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Ata reforça preocupação do Fed com inflação

No Radar do Mercado: ainda que "quase todos" os membros tenham concordado com a desaceleração de ritmo, o documento reforçou a preocupação com o risco de a inflação permanecer elevada; relatório divulgado hoje pelo Banco Central do Brasil apontou uma alta nas projeções do mercado para a inflação

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Crédito: Getty Images

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) divulgou hoje a ata de sua última reunião, quando as autoridades desaceleraram o ritmo de alta, elevando os juros em 25 pontos-base, para o intervalo entre 4,50% e 4,75%.

Na oportunidade, o comitê reiterou que novos aumentos serão necessários para levar os juros a um nível suficientemente restritivo com o objetivo de trazer a inflação para a meta de 2%. Para os próximos passos, as autoridades reafirmaram que irão considerar o aperto cumulativo da política monetária, as defasagens dos impactos causados na atividade econômica e a inflação.

O documento divulgado hoje mostrou que "quase todos" os membros concordaram que era apropriado elevar as taxas de juros em 25 pontos-base, enquanto "alguns" eram a favor ou poderiam ter apoiado um aumento maior, de 50 pontos-base.

Além disso, a ata indicou um comitê mais preocupado com o risco da inflação permanecer elevada do que com a desaceleração da economia. Ainda que os dados de inflação recebidos nos últimos meses tenham mostrado uma redução no ritmo mensal, as autoridades enfatizaram que seriam necessárias mais evidências para ter certeza de que a inflação se encontra em uma queda sustentada. Assim, os riscos ascendentes para as perspectivas de inflação seguem como um fator-chave para moldar a política à frente.

Outro ponto abordado foi a necessidade de manter as taxas em território restritivo por algum tempo, fato que vem sendo abordado por membros do comitê recentemente. Segundo o documento, as autoridades defenderam uma política restritiva até que os dados recebidos oferecessem confiança de que a inflação se encontra em um caminho sustentado em direção a 2%, o que provavelmente levaria algum tempo.

Focus: projeções do mercado para inflação continuam a subir

O Relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central apontou novas altas nas expectativas de inflação para 2023 (pela décima semana consecutiva), 2024 e 2025.

Quando comparada à semana anterior, a mediana das estimativas para o IPCA de 2023 subiu de 5,79% para 5,89%. A meta central é de 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2024, a projeção foi revisada de 4% para 4,02%, também acima do centro da meta de 3%. Para 2025, a houve alta de 3,60% para 3,78%.

Na política monetária, as medianas das estimativas para a taxa Selic seguiram estáveis para 2023 (em 12,75%), 2024 (em 10%) e 2025 (em 9%).

Em relação à atividade econômica, a mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 subiu, de 0,76% para 0,80%. Para 2024, a projeção seguiu estável em 1,50%. Já para 2025, houve uma queda, de 1,85% para 1,80%.

Por fim, no câmbio, as projeções não tiveram alterações para 2023 (R$/US$ 5,25) e 2025 (R$/US$ 5,30), porém houve uma leve queda para 2024 (para R$/US$ 5,29).

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