilhões. No acumulado de 2025, o fluxo total de compra desses investidores ainda é positivo, aproximando-se de R$ 12,5 bilhões.
Energia e materiais em alta
Tanto os setores cíclicos quanto os defensivos apresentaram desempenho negativo em julho. No entanto, os setores de energia e materiais básicos se destacaram positivamente, contribuindo para limitar a queda do índice.
Estratégia: posição neutra em bolsa brasileira
Diante desse cenário, mantivemos nossa posição neutra em bolsa brasileira. Acreditamos que a precificação atual, considerada descontada, aliada à pausa no ciclo de alta de juros e à nossa visão de um dólar global mais enfraquecido, ainda pode atuar de forma positiva para o mercado acionário, mesmo diante das incertezas nos cenários doméstico e internacional.
Conclusão
Julho foi um mês de ajustes e cautela, mas também de oportunidades pontuais, especialmente na renda fixa. Acompanhar os desdobramentos da economia americana e o cenário político doméstico será essencial para as decisões de alocação em agosto.