Cenário macro: atualizações para novembro de 2025
Queda de juros mais próxima, dólar mais fraco no médio prazo e retomada da bolsa brasileira: confira os destaques da live mensal
Por Itaú Private Bank
O ano se encaminha para o fim com um desempenho bastante positivo dos mercados, tanto no Brasil quanto no exterior, apesar da volatilidade e dos ruídos no caminho. O recente shutdown nos EUA, as discussões fiscais domésticas, as tarifas globais e as variações nas expectativas para juros e inflação em diversos países foram alguns dos temas que movimentaram o mercado nesse ano.
No cenário internacional, o ano foi mais construtivo em ativos em países emergentes, principalmente por conta da queda do dólar, permitindo cenários mais favoráveis fora dos EUA. Além disso, a perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) abre espaço para novas oportunidades no mesmo sentido. Já no Brasil, a surpresa positiva com a inflação ao longo do ano reforçou a perspectiva de início do ciclo de cortes da Selic em 2026, sustentando o bom desempenho da renda fixa e da renda variável.
Esses temas foram alguns dos destaques da nossa live de cenário macro, que contou com a participação de Nicholas McCarthy, nosso estrategista-chefe de investimentos, e mediação de Carolina Sato, estrategista de investimentos do Itaú.
Confira os principais pontos da conversa:
Cenário internacional
- Nos EUA, novos cortes de juros dependerão dos dados que devem ser divulgados com o fim do shutdown do governo, como o payroll e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI). A expectativa é de um mercado de trabalho um pouco mais fraco na margem e dados de inflação ainda levemente acima da meta.
- Sobre o dólar, a moeda sofreu uma forte desvalorização de janeiro a junho de 2025, o que levou o mercado a projetar um crescimento próximo de zero para a economia americana. Contudo, ao longo do ano, a atividade nos EUA se mostrou bastante resiliente e deve fechar em torno de 2% de crescimento neste e no próximo ano.
- Em relação à bolsa americana, a avaliação é de que, apesar da concentração em grandes empresas de tecnologia e do forte rali recente, não há sinais claros de bolha neste momento, mas realizações pontuais são esperadas e podem abrir oportunidades táticas de aumento de posição.
- A inflação segue sob controle nas principais economias, o que abre espaço para cortes de juros em diferentes países e ajuda a sustentar o bom desempenho dos mercados de ações e de crédito. A visão não é de recessão nos EUA, mas de um crescimento um pouco mais moderado por lá e ligeiramente melhor no restante do mundo.
- Já as bolsas de países emergentes e de regiões como Ásia, Europa e Japão, têm superado o desempenho do mercado americano. Temos uma visão positiva para empresas de growth (com potencial para superar o desempenho geral do mercado ao longo do tempo), principalmente de tecnologia, com alocação tanto em ações americanas quanto em companhias listadas em mercados asiáticos.
- O principal risco monitorado no cenário internacional continua sendo uma eventual retomada da inflação, especialmente se o preço do petróleo voltar a subir de forma persistente. No entanto, com a commodity em níveis mais baixos e sem pressões relevantes do lado de oferta, o quadro atual ainda é de inflação sob controle, o que favorece ativos de risco.
Cenário local
- A inflação surpreendeu para baixo ao longo de 2025, saindo de projeções próximas a 6% no começo do ano para um patamar hoje esperado cerca de 4,55%. Esse movimento reforçou o ambiente favorável para ativos de risco brasileiros, mesmo com a taxa Selic ainda em nível elevado.
- A combinação de inflação mais baixa e um dólar globalmente mais fraco colocou o Brasil entre os principais destinos de fluxo para mercados emergentes. O posicionamento de investidores estrangeiros em bolsa brasileira vem aumentando, especialmente à medida que o início do ciclo de cortes de juros se aproxima.
- Em renda fixa, as carteiras passaram boa parte do ano sobrealocadas em títulos prefixados e em papéis atrelados à inflação (juro real). A visão continua positiva para ambas as classes à medida que o ciclo de queda da Selic se tornar realidade.
- Em renda variável local, a percepção é de que, após anos de migração de recursos para renda fixa, a indústria local segue subalocada em bolsa brasileira, tanto investidores de varejo quanto institucionais. Nesse contexto, a classe de ações no Brasil é vista como uma das com maior potencial de retorno relativo nos próximos 6 a 12 meses.
Na frente fiscal, o aumento da dívida pública e a trajetória de gastos permanecem como fonte importante de preocupação para o investidor local. Para o estrangeiro, porém, a atenção está concentrada na trajetória da inflação, no crescimento e na perspectiva de cortes de juros.
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