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Ata do Copom: sem aumento de ritmo, por ora

No Radar do Mercado: ata da última reunião de política monetária reforçou a manutenção do ritmo de redução dos juros por ora

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Itaú Private Bank

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Créditos: Getty Images

Foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), trazendo detalhes do encontro que reduziu, pela segunda vez seguida, a taxa Selic em 50 pontos-base. Por ora, o documento não abre espaço para uma aceleração no ritmo de flexibilização. 

A ata deu ênfase aos desafios trazidos pelo cenário internacional, incluindo a possibilidade de que a taxa de juros neutra em economias desenvolvidas seja agora mais alta.  

No âmbito doméstico, as autoridades discutiram as causas das surpresas recentes com a atividade econômica e reconheceram que a ociosidade na economia é menor, embora com alguma incerteza quanto a sua magnitude atual. Além disso, o comitê demonstrou que continua preocupado com a ancoragem apenas parcial das expectativas de inflação (para prazos mais longos, as projeções de inflação da pesquisa Focus estão em 3,50%, acima da meta central de inflação de 3%).  

Adicionalmente, alguns membros do Comitê notaram a composição mais benigna da inflação, especialmente no componente de serviços. Contudo, outros enfatizaram que precisam de mais informações para confirmar esse comportamento à frente.  

Diante disso, nossa a projeção é de que a Selic encerrará o ano em 11,50% a.a., mas seguimos considerando a possibilidade de uma flexibilização mais rápida, principalmente no final do ano. Teremos mais detalhes sobre o racional do Copom no Relatório de Inflação, que será divulgado na quinta-feira. 

IPCA-15 sobe 0,35% em setembro

O IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que registrou uma alta de 0,35% em setembro, ligeiramente abaixo das expectativas de mercado (0,37%). Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acelerou e acumulou alta de 5%.   

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis registraram alta, com a maior contribuição positiva vinda de Transportes, em virtude do aumento de preços da gasolina e aumento de passagens aéreas. Por outro lado, o grupo de Alimentação e Bebidas continua mostrando deflação.   

As medidas de núcleo de inflação, que excluem itens mais voláteis, mostraram desaceleração. O Índice de Difusão, que mede a proporção de itens que tiveram aumento de preços, recuou para 41,69%, sinalizando maior desinflação adiante. 

De maneira geral, a leitura corrobora o cenário de desinflação gradual, com uma composição mais benigna, especialmente com arrefecimento de serviços. Esperamos que o IPCA encerre 2023 com alta de 4,9%. 

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