Análise Mensal de outubro: ouro em alta, real em queda e bolsa resiliente
Mercados voláteis, juros em queda e bolsa brasileira atrativa marcaram o mês de outubro
Por Itaú Private Bank
Renda Fixa
O mês de outubro foi marcado por incertezas no cenário internacional, com destaque para o impasse fiscal nos EUA e a comunicação mais cautelosa do Fed. No Brasil, a inflação em queda sustentou o bom desempenho da renda fixa, especialmente nos papéis prefixados.
O que esteve no radar do investidor em outubro:
- Inflação em queda impulsiona prefixados: a melhora contínua do cenário inflacionário no Brasil favoreceu os títulos prefixados, especialmente nos vencimentos curtos, que apresentaram queda nas taxas e desempenho superior ao CDI no mês.
Juro real segue elevado e atrativo: as taxas das NTNBs permaneceram estáveis, refletindo a combinação de inflação controlada e postura firme do Banco Central. A NTNB 2035, por exemplo, segue oferecendo IPCA + 7,6% ao ano.
- Estratégia mantida com foco no pré de 3 anos: o Itaú manteve alocação acima do neutro em prefixados de 3 anos e em juro real, apostando que o BC pode cortar a Selic mais do que os 2,5% atualmente precificados pelo mercado.
- Cenário externo ainda pressiona as taxas longas: a instabilidade nos EUA, com o impasse fiscal e a comunicação mais cautelosa do Fed, limitou a queda das taxas longas no Brasil, que seguem mais sensíveis ao ambiente internacional.
Proteção inflacionária segue relevante: apesar do prêmio de inflação futura ainda elevado, os papéis atrelados ao IPCA continuam sendo uma peça importante na carteira, especialmente diante da incerteza externa e do cenário político doméstico.
Renda Variável
Apesar da volatilidade global, o mês de outubro foi positivo para os mercados acionários emergentes, com destaque para a bolsa brasileira. O fluxo estrangeiro e os múltiplos atrativos reforçam o bom momento da renda variável no país.
Confira os destaques do mês na classe:
- Bolsa brasileira mantém liderança entre emergentes: o Ibovespa subiu 2,3% em reais no mês e acumula alta de 24% no ano, superando o desempenho de outros mercados emergentes e se beneficiando de fluxo estrangeiro e fundamentos sólidos.
- Valuation atrativo reforça potencial de valorização: a bolsa brasileira negocia a 8,7 vezes o lucro estimado, com desconto de 19% frente à média histórica e 37% em relação a outros emergentes, o que sustenta uma visão construtiva para o mercado.
- Fluxo estrangeiro segue positivo: em outubro, investidores estrangeiros aportaram R$ 2 bilhões na bolsa brasileira, elevando o saldo acumulado no ano para R$ 24 bilhões, o que reforça a confiança no mercado local.
- Corte de juros nos EUA traz incertezas: o Fed reduziu os juros em 0,25%, mas não sinalizou novos cortes em dezembro, o que gerou cautela nos mercados e reforçou a importância de acompanhar a política monetária global.
- Trégua comercial entre EUA e China alivia tensões: o acordo entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping para suspender tarifas e controles de exportação por um ano contribuiu para o bom desempenho das bolsas emergentes no mês.
Conclusão
Outubro reforçou a importância de estratégias equilibradas diante de um cenário global volátil e incerto. A renda fixa segue atrativa com juros reais elevados e inflação sob controle, enquanto a bolsa brasileira se destaca entre os emergentes, combinando fluxo positivo, múltiplos descontados e fundamentos sólidos. Para os próximos meses, atenção ao cenário fiscal nos EUA, à política monetária global e à evolução do ambiente político e econômico no Brasil.