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Break Point

TenisVesting: dedicação, técnica e estabilidade emocional são essenciais tanto nas quadras quanto nos investimentos

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Andrea Masagão Moufarrege, Team Leader - Investment Funds Specialists

• 4 minutos de leitura

Crédito: Getty Images

Em janeiro de 2023, tive a sorte de estar em férias quando foi lançada a primeira temporada do seriado Break Point, da NetFlix. Em sequências de entrevistas e narrativas de torneios como Madrid Open 2022 e Australian Open 2022, os episódios mostram o “backstage” da nova geração de elite do mundo do tênis, que se prepara para substituir lendas como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Serena Williams e Maria Sharapova, entre outros. Certamente, vou assistir a próxima temporada para aprender também com outros jogadores, mas, por enquanto, compartilho meus principais aprendizados com as histórias que foram retratadas nesses primeiros episódios.

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  • Matteo Berretini: Superando momentos difíceis em quadra percebe-se que a arma mais poderosa do jogador é sua mente.
  • Maria Sakkari: Encontrar a alegria de jogar ajuda mais do que os músculos para seu melhor jogo aparecer.
  • Paula Badosa: A coragem para assumir fragilidades de saúde mental é essencial no caminho de desenvolvimento de uma supercampeã.
  • Taylor Fritz: É difícil ser feliz jogando tênis. Em todos os torneios, todos perdem, com exceção de um jogador. É muito importante se acostumar a perder sem ficar sem vontade de ganhar.
  • Ons Jabour: É possível ser uma grande campeã mesmo se desenvolvendo e jogando fora do padrão.
  • Nick Kyrgios: Talento não é tudo. A instabilidade mata o campeão.
  • Ajila Tomljanovic: Mentores são essenciais, especialmente se for uma Chris Evert que te conta que é preciso ser “malvada” na quadra para ganhar, especialmente da Serena.
  • Felix Auger-Aliassime: Família é família. Sua mãe é mais orgulhosa do homem de valor do que do campeão que ele se tornou. Seu treinador, Toni Nadal, não conseguiu torcer para ele ganhar de seu sobrinho, Rafael Nadal.
  • Casper Rudd: A fome de ganhar cresce ainda mais quando se perde uma final, especialmente se seu algoz for seu maior herói.

Obviamente em outro nível, percebi já ter sentido em quadra emoções que esses jogadores espetaculares descrevem. Em seu post de análise do seriado, a Leticia Sobral, ex-tenista profissional nº 1 do Brasil e treinadora atual de tenistas amadores, definiu muito bem algumas das maiores verdades que esse seriado reflete sobre o tênis.

"Não importa o nível de tênis que se joga… se você está na elite jogando um Grand Slam ou é um jogador que disputa um torneio no clube… em alguns momentos, todo jogador se questiona se é capaz e tem dúvidas se realmente vai conseguir ganhar. Em todos os níveis, ganhar é absolutamente viciante. Mas como nesse esporte perde-se muito mais do que se ganha, o tênis é sobre errar, aprender e ajustar na busca incessante da vitória”.

A pergunta que me faço agora é se essa similaridade de emoções e incentivos também podem ser encontradas entre investidores profissionais e amadores. Ambos “jogam” dentro das mesmas regras e enfrentam o mesmo desafio de ganhar dinheiro no mercado. As potências das armas que usam e intensidade de dedicação, no entanto, são bem diferentes. Para ajudar a responder essa pergunta conversei com o Bruno Fernandes, CFA, CAIA que atua como Investor no Itaú Private Bank e vive diariamente esse processo de interação com investidores profissionais e amadores há 18 anos. Foi uma conversa muito legal e compartilho com vocês nossas principais conclusões:

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Assim como no tênis, no mundo dos investimentos, os profissionais, em geral, possuem amplas vantagens sobre os amadores. Formação técnica, dedicação integral, auxílio de equipes multidisciplinares muito qualificadas e acesso a ferramentas e instrumentos sofisticados são alguns dos fatores que podem não garantir, mas amplificar as diferenças de resultados entre os especialistas e o investidor comum.

Há alguns anos, a ciência econômica tem se atentado cada vez mais aos aspectos das finanças comportamentais, que influenciam não apenas os gestores de recursos, mas também o cidadão comum nas tomadas de decisão de seus portfólios pessoais. Percebe-se que, assim como nos esportes, os aspectos psicológicos podem ajudar nivelando assimetrias técnicas ou trazendo resultados surpreendentemente negativos em alguns casos.

Para mitigar este problema, universidades, reguladores e institutos de certificações têm exigido cada vez mais preparo dos profissionais de investimentos com relação ao conhecimento sobre finanças comportamentais. Para tentar amenizar os efeitos desta variável na gestão de patrimônio, é fundamental que o investidor conte com o auxílio de especialistas, que podem ajudá-lo(a) a reconhecer e lidar com seus vieses emocionais.

Como Morgan Housel demonstra magistralmente em seu livro “A Psicologia Financeira”, na jornada de investimentos pessoais, eliminar seus vieses é praticamente impossível, então, o desafio torna-se reconhecer e minimizar seus impactos.

A importância do apoio psicológico para que atletas de alta performance lidem melhor com os seus medos e ansiedades dentro das quadras não é mera coincidência e mostra mais um ponto de semelhança entre tenistas e investidores.

Alguns gestores de recursos profissionais usam até modelos estritamente quantitativos em seus processos de decisão para atenuar os efeitos dos vieses comportamentais. Para entender melhor essa dinâmica de gestão, vale muito a pena conhecer um dos fundos mais bem-sucedidos do mundo, o Medallion, da gestora Renaissance, no livro “O homem que decifrou o mercado: Como Jim Simons criou a revolução quant”, de Gregory Zuckerman.

Mais recentemente, fundos das mais diversas estratégias têm intensificado o uso de uma combinação de modelos quantitativos com análise humana justamente para tentar mitigar os vieses comportamentais e otimizar o tempo de avaliação qualitativa sobre fatores não previsíveis por dados históricos.

Concluímos que, tanto no esporte quanto nos investimentos, não há um fator único que explica performances excepcionais, mas sim a capacidade de combinar e equilibrar, com dedicação extrema, habilidades técnicas com estabilidade emocional.

Play!

Dicas:

🎾 Break Point, Netflix

📈 The Man Who Solved the Markets, Gregory Zuckerman

📈 The Psychology of Money, Morgan Housel

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