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Ata do Copom reforça nosso cenário para corte de juros

Comunicados divulgados nesta semana pelo Banco Central reforçaram mensagem de que a política monetária deve ser conduzida com serenidade e paciência

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Itaú Private Bank

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Crédito: Getty Images/Itaú Private Bank

Tanto a ata da última reunião do Copom quanto o Relatório Trimestral de Inflação, ambos divulgados pelo Banco Central nesta semana, reforçaram a mensagem de que uma redução na taxa de juros não é iminente.

No cenário internacional, enquanto a inflação desacelerou na zona do euro, os dados de atividade da China reforçaram o forte impulso da economia no 1º trimestre.

Confira, abaixo, mais detalhes dos fatores que impactaram os mercados nos últimos dias.

Ata do Copom: serenidade e paciência

A mensagem principal da ata da última reunião do Copom é que a política monetária deve ser conduzida com serenidade e paciência, e que uma redução na taxa de juros não é iminente. O comitê afirmou que aguardará o impacto da desaceleração econômica e de políticas a serem anunciadas nas expectativas de inflação antes de iniciar o processo de corte de juros. Nossa projeção para a taxa Selic ao final do ano permanece em 12,5% ao ano.

Relatório Trimestral de Inflação: mantendo a mensagem

O Relatório Trimestral de Inflação (RI) divulgado pelo Banco Central trouxe uma elevação da projeção do PIB em 2023, de 1,0% para 1,2%, e a piora das projeções de crédito. De maneira geral, mostrou projeções ainda consistentes com manutenção da taxa Selic no patamar atual de 13,75% a.a. por período prolongado. No momento, nosso cenário base contempla cortes de juros a partir do quarto trimestre de 2023.

Produção industrial começa o ano com leve queda

A produção industrial de janeiro apontou uma variação negativa de 0,3% em relação a dezembro, com o ajuste sazonal. Na base anual, a indústria avançou 0,3%, divergindo das expectativas por conta da revisão da série. À frente, acreditamos que as condições monetárias mais restritas e a desaceleração da demanda doméstica continuarão a limitar a produção. Esperamos uma queda para o 1º trimestre, impulsionada por uma contração no setor.

Inflação segue desacelerando na zona do euro

O índice de inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro desacelerou para 6,9% em março, na base anual, principalmente devido à menor pressão do componente de energia. Apesar de ter vindo em linha com as expectativas, o núcleo do índice, que exclui os componentes mais voláteis, seguiu acelerando, o que reforça o desafio do Banco Central Europeu (BCE). Assim, o mercado deve manter a precificação de novas altas de juros nas próximas duas reuniões.

PMIs da China vêm acima das expectativas do mercado

O PMI de manufatura da China divulgado pelo NBS ficou em 51,9 pontos em março, desacelerando frente à leitura anterior, mas acima da expectativa. Já o PMI não-manufatura subiu para 58,2, surpreendendo a projeção de queda do mercado e atingindo o maior patamar dos últimos 12 anos. Em geral, os dados reforçam o forte impulso da economia no 1º trimestre e indicam uma continuidade na recuperação de consumo, serviços e construção.

Núcleo do PCE sobe 0,3% em fevereiro

Um dos indicadores usados pelo Federal Reserve em suas decisões de política monetária, o núcleo da inflação medida pelo PCE subiu 0,3% na comparação mensal e 4,6% na base anual, abaixo das expectativas. Já os gastos dos consumidores avançaram 0,2% em fevereiro, ligeiramente abaixo das projeções do mercado e desacelerando frente ao dado de janeiro, quando houve crescimento de 2,0%.

Destaques da próxima semana

Em uma semana mais curta devido ao feriado de Páscoa, as atenções estarão voltadas para a proposta do novo arcabouço fiscal, que pode ser enviada ao Congresso nos próximos dias. Nos EUA, teremos a divulgação da criação de vagas de trabalho em março, com o Payroll na sexta-feira.