Carta Mensal de Investimentos | novembro 2026

Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos do Itaú, resume a análise do cenário e as alocações do Comitê de Investimentos de novembro

Por Thomas Wu, estrategista-chefe de investimentos

3 minutos de leitura

Outubro foi um mês de intensa volatilidade nos preços dos ativos brasileiros. À incerteza naturalmente associada a um mês eleitoral somou-se, desta vez, uma dificuldade adicional: as pesquisas se mostraram pouco precisas tanto no primeiro quanto no segundo turno. O candidato que aparecia, em média, cerca de 2 pontos percentuais à frente às vésperas do primeiro turno terminou a votação em segundo lugar. Semanas depois, chegou à reta final do segundo turno aproximadamente 2 pontos atrás nas pesquisas e acabou vencendo.

Na prática, isso significa que, nos dois turnos, parte relevante do mercado chegou à votação posicionada para cenários que não se materializaram. Os dias seguintes especialmente ao segundo turno foram, portanto, marcados por um forte processo de ajuste de posições. Em momentos como esse, movimentos de preços podem refletir menos uma reavaliação dos fundamentos e mais necessidades de redução de risco e recomposição de portfólios.

Passada a fase mais aguda desse ajuste, os fundamentos tendem, gradualmente, a voltar a exercer maior influência sobre os preços dos ativos, um processo que pode levar algum tempo até que o mercado encontre um novo equilíbrio.

Nesse contexto, o foco dos investidores se volta para as perspectivas de política econômica e para a capacidade de implementação da agenda do próximo governo. A relação entre Executivo e Legislativo ganha relevância, especialmente para a construção de consensos em torno das diferentes prioridades da agenda econômica e da sustentabilidade fiscal. Até que haja maior clareza sobre essas prioridades e sobre sua implementação, é natural que essa incerteza continue se refletindo nos prêmios de risco dos ativos brasileiros.

No cenário internacional, outubro trouxe uma mudança importante na dinâmica entre as principais classes de ativos. Durante boa parte de 2026, uma lógica bem clara predominou nos mercados: sinais de maior resiliência da economia americana significavam maior preocupação com a persistência da inflação e, consequentemente, com juros elevados por mais tempo. Com isso, os juros longos subiam, pressionando simultaneamente os títulos de renda fixa e as bolsas.

Em outubro, essa relação começou a mudar. Outras fontes de risco ganharam importância. Cresceram as preocupações com os investimentos e os retornos esperados em inteligência artificial, enquanto, na França, dúvidas sobre a trajetória fiscal pressionaram os ativos locais. Nesse ambiente, as bolsas globais recuaram, enquanto títulos públicos de alta qualidade se valorizaram, ou seja, seus juros recuaram.

Ao mesmo tempo, o risco geopolítico permanece no radar, com a possibilidade de uma nova escalada do conflito envolvendo o Irã após as midterms nos EUA. Maior aversão a risco pode favorecer títulos considerados mais seguros, enquanto uma eventual pressão sobre o petróleo pode reacender preocupações com a inflação e produzir o efeito contrário sobre os juros.

Ainda é cedo para concluir que estamos diante de uma mudança permanente na correlação entre renda fixa e renda variável. Outubro, porém, foi um lembrete de que essa relação depende da natureza dos choques. Quando a principal preocupação é inflação, bonds e ações podem sofrer juntos. Quando o risco migra para crescimento, lucros ou estabilidade financeira, títulos soberanos de alta qualidade podem voltar a oferecer proteção. Em um ambiente no qual diferentes fontes de risco coexistem, a diversificação volta a ter um papel ainda mais relevante.

Esse ambiente de maior incerteza, tanto no Brasil quanto no exterior, reforça a importância de manter portfólios diversificados e de ajustar a alocação à medida que o cenário evolui. Como discutimos no Visão de Investimentos publicado em 27 de outubro, nossa leitura de uma transição no regime macroeconômico brasileiro nos levou a reduzir a alocação em renda variável local para neutra e, na renda fixa, a manter a sobrealocação em juros reais, agora privilegiando os vencimentos mais curtos.

Para acessar o relatório completo, com a íntegra das nossas recomendações, fale com sua equipe de atendimento.