Ata do Copom mantém tom duro, mas reconhece esforços na frente fiscal

No Radar do Mercado: documento manteve o tom mais duro com relação às expectativas de inflação e ao papel institucional do Banco Central de cumprir as metas

Por Itaú Private Bank

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Crédito: Getty Images

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe mais detalhes sobre o racional por trás da decisão da semana passada. De maneira geral, o documento manteve o tom mais hawkish (duro) do comunicado com relação às expectativas de inflação e ao papel do Banco Central de cumprir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O documento aponta uma preocupação das autoridades com a deterioração das expectativas de inflação em prazos longos desde a última reunião, o que o comitê aponta que pode ter acontecido por diversas razões, com destaque para uma possível leniência do BC com as metas estipuladas, uma política fiscal expansionista ou pela possibilidade de alteração das metas já definidas.

O comitê avaliou a hipótese de incorporar uma elevação da taxa neutra de juros, em linha ao movimento observado nas expectativas para prazos longos. No entanto, optou-se por mantê-la em 4%, destacando que os impactos de uma elevação passam a ser mais relevantes a partir do segundo semestre de 2024.

A ata reforça que a conjuntura particularmente incerta no âmbito fiscal demanda mais atenção na condução da política monetária, pois pode elevar o custo da desinflação necessária para alcançar as metas. No entanto, o comitê reconhece os esforços do governo para conter o déficit fiscal em 2023, o que vê como um possível fator para mitigar os estímulos da demanda e reduzir o risco de inflação mais alta.

Apesar disso, acreditamos que as projeções e as sinalizações apresentadas em ambos os documentos são consistentes com a ideia de postergar os cortes de juros. Assim, seguimos vendo riscos de alta em nossa projeção de 12,5% para o final do ano.

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